Translate

Procure no blog

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Sobre a Tradição

Dirk Bouts Christ crowned with the Thorns (detalhe)

Beijo vossas benditas chagas, oh Jesus meu. Não permitais que inutilize o sangue por mim derramado.

Tradição Divina e Escritura Sagrada

Na TRADIÇÃO  e na ESCRITURA se acha tudo que dignou-se Deus Senhor Nosso comunicar e revelar aos homens.

A Escritura Sagrada é a palavra de Deus escrita com sua inspiração, e é sagrada ou santa, porque é obra do próprio Deus, que a ditou.

Divide-se em duas coleções de livros: os do Antigo Testamento ou antiga aliança, escritos antes da vinda do Senhor Jesus, e são quarenta e cinco; e os escritos depois da Ascensão, em número de vinte e sete, que formam o Novo Testamento.

É este o catálogo* ou canon dos livros sagrados decretado pelo CONCÍLIO TRIDENTINO (Sess. 4. C. I):
  1. 1º Gênesis, 2º Êxodo, 3º Levítico, 4º Números, 5º Deuteronômio, 6º Josué, 7º Juízes, 8º Ruth, 9º, 10º, 11º, 12º Dos Reis, 13º, 14º Dos Paralipomenos, 15º, 16º Esdras, 17º Tobias, 18º Judith, 19º Esther, 20º Job, 21º Psalmos, 22º Provérbios, 23º Eclesiastes, 24º Cântico dos Cânticos, 25º A Sapiência, 26º O Eclesiástico, 27º Isaías, 28º Jeremias, 29º Baruch, 30º Ezequiel, 31º Daniel - Os doze profetas menores: 32º Oséas, 33º Joel, 34º Amós, 35º Abdias, 36º Jonas, 37º Micheas, 38º Nahum, 39º Habacuc, 40º Sophonias, 41º Aggeo, 42º Zacharias, 43º Malachias, 44º, 45º Machabeus.
  2. Os Evangelhos: de S. Mattheus, de S. Marcos, de S. Lucas e de S. João; os Atos dos Apóstolos, as 14 Epístolas de São Paulo (1 aos Romanos, 2 aos Coríntios, 1 aos Gálatas, 1 aos Ephesios, 1 aos Philippenses, 1 aos Colossenses, 2 aos Thessalonecenses, 2 aTimotheo, 1 a Tito, 1 a Philomenon, 1 aos Hebreus); 2 Epístolas de S. Pedro, 3 de S. João, 1 de S. Thiago, 1 de S. Judas e o Apocalipse.
Da Bíblia em linguagem vulgar

Grande escarcéu levantam a tal respeito contra a Igreja Católica os protestantes e não poucos ainda entre católicos, ignorantes ou duvidosos: 1º não se lê a Escritura em língua vulgar na missa e na liturgia; 2º É proibido ao povo a leitura da Bíblia. 

A esses queixumes muito fácil é a resposta e a daremos em resumo e poucas palavras.
1º Quem veda aos fiéis acompanharem a liturgia, Missa e mais ofícios com seu Missal em língua vernácula?

- Será de pouca vantagem a unidade de língua sagrada para a imensa variedade de povos católicos, de idiomas diversos, unidos pela mesma fé?

- No tempo de N. S. Jesus Cristo, já não era o hebraico a língua do povo Judeu; consta algures que o Divino Mestre ou os Apóstolos fizessem questão do uso d'aquela língua nas leituras da sinagoga e funções do culto?

- Será indiferente à majestade do culto, o tal ou qual mistério d'uma linguagem reservada, e comunicações do povo cristão com seu Deus e Senhor, por intermédio de seus ministros?

2º Onde se encontra tal proibição ao povo católico de ler a Bíblia? - Antes pelo contrário tem muito empenho a Igreja em que seja a Sagrada Escritura a lição frequente e meditada dos fiéis, que a facilita em tantos Eucologios, Devocionarios, etc., onde vem os Evangelhos, Epístolas, etc., de cada dia santo. O que neste ponto enganou a petulância de alguns, e serve de pretexto a má fé dos sectários heréticos, é o seguinte: Proíbe a Igreja a edição e leitura dos santos Livros em língua vernácula, sem aprovação dos Prelados. Nisto como sempre brilha o zelo e prudência dessa boa Mãe, a bem dos seus filhos: são muitas as alterações que as inúmeras seitas revoltadas cometem contra os sagrados textos.

- Ademais, quem tenha algum conhecimento das sagradas letras, reconhece logo a inconveniência de entregá-las, sem mais nem mais à leitura de toda a categoria de cristãos, jovens de ambos os sexos, inexperientes e ignorantes, facilmente presumidos.

- As mais das vezes são de dificílima interpretação tais livros, como nos declara S. Pedro das Epístolas de S. Paulo. Alguns há cuja leitura a sinagoga proibia aos que não tivessem idade já madura. O católico discreto tomará conselho do seu diretor espiritual antes de atirar-se à leitura de todos os livros do Antigo e do Novo Testamento, para se não meter em escuridões e perplexidades penosas, quando não perigosas.

A Tradição divina é a palavra de Deus, não escrita, mas entregue por boca de Cristo Senhor Nosso aos Apóstolos, e por eles comunicada aos primeiros fiéis, que nos transmitiram como de mão em mão. Dizemos não escrita, em oposição aos livros sagrados inspirados pelo Espírito Santo; consta, porém, seja das doutrinas orais, seja principalmente dos escritos dos S. S. Padres, e outros autores eclesiásticos, decretos dos Papas, etc.

Só a Bíblia! Só a Bíblia! dizem em grito os infelizes desvairados pelo apóstata Lutero... Então não teriam fé nem seriam cristãos os primeiros discípulos, em quanto não havia ainda Evangelhos nem Epístolas, nem duas palavras de Cristo escritas por Ele ou por outros?

Em suma, só por nossa Mãe e Mestra a santa Igreja podemos conhecer o que Deus dignou-se revelar, porquanto só por ela nos consta infalivelmente, tanto dos livros sagrados como do seu sentido genuíno, e certos estamos que, em crendo o que a Igreja ensina, cremos o que Deus mesmo nos manda crer.

***

* Excerto do Goffiné 1912, onde os livros sagrados estão ainda descritos com ortografia antiga, porém quis deixar da mesma maneira, para remeter ao sagrado de antes. Que tempos os de outrora! 

Como é gratificante e até consolador leituras como estas, mesmo (e principalmente por isso) sendo de 1912. Deus é o mesmo ontem, hoje e será o mesmo sempre. Deus não muda! Que corações felizes os que levam consigo essa verdade, não só de fé, mas de dogma imutável pelos mistérios que rodeiam todo esse Universo. 

Em tempos onde o protestantismo ganha cada vez mais forças, onde o neo catolicismo se enfraquece cada vez mais [não sei se isso é bom ou ruim] enveredando pelos caminhos vacilantes e inescrupulosos do falso ecumenismo, onde cada dia mais as pessoas não compreendem que tem uma alma imortal e que após a morte terão uma outra vida; onde o espiritismo, budismo, ateísmo e outros malignos "ismos" vão dominando rapidamente a cabeça e o coração dessas pessoas vazias e descrentes de Cristo, resta-nos rezar muito e tentar fazer alguma coisa para mudar essa realidade. 

Imagino que estamos passando por tempos parecidos com aqueles em que viveram os primeiros Apóstolos; tempos de evangelização e martírio. O cristianismo está perdendo força. E quando escrevo cristianismo, obviamente que me refiro ao catolicismo, porque Cristo não pode ser encontrado no protestantismo. Deus não está lá. Ele não deixou desordem. Ele não deixou duas bíblias. Ele não instituiu o sacerdócio para pastores e pastoras, para bispas (palavra essa que nem no dicionário existe)

É urgente que nós católicos estejamos cada vez mais convictos de nossa fé. Evangelizar atualmente seria bem diferente daqueles tempos dos santos Apóstolos, pois infelizmente temos barreiras que são muito mais difíceis de combater, como exemplo o ceticismo. As pessoas estão céticas e não creem mais no espiritual.

Aos católicos é preciso que rezem incansavelmente pela conversão dos pecadores, pela inspiração do Espírito Santo nos corações mais duros, pelas almas agonizantes do Purgatório, e, principalmente que mantenhamos a nossa fé com uma armadura impenetrável.

É tempo de conversão e é preciso estar preparado para a morte. É preciso pedir uma boa e santa morte. Não há nada mais consolador que ter a vontade e desejar ardentemente morrer na amizade de Deus. 

Salve Maria!
Viva Cristo Rei!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Caro (a) leitor (a), este blog é católico. Não aceitaremos ofensas contra a Igreja Católica. Por favor, antes de comentar certifique-se se o que está prestes a escrever tem alguma significância perante as Leis da Igreja.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

A Tradição é linda.

A Tradição é linda.

Palavras de Santo Agostinho

"A oração é uma chave do céu; sobem as preces, desce a divina misericórdia. Por mais baixa que seja a Terra, e alto o Céu, Deus ouve a língua do homem, quando este tem limpa a consciência."