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domingo, 4 de junho de 2017

Domingo de Pentecostes - leituras completas

Pentecost, de Jacob van der Hayden, 
Rijksmuseum, Amsterdam, Holanda (1618)


Vem-nos o nome desta festa, bem como o de Páscoa, do povo hebreu, e significa a palava Pentecostes o intervalo de cinquenta dias entre as duas. Foram ambas de instituição divina, a primeira em memória do fim do cativeiro no Egito, a segunda em memória da promulgação da lei antiga no monte Sinai. A Igreja de Jesus Cristo, anunciada no Antigo Testamento, sucedeu a sinagoga judaica, e a lei da nova aliança foi substituída à da antiga, desde o dia que hoje celebramos, em que desceu o Divino Espírito visivelmente no Cenáculo, e deu à nascente igreja a lei de graça e amor, da qual depende a salvação do mundo. No meio de trovões e de trombetas, foram entregues a Moisés, escritos em tábuas de pedra, os divinos mandamentos para o povo prostrado ao  pé do monte abrasado. 
No Pentecostes porém, veio o próprio Espírito Santo no Cenáculo em forma de línguas de fogo, para gravar em todos os corações a lei do divino amor, santificá-los com sua graça. Sejam nossos sentimentos, diz São João Crisóstomo, os mesmos que animavam os discípulos do Senhor, e nós também receberemos o Espírito Santo, em nossos coração gravará a sua lei: o amor de Deus, o amor do próximo por Deus, eis em que se cifram seus preceitos. 
A circuncisão interior, ou repressão dos perversos instintos da natureza, será o sacrifício quotidiano da nossa alma.

Introito

O Espírito do Senhor encheu a redondeza da terra: Aleluia. E este, que contem todas as coisas, tem conhecimento até de uma voz. Aleluia, Aleluia, Aleluia. Sl. 67. Levante-se Deus; e seus inimigos sejam dissipados; e fujam de sua face o que o aborrecem. Glória...

Oração

Ó Deus, que no dia presente ensinaste os corações dos fiéis com a luz do Espírito Santo: dá-nos pelo mesmo Espírito o conhecimento e amor da justiça, e que sempre gozemos de sua consolação. Por Cristo... em unidade do mesmo Deus Espírito...

Epístola (Atos dos Apóstolos 2, 1-11)

"1.Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2.De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. 3.Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. 4.Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. 5.Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu. 6.Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua. 7.Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam? 8.Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? 9.Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia, 10.a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos, 11.judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus!"

Estavam juntos os Discípulos com a Mãe de Deus no lugar acostumado das suas orações, quando, pelas nove horas da manhã, ouviu-se grande estrondo como de vento impetuoso, que abalou toda a casa e retumbou por toda cidade. Eram sinais este rumor e vento, estas impressões sensíveis, da presença, da Divindade, como outrora, no Sinai, manifestaram a majestade divina os trovões, os relâmpagos, a montanha envolta em fumos e chamas. Nisso, porém, não ficou a maravilha, senão que, juntos com o vento ou tufão, apareceu um globo abrasado, que partiu-se logo em várias labaredas ou línguas de fogo, e foram estas colocar-se sobre a cabeça de cada um membro da santa assembléia. Não era fogo aquele real e material como o nosso, senão o sinal exterior e sensível dos efeitos produzidos pelo Espírito Santo no coração dos discípulos ali presentes, e que havia de produzir nos demais fiéis ao comunicar-lhes seus dons. De fato, mal em si receberam os Apóstolos e Discípulos o Divino Espírito, que logo sentiram-se abrasados deste fogo divino, iluminados de luzes sobrenatuais, com que lhes vinha perfeita inteligência dos mais relevados mistérios, das verdades mais sublimes, animados de estranha coragem e valentia, mudados de todo em novos homens.Logo depois de chegado o Espírito Santo, fez São Pedro tão admirável discurso, tão enérgico e tocante, que não sabiam se era um homem ou Anjo a falar. Não menos de três mil conversões foram devidas a este primeiro sermão de São Pedro.

Cabe aqui notar que, em ponto de línguas, dava-se duplo milagre nos Apóstolos: o primeiro, que falavam a cada qual a sua língua, fosse grego ou persa, ou romano, etc; o segundo que todos entendiam quando falavam a todos em geral, ainda que só usassem então da sua própria língua. Quantas maravilhas a tantas portentosas, em Jerusalém; quantos prodígios em toda a Judéia, na Samaria, no mundo todo, conforme a palavra de Cristo! Eram necessários os milagres para estabelecer a Igreja de Jesus Cristo; e sempre os haverá na mesma Igreja. Quem não vê, porém, que é de todos os milagres o mais estupendo e demonstrativo, o próprio estabelecimento e conservação da Igreja, milagre este sensível e que dura sempre!

Sem armas, sem dinheiro, sem arte, sem meio algum deste mundo, resolvam doze pobre pescadores estabelecer no mundo universo uma nova religião, começando por destruir todas as mais. Pretendem impor à terra toda a adoração dum só Deus em três pessoas distintas, todas três o mesmo Deus, que é um só; e a terra toda há de crer que se fez homem este Deus, que morreu na cruz para resgate dos homens; que, ressuscitado no terceiro dia, subiu, depois de quarenta dias, ao Céu, donde há de vir no fim dos séculos a julgar-nos todos, e premiará com eterna felicidade os que acreditaram em seus dogmas e executaram seus mandamentos, morrendo assim em sua graça, e punirá com inimagináveis suplícios,, por oda eternidade, os que morrerem em pecado mortal. Se tão somente, com esses dogmas incompreensíveis, apresentassem moral cômoda, sensual, voluptuosa, favorável aos sentidos, como a que reinava no mundo todo, havia tantos séculos, sempre alguns haveria que dissessem: Deixem-nos viver a nosso talante, e creremos quanto quiserem.

Mas a moral que trazem os Apóstolos, na verdade a mais santa pura e racional que imaginar se pode, é entretanto a mais austera, a mais contrária ao amor próprio, a mais infensa aos sentidos, à volúpia. Somos todos por natureza soberbos; ora exige a nova religião a mais profunda humildade como fundamento do edifício espiritual. Somos naturalmente carnais, levados das paixões, escravos do amor próprio e da atração do mal, voluptuosos, interesseiros, vingativos, coléricos; e eis que exige a nova moral contínua mortificação, pureza sem mancha, desinteresse perfeito, cridade que de todos se compadeça. a todos benfazejamansidão e paciência que ature e perdoe as mais atrozes injúrias, enfim, exige de nós vida toda santa, sempre crucificada, em luta sempre contra os sentidos, contra o amor pr´prio, contra as paixões todas. E lá veem uma dúzia de tristes pescadores, ignorantes, sem talento algum, desprezíveis, ínfimos entre todos os homens, lá veem eles a razer aquilo tudo para proô-lo, inculcar e impor a quem?

A gregos e romanos, a scythas e persas, índios e egípcios, africanos e gaulezes, a todos os povos da terra habitada: que rizível pretetenção, que loucura temerária, que extravagÇancia!

Entretanto, o louco e extravagante comentimento dos Apóstolos em da de Pentecostes, impossível embora, realizou-se, e com os próprios olhos, vemos este milagre. Sim, aqueles ppovos todos acreditaram, abraçaram esta lei santa, sujeitaram-se a esta moral tão adversa ao corrupto coração humano, tão contrária à soberba do espírito, aos preconceitos do interesse e da nacionalidade. expirou o paganismo em meio das fogueiras por eles ateadas contra os cristãos, para abafar o Evangelho. Foi semente de fiéis, o sangue de quinze milhões de mártires.

Em cima a cruz a coroa dos Imperadores como seu mais belo ornato. Ora, quem lembrará, quem achará maior milagre? E é permanente e durará até o fim do mundo, efeito maravilhoso do Espírito Santo no dia de hoje. Tal foi a virtude do mistério que celebramos, o fruto da da festa de Pentecostes. Que muito pois que a celebre a Igreja com tanta solenidade, e que a chame, com Eusébio, a maior de todas as festas!

PORQUE DESCEU O ESPÍRITO SANTO SOBRE OS APÓSTOLOS FEITO LÍNGUAS DE FOGO?

Era este o símbolo exterior dos seus efeitos nos corações. Assim como o fogo alumia, eleva e purifica, muda em si tudo qaunto é por ele abrasado, o mesmo operou o Espírito Santo nos Apóstolos, e o mesmo opera até hooje nos que dignamente o recebem, Enttende-se com as línguas de fogo a pregação do Evangelho pelos Apóstolos, que, transformados em novos homens, cheios de luz e de coragem, povoarão a terra de cristão.

COM QUE DISPOSIÇÕES RECEBEREMOS O ESPÍRITO SANTO, CELEBRANDO DIGNAMENTE A FESTA DE PENTECOSTES?

1- Desejo ardente de receber o Divino Espírito.
2- Sincero desapego dos nossos defeitos. Muito carecemos do Espírito Santo, tempo mais próprio não há que o dia de hoje para chamá-lo; não esqueçamos porém que não o receberão as almas carnais e dominadas pelo vício.

Aleluia, Aleluia. V. Mandai o vosso Espírito, e serão criados, e assim renovareis a face da terra. Aleluia. V. Vinde, ó Santo Espírito, enchei os corações dos vossos fiéis, e acendei neles o fogo do vosso amor.

Sequencia.

Vinde, ó Santo Espírito, e mandai do Céu um raio da vossa luz.
Vinde, ó Pai dos pobres, vinde ó Distribuidor dos bens, vinde, ó Luz dos corações.
Vinde, ó Consolador ótimo, doce Hóspede, e suave alegria das almas.
Vinde aliviar-lhes  os trabalhos, temperar-lhes os ardores, e enxugar-lhes as lágrimas.
Ó Luz beatíssima, inflamai os íntimos corações dos vossos fiéis.
Sem a vossa graça nada há no homem: nada que se possa dizer inocente.
Lavai pois o que em nós é sórdido, regai o que é seco, sarai o que está ferido.
Abrandai o que é duro, abrasai o que é frio, e recondzi o desviado.
Concedei aos vossos servos, que em vós confiam, o setenário dos vossos dons.
Dai-lhes o mérito da virtude, o dom da graça final, e o glorioso prêmio dos prazeres eternos. Amém, Aleluia.

Evangelho (São João 14, 23-28)

"23.Respondeu-lhe Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada. 24.Aquele que não me ama não guarda as minhas palavras. A palavra que tendes ouvido não é minha, mas sim do Pai que me enviou. 25.Disse-vos estas coisas enquanto estou convosco. 26.Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito. 27.Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize! 28.Ouvistes que eu vos disse: Vou e volto a vós. Se me amardes, certamente haveis de alegrar-vos, que vou para junto do Pai, porque o Pai é maior do que eu."

***

COMO PROVAREMOS QUE AMAMOS A DEUS?

Cumprindo exatamente os seus mandamentos.

QUAIS SÃO OS DONS DO ESPÍRITO SANTO?

1- o dom da sabedoria, com o qual preferimos às terrestres as coisa do Céu;
2- o dom da inteligência, para bem entendermos as verdade da salvação, a doutrina da religião;
3- o dom do conselho, que nos mostra o que devemos fazer ou evitar,  que devemos aconselhar aos outros, dom muito necessário em tantos passos melindrosos da vida;
4- o dom de força, que despreza todo temor ou respeito humano para fugir do vício e praticar a virtude, para frontar os desprezos, os danos temporais, as perseguições, a própria morte antes que renegar a Jesus Cristo por palavra ou por obra;
5- o dom da ciência, para conhecer e evitar as ciladas do mundo, carne e diabo;
6- o dom da piedade, que nos dá o gosto das coisas divinas, e nos torna delicioso o trato e colóquio com nosso Criador;
7- o dom do temor de Deus, temor filial que nada receia tanto como desagradar-lhe, e nos arreda do pecado como do maior dos males.

QUAIS SÃO OS FRUTOS DO ESPÍRITO SANTO?

Assim os enumera São Paulo (Gálatas 5, 22): caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, longanimidade, brandura, fé, modéstia, temperança, castidade, doze por todo.
Estas virtudes no cristão, assinalam a presença do Espírito Santo, como se conhece pelos frutos a árvore. 

Desde hoje até o Advento não cessa a Igreja de exortar-nos a que as pratiquemos.

***

Veni Creator Spiritus



Veni, Creator Spíritus, 
mentes tuórum visita,
imple supérna grátia,
quae tu creásti péctora.

Qui díceris Paráclitus,
altíssimi donum Dei,
fons vivus, ignis, cáritas,
et spiritális únctio.

Tu septifórmis múnere, 
dígitus paternae déxterae,
tu rite promíssum Patris,
sermóne ditans gúttura.

Accénde lumen sénsibus;
infunde amórem córdibus,
infírma nostri córporis
virtúte firmans pérpeti.

Hostem repéllas lóngius,
pacémque dones prótinus; 
ductóre sic te praevio 
vitemus omne noxium.

Per te sciámus da Patrem, 
noscamus atque Filium;
teque utriúsque Spíritum
credamus omni témpore.

Deo Patri sit glória,
et Fillio, qui a mórtuis
surréxit, ac Paráclito,
in saeculórum saecula. Amem.

V/ Emítte Spíritum tuum, et creabúntur. 
R/ Et renovábis fáciem terrae.

Deus qui corda fidélium Sancti Spíritus illustratióne docuísti: da nobis in eódem Spíritu recta sápere; et de ejus semper consolatióne gaudére. Per Christum dominum nostrum. Amém.

Uma excelente Festa de Pentecostes a todos. Que o Espírito Santo nos infunda os seus sete dons e doze frutos, para podermos ser bons cristãos. Boa santificação!

__________
Goffiné (1910)

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