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domingo, 7 de maio de 2017

São João em Porta Latina


"Martírio de São João Evangelista, no Porta Latina"
Charles Le Brun - óleo sobre tela - 1641


O dia de São João em Porta Latina foi ontem (06/05), mas é claro que o leitor vai me perdoar por não ter publicado na data correta sobre o assunto.

Esse título é bem curioso e confesso que nunca tinha ouvido ou visto sobre ele antes. Só fiquei sabendo por causa do calendário tradicional que adquiri na loja Editora Missões Cristo Rei, que, aliás, é lindo, de qualidade e super informativo. Vale a pena comprar.

Como meu blog é um bebezinho ainda, então creio que devo falar sobre todos os assuntos relativos a Igreja. Como ainda não tenho nada escrito sobre S. João em Porta Latina e também eu ainda não conhecia esse título, vou unir o útil ao agradável: escrever no blog para os meus queridos leitores e também adquirir conhecimento para mim e para vocês.

A história remonta a um terrível martírio [ou tentativa] sofrido por S. João. Como sabemos, S. João foi o único dos Apóstolos de Cristo a não sofrer martírio. Pelo menos não no sentido estrito da palavra. É considerado mártir porque sabemos que morreria por Cristo, e sua vida não deixou de ser sofrida por amor ao Mestre.

Após S. João ter saído ileso da terrível sentença, salvo pelo Bondoso Mestre, foi erigida uma Basílica na região da Porta Latina (em Roma), daí o nome.

***

De acordo com Tertuliano, citado por Jerônimo, em 92, São João Evangelista foi condenado à morte pelo imperador romano Domiciano e foi submergido em óleo quente. Porém, ele sobreviveu e emergiu ileso, sendo depois disto exilado para a ilha de Patmos. Segundo a tradição, este evento teria ocorrido na Porta Latina, na parte sul da Muralha Aureliana. Segundo a lenda, a capela de San Giovanni in Oleo, ali próxima, foi construída sobre o local exato do milagre. O evento foi consagrado no Martirológio Romano, que começou a ser editado no século VII, quando já havia inclusive uma festa celebrando o evento, que permaneceu no Calendário Romano até 1960, quando o papa João XXIII removeu a maior parte das festas de santos que tinham mais de uma.

A tradição sobre a construção da basílica data o evento no pontificado do papa Gelásio I (r. 492–496), o que é consistente com as mais antigas telhas encontradas no edifício, que trazem impressos um selo fiscal do rei ostrogodo e monarca da Itália Teodorico, o Grande (r. 493–526). Uma delas está agora sendo utilizada como um atril.

No século VIII, a basílica foi reformada pelo papa Adriano I e, em seguida, ganhou um campanário e um pórtico. No final do século XII, ela foi reconsagrada pelo papa Celestino III. Nos séculos XVI e XVII, um teto barroco e outros elementos barrocos foram acrescentados ao interior. Entre 1940 e 1941, toda decoração barroca foi removida e a basílica voltou à sua simplicidade mais primitiva. Esta última renovação foi conduzida pelos padres rosminianos que, em 1938, foram encarregados da basílica e do edifício vizinho, onde instalaram o novo Collegio Missionario Antonio Rosmini, que abriga a Casa de Estudos Internacional da ordem.

A entrada principal do edifício está de frente para um pequena praça onde está um cedro centenário e um poço do século VIII, uma reprodução bastante fiel do aspecto que ela teria tido quando foi reconsagrada por Celestino III no século XII. O pórtico está assentado sobre quatro colunas clássicas reaproveitadas (cada uma de um tipo de mármore diferente) e formando cinco arcos. A porta principal está emoldurada por um mosaico simples de pórfiro vermelho e verde.

O poço, da época do papa Adriano I, tem está decorado por um desenho de duas linhas à volta e traz uma inscrição em latim por toda a borda:IN NOMINE PAT[RIS] ET FILII ET SPI[RITUS SANT]I — "Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo "OMN[E]S SITIE[NTES VENITE AD AQUAS] — "Ah! todos vós os que tendes sede, vinde às águas" (Isaías 55,1)EGO STEFANUS — "Eu, Estêvão", uma referência ao mestre escultor.

O interior da Basílica está dividido em três naves separadas por duas colunas sobre as quais estão assentados arcos semi-circulares. As duas colunas mais próximas ao santuário são de mármore branco profundamente canelado. As outras são de vários tipos de mármore e granito e todas ostentam capitéis jônicos. A nave central termina numa abside meio-hexagonal cujos três lados estão abertos por grandes janelas de ônix cor de mel.

Sobre a borda da janela central está esculpida em madeira uma cena da crucificação mostrando São João Evangelista e a Virgem Maria. Em frente ao altar está um piso em mosaico cosmatesco. O padrão geométrico de pórfiro verde e vermelho está emoldurado por mármore branco — que também acredita-se serem fragmentos reutilizados, alguns com letras de inscrições — criado antes do século XII. Esculpido na parte vertical do primeiro degrau do altar está o titulus da basílica, de origem muito antiga, descoberto durante a reforma de 1940: TIT. S. IOANNIS ANTE PORTAM LA[TINAM]

Entre 1913 e 1915, afrescos recém descobertos foram restaurados sobre o altar-mor. Depois disto, outra busca ao longo da face da nave central revelaram a presença de um ciclo completo de afrescos medievais, totalmente restaurados na reforma de 1940 e 1941. Eles representam episódios do Antigo e do Novo Testamento, da criação do mundo até o glorioso apocalipse da Nova Jerusalém. Eles são obra de diversos artistas dirigidos por um único mestre.

Fotos:

Abside e altar [que lástima ver a mesa da missa nova aí]

Campanário

Poço

Colunas

Afrescos medievais no nártex

Vista do interior


História magnífica, não? Quanto mais conheço a história e a tradição da Igreja, mais encantada fico. E vocês?
__________

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