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sábado, 15 de abril de 2017

Sábado Santo


Consta o ofício de hoje de seis partes ou cerimônias principais: 

1ª Bênção do fogo novo; 
2ª Bênção do círio pascal; 
3ª as Lições; 
4ª Bênção da água batismal; 
5ª a Missa; 
6ª Vésperas. 

Rescendem essas funções sagradas a mais veneranda antiguidade: as catacumbas, Constantinopla, Nicéia, Jerusalém são como os teatros diversos que nos passam debaixo dos olhos.

1ª Bênção do fogo novo

Era costume antigo já no IV século benzer cada dia o fogo que devia acender as lâmpadas para as Vésperas. Tirava-se o fogo da pedra, não do lume doméstico; entrando nisso o pensamento da Igreja que, sendo viciadas ou contaminadas todas as criaturas, não convêm emprega-las no culto divino sem prévia bênção.

Restringe-se hoje essa bênção do fogo ao Sábado Santo, e com ela começa o ofício do dia. Para nós cristãos simboliza este fogo novo a Lei Nova, de amor e graça, a nascer no túmulo de Cristo; onde em seu sangue apagou o fogo velho da antiga lei.

Em chegando o clero ao côro, levanta logo a Ladainha dos Santos; convida a Igreja a seus filhos já coroados no Céu a partilharem da alegria da terra com a aparição da Nova Lei, e a rogar para seus irmãos de cá conseguirem com a pratica dessa mesma lei a ventura que já estão fruindo. Enquanto se canta a Ladainha benze-se o fogo.

2ª Bênção do círio pascal

Primitivamente era tal círio uma coluna revestida de cera, onde o patriarca de Alexandria escrevia à época da Páscoa e das festas móveis que por esta se regulam. Eram célebres os astrônomos de Alexandria, e a eles recorriam para fixar o primeiro Domingo depois do décimo-quarto dia da lua de Março, que é esta determinada para a celebração da Páscoa. Recebia o Papa esse canon ou regra e o comunicava às demais Igrejas. Transformou-se depois tal coluna em tocha ou círio, que alumiava em noite de Páscoa e figura Cristo ressuscitado.

O Papa S. Zozimo aprovou e generalizou este uso, e mandou que toda as igrejas paróquias tivessem seu círio pascal.

Aceso com o fogo novo, o círio brilha em todos os ofícios do Sábado Santo e nos demais domingos e dias de festa, até a missa da Ascenção, e então se apaga logo depois do Evangelho, porque já se retirou ao Céu o divino Luzeiro.

Nada mais solene e eloquente que esta bênção do círio; com as palavras e cantos sublimes que a acompanham. Assim começa: Exultet jam angelica turba, etc.

<<Exulte já a celeste milícia dos Anjos: exultem os divinos mistérios, e saudável trombeta publique já ao mundo a vitória do grande Rei.
<<Alegre-se também a terra, iluminada com tanto fulgor e já ilustrada com o resplandor do Rei eterno, conheça que do orbe inteiro fenecerão as trevas.
<< Alegre-se igualmente a Igreja, nossa Mãe, adornada com o brilhantismo de tanta luz. E ressoem neste templo as altas e alegres vozes do povo fiel.

Sustenta-se toda a cerimônia nesse entusiamos lírico e sagrado, bem digno do gênio sublime de Santo Agostinho, a quem é atribuída a sua composição.

O diácono é que canta essa bela proclamação da festa da Páscoa, porquanto a bênção do cí´rio foi sempre atribuída ao diácono, ainda em presença do Bispo e do celebrante. O diácono, qual arauto do Céu, anuncia à Igreja a ressurreição de Cristo, seu triumfo, os refulgentes penhores da sua misericórdia, a ventura do homem reconciliado com Deus na Redenção.

Os cinco grãos de incenso pregados em cruz no círio, simbolizam as cinco chagas do Senhor, e os perfumes com que foi embalsamado. Isso indica a oração que acompanha o ato, a qual declara também a virtude que tem o círio, como as demais coisas bentas, contra o demônio, flagelos e moléstias.

Consideremos pois o círio que na missa acendem desde o Sábado Santo até a Ascensão, como a coluna luminosa a guiar Israel no deserto, e tratemos de seguir a Cristo, luz verdadeira, até no Céu, onde nos aguarda.

3ª as Lições

4ª Bênção da água batismal

Bênção da pia batismal, isto é, da água destinada ao batismo. Do uso de tal bênção dão já testemunho os padres do IV século, até do III! Depois de cantadas as profecias, dirige-se o clero, formado em procissão, ao lugar da pia ou batistério, cantando a Ladainha. Em magnifico prefácio o celebrante lembra as maravilhas que Deus operou nas águas; logo divide com a mão a água em forma de cruz e pede a Deus que lhe infunda a virtude do Espírito Santo e a fecunde com sua graça, atira parte dela aos quatro pontos cardeais, significando que a toda terra deve chegar, isto é, que há de o Evangelho dar a volta ao mundo, e que ao batismo são chamados todos os povos. 

Em seguida o padre sopra sobre a água rogando a Cristo "digne-se bafejá-la também e subtrai-la a influência do demônio." Na mesma água mergulha três vezes o círio, figura de Cristo morto, ressuscitado, por cujos merecimentos terá ela virtude para preservar-nos corpo e alma dos ataques do inimigo, excitando em nós o arrependimento e o amor de Deus. Do círio fazem pingar algumas gotas de cera na água já benta, indicando que nela fica a virtude de Cristo, e põe-se de parte a porção que é destinada ao batismo. Logo que está cheia a pia batismal, o celebrante mistura à água, o santo crisma, e marca este composto de óleo e bálsamo a graça que a água há de produzir no batismo: Seja esta água santificada e fundada em óleo de salvação, para que dela renasçam para a vida eterna. Amém.

Depois tomando os dois óleos dos Catecúmenos e do Crisma, os derrama na Pia ao mesmo tempo, em modo de cruz, dizendo: Faça-se uma só mistura do crisma de santificação e do óleo da unção, e da água batismal, em Nome do Pai, etc.

Assim, terminada a bênção das fontes, volta-se ao côro, e entra.

5ª a Missa

Não tem Introito.

Oração

Ó Deus, que ilustras esta sacratíssima noite com a glória da Ressurreição do Senhor: conserva em tua nova família o espírito de adoção, que lhe deste: para que, renovados na alma e no corpo, te sirvam com a devida pureza. Pelo mesmo Senhor, etc.

Epístola (Coloss., c. III.)

"1.Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. 2.Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. 3.Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. 4.Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória." Colossenses, 3 - Bíblia Católica Online Leia mais em: http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/colossenses/3/

Depois dessa lição dirigida aos que acabam de receber vida nova no batismo, a Igreja abre a solenidade pascal com o canto do Aleluia, interrompido desde a véspera da Sptuagésima, e é cantado três vezes em tom progressivamente mais alto, para proclamar o seu júbilo e nosso pela ressurreição de Cristo.

Encerra essa simples palavra (composta por duas palavras hebraicas) um hino de louvor, gratidão e alegria: Aleluia! Vem repetida muita vezes em todos os ofícios no tempo pascal, durante o qual, em certas partes, é a palavra de saudação entre os fiéis.

Evangelho (Matth., c. XXVIII.)

"1.Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo. 2.E eis que houve um violento tremor de terra: um anjo do Senhor desceu do céu, rolou a pedra e sentou-se sobre ela. 3.Resplandecia como relâmpago e suas vestes eram brancas como a neve. 4.Vendo isto, os guardas pensaram que morreriam de pavor. 5.Mas o anjo disse às mulheres: Não temais! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. 6.Não está aqui: ressuscitou como disse. Vinde e vede o lugar em que ele repousou. 7.Ide depressa e dizei aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos. Ele vos precede na Galiléia. Lá o haveis de rever, eu vo-lo disse." São Mateus, 28 - Bíblia Católica Online Leia mais em: ttp://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/sao-mateus/28/

O amor destas santas mulheres as leva pressurosas, antes do sol nado, ao túmulo do Mestre querido, e o Senhor manda um Anjo anunciar-lhes a sua ressurreição.

Não tarda que recebam a recompensa, o zelo e o fervor para com Deus; ao passo que as almas de devoção esfriada, covardes e preguiçosas, são excluídas da sala das núpcias porque chegam sempre tarde.

A todas as almas fiéis traz a ressurreição de Cristo doce exultação espiritual, e, pelo contrário, causa pavor aos seus inimigos. 

Os verdadeiros servos de Deus, de piedade sincera e consciência pura, experimentam nas festas da Páscoa e dos outros mistérios, aquela doce alegria, antegozo das delícias do Céu.

6ª Vésperas

Só um salmo nela se canta; mas que expressivo e apropriado!

Louvai ao Senhor todas as gentes: louvai-o todos os povos. Porque sua misericórdia prevaleceu sobre nós; e a verdade do Senhor permanece eternamente. Gloria Patri, etc.

As nações eram os gentios, e os povos os filhos de Israel, sociedades outrora separadas, unidas porém neste grande dia em uma só família. Por isso, antevendo o profeta no futuro esse mistério de união, o batismo que dá o mesmo espírito a Judeus e Gentios, e os faz filhos do mesmo Deus, exclama em jubiloso arroubo: Prevaleceu a misericórdia do Senhor sobre nós, sobre nós todos, isso é, sobre nós e sobre vós. Oh! que eloquente este nós! Oxalá nos abrase o coração na caridade católica nele encerrada.
__________
Goffiné (1912)

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"A oração é uma chave do céu; sobem as preces, desce a divina misericórdia. Por mais baixa que seja a Terra, e alto o Céu, Deus ouve a língua do homem, quando este tem limpa a consciência."