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domingo, 16 de abril de 2017

Domingo da Ressurreição

  
Christus resurgens ex mortuis jam non moritur,
mors illi ultra non dominabitur. (Rom. VI.9.)

 É esta festa, de todas a primeira e mais augusta, o dia do Senhor por excelência.
  Páscoa quer dizer passagem. Por ordem de Deus, os Judeus a celebravam com a maior solenidade, em memória de sua libertação do Egito e dos milagres que obrara o Senhor, mandando o Anjo exterminador a imolar os primogênitos dos Egípcios até que o Faraó deixasse partir os Hebreus. O mesmo Anjo do Altíssimo guiou-os, assinalando-lhe os passos com maravilhas, até a terra prometida a Abraão e à sua posteridade, que já então formava nação numerosa, para sempre célebre. Havia de ser sua história, no correr dos séculos, para todas as nações a figura profética do novo povo de Deus, chamado por Jesus Cristo a ser, do Oriente ao Ocaso, um povo santo, objeto único das divinas promessas, herdeiro das bênçãos infinitas de que é o Messias, para todas as gerações, causa meritória e árbitro eterno.
  A Páscoa dos Judeus foi, com efeito, símbolo expressivo da nossa. O cordeiro que ofereciam a Deus e consumia cada família em legal repasto, cujo sangue tingia-lhes os limiares e os preservava da morte, figurava claramente o Cordeiro de Deus, que mais tarde proclamou o Batista, nas beiras do Jordão, na pessoa de Cristo N. S. E para que fosse mais exata a figura, o Salvador do mundo, antes de consumar seu sacrifício na Cruz, deu-se realmente a si próprio à sua Igreja, sob espécies eucarísticas, como cordeiro imaculado, vítima de oblação divina, oferecida de um a outro polo, até acabar o tempo, conforme a profecia de Malaquias.
  Foram chamados todos os filhos da Igreja a participar em comum deste grande sacrifício, recebendo o corpo e sangue de Cristo sob as espécies do pão e vinho; e como esmorecesse o fervor dos primitivos fiéis, deu a Igreja preceito estrito a todos os cristão de comungarem ao menos pela Páscoa, sob pena de excomunhão.
  É pois essa comunhão geral, para o mundo cristão como selo do último testamento divino, a transição da primeira a segunda aliança, que há de ser eterna. Porquanto, Cristo ressuscitou por sua própria virtude, conforme expressamente prometera; já não morre mais, diz o Apóstolo, e é sua ressurreição nossa glória, nossa força e nossa esperança. Com ela deu pleno cumprimento aos desígnios da infinita Justiça e da misericórdia infinita; tudo demonstrou: a sua divindade, a santidade e excelência da sua missão, a verdade da fé e do Evangelho, sua obra por ele consumada.
  Por isso, antes de voltar ao Céu, durante quarenta dias manifestou-se várias vezes como Homem-Deus a seus discípulos, ora separados, ora reunidos em número de quinhentos; por isso, acabadas suas instruções aos Apóstolos, deu-lhes, e em sua pessoa aos seus sucessores pastores da Igreja, a missão de converter o mundo inteiro, o poder divino de perdoar os pecados, abrindo assim ou fechando o Céu, pelos merecimentos d'Aquele que por nós morreu.
  A festa da Páscoa, diz S. Gregório, é a solenidade das solenidades, que da terra nos ergue à eternidade feliz, cujas delícias nos faz antecipar pela fé, esperança e caridade.

Introito.

  Ressuscitei, e ainda estou contigo: Aleluia. Puseste sobe mim tua mão: Aleluia. Maravilhosa se tornou tua ciência: Aleluia. Aleluia. Ps. 138. Senhor, tu me provaste e me conheceste, tu sabes minha morte e minha ressurreição. V. Gloria, etc.

Oração.

  Ó Deus, que no dia presente, triunfando teu Unigênito da morte, nos abriste a entrada da eternidade: aumenta com teu auxílio os desejos, que tua inspiração nos instila. Pelo mesmo, etc.

Epístola. (I Cor., c. V.)

  "7.Purificai-vos do velho fermento, para que sejais massa nova, porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, nossa Páscoa, foi imolado. 8.Celebremos, pois, a festa, não com o fermento velho nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os pães não fermentados de pureza e de verdade." 

  Aparelhemo-nos ao celeste banquete com vida pura, inocente, de todo diversa da que levamos antes de regenerados.
  Com escrupuloso cuidado expurgavam os Judeus suas casas de todo levedo e de quanto fosse levedado.
  O levedo ou fermento, diz aqui sábio intérprete, é o pecado, e tudo que contamina a nossa alma. 
  - Os Judeus tinham por impura qualquer porção de massa, no septenário pascal, logo que nela entrasse alguma parte de levedo. Daí o prolóquio a dizer que, para degenerarem as mais santas companhias e perderem logo o bom nome, basta nelas tolerar algumas pessoas de maus costumes e vida depravada.
  - Epulemur, façamos festa, que festa continua deve ser a via do servo de Deus, honesta e pura; mais extremada porém deve ser a alvura do nosso vestido nupcial, mais apurada a limpeza da nossa consciência, quando chegamos à mesa sagrada do banquete pascal.

Gradual.

  Este é o dia que o Senhor fez: gozemo-nos, e alegremo-nos nele. V. Louve ao Senhor, porque é bom: porque sua benignidade é para sempre. Aleluia: Aleluia. V. 1. Cor. c. 5 Cristo, nossa Páscoa, foi por nós sacrificado.

Sequencia.

  À vítima Pascal tributem os cristão louvores: por quanto o Cordeiro remiu as ovelhas: e Cristo inocente com o Pai reconciliou os pecadores.
  Com a morte a Vida se bateu duelo estupendo: vivo reina, depois de morto, o Autor da vida.
  Dize-nos, Maria, que viste lá no caminho? De Cristo vivo, e ressuscitado, vi o sepulcro, e a glória. Vi presentes os Anjos, o sudário, e as vestes.
  Ressuscitou Cristo, esperança minha, que diante de vós irá para Galileia. 
 Sabemos que verdadeiramente Cristo ressuscitou dos mortos. Tu, ó Rei vencedor, tem de nós piedade. Amém. Aleluia.

Evangelho (Marc., c. XVI).

  NAQUELE tempo: "1.Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungir Jesus. 2.E no primeiro dia da semana, foram muito cedo ao sepulcro, mal o sol havia despontado. 3.E diziam entre si: Quem nos há de remover a pedra da entrada do sepulcro? 4.Levantando os olhos, elas viram removida a pedra, que era muito grande. 5.Entrando no sepulcro, viram, sentado do lado direito, um jovem, vestido de roupas brancas, e assustaram-se. 6.Ele lhes falou: Não tenhais medo. Buscais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou, já não está aqui. Eis o lugar onde o depositaram. 7.Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galiléia. Lá o vereis como vos disse." São Marcos, 16 - Bíblia Católica Online - Leia mais em: https://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/sao-marcos/16/

  Madrugaram as Marias, e mui de manhã chegaram ao sepulcro, e diziam: Quem nos revolverá a pedra da porta do sepulcro? que era esta mui grande e a custo moveriam várias pessoas. 
  Menor fora menos e menos ardente o amor das santas mulheres ao divino Mestre seu e noss, esmoreceriam com essa dificuldade; nada porém é impossível para quem ama deveras ao Senhor; sabe que são infinitos os recursos da sua Providência, e com eles acode a nossa confiança. À alma covarde e tíbia basta qualquer dificuldade para detê-la no caminho da virtude; a todas vence a alma fervorosa, com a graça do Onipotente, que aplaina os obstáculos diante dos que os afrontam destemidamente.



Ofertório.

  A TERRA tremeu, e se aquietou, quando Deus se levantou a juízo. Aleluia.

Secreta.

  RECEBE, Senhor, as preces do teu povo com a oblação deste sacrifício: para que os mistérios pascais agora começados, por tua virtude, nos sirvam de remédio para a eternidade. Por, etc.

Comunhão.

  CRISTO, nossa Páscoa, foi por nós sacrificado: Aleluia. Façamos pois festa em asmos de verdade, e de sinceridade. Aleluia. Aleluia. Aleluia.

Pós Comunhão.

  DERRAMA, Senhor, sobre nós o Espírito de tua caridade: para que por tua piedade faças concordes os que saciaste com os Sacramentos Pascais. Por, etc. em unidade do mesmo Deus Espírito Santo, etc.
  Ressuscitou, já não está aqui.Oxalá digam os Anjos a quem me procurar entre os pecadores, depois desta gloriosa festa da Páscoa: Já não está aqui, ressuscitou!
__________
Goffiné (1912)

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Palavras de Santo Agostinho

"A oração é uma chave do céu; sobem as preces, desce a divina misericórdia. Por mais baixa que seja a Terra, e alto o Céu, Deus ouve a língua do homem, quando este tem limpa a consciência."