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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Desposórios da Virgem Maria e São José


"Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo."
 
São Mateus, 1, 18

No versículo 18 do capítulo 1 do Evangelho de S. Mateus vemos que a B. V. Maria estava desposada, isto é, estava prometida, como noiva, a S. José. Antes de coabitarem, que significa morarem juntos (o que não se entende por cópula), Ela concebeu do Espírito Santo. Isto é um mistério de fé pois não pode ser explicado pela ciência e feliz de quem acredita.

O matrimônio da Virgem Maria e de São José não é um tema descrito em detalhes pelas Sagradas Escrituras. No Novo Testamento pouco se fala sobre isso e, geralmente, está fadado a  apenas poucos versículos. 

Também não é um tema de muita abrangência na web, pois pesquisei e os resultados que me ocorreram foram de pouca relevância [leia-se textos que nos acrescentem espiritualmente]. Com exceção das obras de arte, cujo tema inspirou favoravelmente os pintores mais famosos do mundo, resultando em belíssimas pinturas, que compartilho no blog Imagens Sagradas.

Achei um artigo sucinto mas terno, num blog lusitano chamado Velharias, que mostra o cotidiano de um ateu [acredite se quiser!] que tem o hobby de trocar arte e raridades, sendo muitas religiosas e principalmente cristãs. Adapto o texto à linguagem portuguesa do Brasil. Minha adaptação foi uma forma de resenha, resumo e opinião própria mesmo. 

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Nesta estampa ao lado, retirada do blog Velharias, o Sr. Luís, a quem tive a honra de trocar breves palavras, comprou-a, decerto, em alguma feira de antiguidades. Está atribuída a Manuel da Silva Godinho (entre os séculos XVIII e XIX). 

Uma estampa muito bonita, emoldurada por uma figura octogonal, provavelmente para facilitar os enfeites com miçangas, flores ou passamanarias. Um rico costume que foi-se perdendo ao passar dos anos, com a descristianização das civilizações.

Nas representações dos desposórios, isto é, do matrimônio da Virgem Maria e S. José, geralmente eles trocam alianças na presença de um Sumo Sacerdote. Este episódio da vida de Maria começou a ser representado na arte a partir dos finais da Idade Média e teve origem na Lenda Dourada, que por sua vez teve por fonte os Evangelhos Apócrifos.

Para quem não sabe, a Legende dorée é uma obra redigida em latim entre 1261 e 1266 por Jacques de Voragine, que conta a vida de cerca de 150 santos e ainda alguns acontecimentos da vida de Cristo e da Virgem. Segundo o historiador Philippe Walter, esta Legende dorée é uma autêntica mitologia cristã, construída sobre as crenças pagãs, que o Cristianismo soube assimilar com o objetivo de controla-las.

Os Evangelhos Apócrifos são aqueles textos antigos, que o Catolicismo ao longo dos seus muitos séculos de existência rejeitou como canônicos, mas que acabaram por influenciar fortemente a religião e a arte.

Todas estas explicações servem para passar a ideia de que o casamento da Virgem e de S. José é um episódio sumariamente mencionado no Novo Testamento, e que assenta antes num conjunto de tradições antigas, com muitos elementos pagãos à mistura [o que não o faz de forma alguma pagão]. E no entanto, apesar de a história não fazer parte do dogma católico, nos traz inspiração para imaginar a beleza e principalmente a importância deste fato histórico. Na verdade as várias importâncias, tais quais o início de uma família.

Muito resumidamente, quando Maria fez 14 anos, O Sumo-Sacerdote decidiu que todas as moças, que tivessem atingido a puberdade deveriam casar. Maria recusou obedecer, porque segundo Ela os pais a tinham consagrado ao serviço de Deus, o que provocou um certo embaraço no templo, porque não se poderia quebrar um voto sagrado. Os membros do templo decidiram remeter o assunto para a inspiração divina e ouviu-se uma voz desconhecida, que ordenou que todos os homens núbeis deveriam aproximar-se do altar com um cajado. Aquele cuja vara florisse poderia desposar a Virgem. Claro, nenhum dos candidatos teve a sorte de ver o seu cajado florir, exceto S. José, que foi o eleito de Deus para casar com Maria. Esta lenda ajuda-nos a entender não só a cena representada nesta estampa, como também a própria iconografia tradicional de S. José, que é muitas vezes mostrado segurando o seu cajado florido com açucenas [lírios]. Aliás, um dos nomes vulgares da Açucena (Lilium candidum) é precisamente Cajado de S. José.



Exemplo da flor Cajado de São José.
Açucena ou Lírio.

Quanto à estampa propriamente dita, como foi cortada, não tem a assinatura de qualquer impressor ou gravador com a qual se possa datar, embora pareça coisa do século XVIII. No site da Sociedade Martins Sarmento, que tem on-line uma belíssima coleção de 1600 estampas dos séculos XVII-XIX e é um mundo para os amantes das gravuras religiosas, tem um exemplar, que não foi cortado e está assinado pelo gravador, Manuel da Silva Godinho, um senhor que viveu entre 1751-1809.


A mesma estampa, sem o recorte, mostrando a autoria
de Manuel da Silva Godinho.

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Fontes:
https://velhariasdoluis.blogspot.com.br/2014/02/os-desposorios-de-nossa-senhora-estampa.html?showComment=1515948368474#c6518135640531494008
Imagem da flor: https://i.pinimg.com/originals/10/b9/a8/10b9a81b7697f0bceeb077e6b5388f31.jpg
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Palavras de Santo Agostinho

"A oração é uma chave do céu; sobem as preces, desce a divina misericórdia. Por mais baixa que seja a Terra, e alto o Céu, Deus ouve a língua do homem, quando este tem limpa a consciência."