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segunda-feira, 5 de junho de 2017

Eleonora de Bergh, Duquesa de Bulhão

Os três filhos mais velhos da Duquesa. 
Obra de Pierre Mignard (1612-1695)

Eleonor Catarina de Bergh, uma Princesa católica, tinha despo­sado Frederico Maurício de La Tour-d’Auvergne, Duque de Bouillon, à maneira dos fiéis da Igreja Primitiva, com a condição de que, abjurando a heresia protestante (calvinista), entraria no seio da Igreja; o que ele efetivamente cumpriu, desprezando as sugestões e aspirações da sua família e dos seus interesses temporais mais manifestos.

Prematuramente viúva, a Duquesa de Bouillon mostrou extremosa preocupação pela salvação de cinco filhos e de cinco filhas que seu esposo lhe tinha deixado, uma solicitude, cujos testemunhos são tão brilhantes e tão extraordinários, que de certo não seriam acreditados, se não fossem atestados por monumentos de que se não pode duvidar. A perseverança de seus filhos na fé verdadeira, que ela teve a glória de restabelecer na casa de Bouillon, foi desde então a única ocupação da sua vida.

Mas, pressentindo que também morreria prematuramente, e assustada com o pensamento de deixar os tenros órfãos, sob a temível influência dos parentes do finado duque, todos calvinistas ardentes, tomou, por meio do testamento, disposições tais, que se pode afirmar que nunca, pelo menos por semelhante forma, se fez tão assassinada e tão admirável profissão de fé. Neste ato das suas últimas vontades, Leonor de Bergh não trata senão duma coisa, — a fé de seus filhos. Institui o rei, o parlamento, os bispos, os senho­res católicos, seus tutores honorários, implorando com lágrimas ao monarca, aos magistrados e aos prelados, que vigiassem não pelos bens temporais ou pelo seu futuro no mundo, mas única, mas sim­plesmente pela pureza da sua alma, pelo interesse da sua salvação, único ponto que ela tomava a peito.

Ordena aos cinco irmãos, e às cinco irmãs, que ficavam órfãos na terra, que lessem freqüentemente, durante toda a sua vida, este testamento, onde se expande com efusão o amor do seu zelo pela religião católica, a fim de se afervorarem cada vez mais por esta leitura na sua fé. Tendo tido a precaução de fazer escrever e de assinar, na sua presença, por cada um de seus filhos, a promessa de morrer cató­licos, ordena que imediatamente depois da sua morte essa promessa seja posta entre os seus dedos gela­dos, para ficar com ela encerrada na sepultura. E isto ainda não é tudo. Exige que os filhos que se conservarem fiéis, reneguem e nunca mais conheçam aquele que dentre eles tiver traído a sua fé e a sua assinatura.

«No dia — dizia ela depois, — em que nós ressus­citarmos todos juntos, voltarei meus olhos para vós; e se houver algum que se tivesse desmentido da sua palavra, dir-lhe-hei: — «Vai, maldito e desgraçado! Vai, pérfido e desleal, não te reconheço por meu filho; tu foste falso à fé de Deus, à Sua Igreja, a tua mãe, à tua própria assinatura; vai-te!... »

Pelo que fica exposto, julgar-se-á, sem dúvida, que todos os recursos da ternura maternal ficaram esgotados, e que, para ter a certeza de que a fé seria conservada no coração de seus filhos, nada mais podia fazer a Duquesa de Bouillon. Pois enga­nar-se-ia quem tal pensasse.

Convencida de que a fé católica é um bem su­perior a todos os bens, essa incomparável mãe ainda vai encontrar um supremo recurso, — o de se ofere­cer ela própria como vítima. Na sua indizível apre­ensão de que um só de seus filhos, um só, pudesse, em assunto religioso, vir a vacilar uma única vez, implorava de Deus, como um insigne favor, de ficar até ao juízo final no Purgatório, se Deus assim o quisesse, e por esse único prêmio, conceder-lhe a inabalável perseverança de todos os seus filhos na fé católica. Já era amor de mãe!

Os filhos da ilustre e virtuosa princesa não foram, nem podiam ser, indignos de tão admirável solici­tude. Um deles foi cardeal da santa Igreja Romana; duas de suas filhas, apesar de todo o esplendor da sua posição, beleza e imensa riqueza, abandonaram as felicidades e grandezas humanas, e foram procu­rar o paraíso na terra, nos sofrimentos e na obscuri­dade do convento das carmelitas; — todos enfim perseveraram...

***

Uau! O que dizer da Duquesa de Bouillon? Faltam até palavras. Como é maravilhoso ler histórias impressionantes como essa, que nos deixam pasmados de admiração e desejosos de fazer exatamente o mesmo. Como Deus é infinitamente maravilhoso, ao fazer uma mãe se preocupar tanto com as almas de seus filhos. Testemunhos como esse devem ser guardados no mais íntimo de nosso coração, pois a alma é o bem mais precioso, e saber guiá-la com a fé de Deus é a nossa esperança de salvação. Feliz da alma que tem sã consciência dessa verdade. Que levaremos dessa vida? Que adianta possuir bens materiais, se, ao morrermos, nada levamos? Feliz daquela alma que sabe que nosso único bem é a nossa alma e a nossa fé. Ser encerrado à vontade divina é o método mais eficaz para viver um antegozo nesta terra. Pois o gozo estritamente está prometido no Céu, ao contemplar a face de Deus, quando assim nos for prometido. 

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