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segunda-feira, 20 de março de 2017

Padre Reus - padres santos

Salve Maria!
Que a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com todos.

Hoje senti inspiração para falar sobre sacerdotes santos, canonizados ou não. Vou iniciar uma série de posts, em ordem aleatória mesmo, para falar sobre esses seres que são instrumentos de Deus para nos santificar e nos levar para mais perto do Sumo Bem.

De repente me vi pesquisando sobre devocionários para comprar (e aumentar a minha pequena e em estágio embrionário coleção). Lembrei do devocionário escrito muito devotamente pelo santo Padre João Batista Reus, alemão que veio fazer missão no Brasil. Graças a Deus!

Copiei uma pequena biografia do padre, mas é claro que sua vida foi muita mais rica do que o que contém nesse texto. 

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Padre João Batista Reus, com seu hábito jesuíta

Padre João Batista Reus nasceu em 10 de julho de 1868, em Pottenstein, na Alemanha. Seus pais, João e Ana Margarida Reus, lhe deram primorosa educação religiosa. No dia 30 de julho de 1893 foi ordenado sacerdote na Catedral de Bamberg, celebrando a primeira missa na festa de Santo Inácio.

Ingresso na Companhia de Jesus

Ingressou na Companhia de Jesus em 16 de outubro de 1894, na cidade de Blijenbeek, na Holanda. Pe. Reus realizou a Terceira Provação em Wijnandsrade, na Holanda, de setembro de 1899 a julho de 1900. Ao término de sua formação, foi destinado para a Missão Brasileira.

Já no Brasil, foi pároco nas cidades de Rio Grande, Porto Alegre e São Leopoldo, onde era conhecido por sua piedade e devoção. Por muitos anos, foi professor de teologia e orientador espiritual no Colégio Cristo Rei, em São Leopoldo.

Durante sua vida, escreveu diversos livros religiosos em português, espanhol, alemão e italiano. Seu Diário Espiritual e Autobiografia revelam uma alma singular e mística. Somente depois de 50 anos de sacerdócio, e a muito custo, aceitou celebrar missa para toda a comunidade, pois, até então, a celebrava apenas em capela reservada.

Falecimento e beatificação

Por conta dos milagres que lhe são conferidos, ao falecer, em 21 de julho de 1947, já contava com fama de santidade.
O processo de beatificação de Pe. Reus teve início em 1958 e ainda continua em tramitação.

O túmulo de Pe. Reus, junto ao Santuário do Sagrado Coração de Jesus, é um dos principais pontos turísticos de São Leopoldo.
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Fonte:http://www.asav.org.br/sobre-padre-reus/

sábado, 4 de março de 2017

São Casimiro, Rei

São Casimiro por Carlo Dolci

Vivendo numa sociedade já voltada para os prazeres desenfreados, soube visar a glória de Deus, antes de tudo, permanecendo íntegro de corpo e alma, firme na Fé e zeloso pelo bem de seus súditos.

Em sua sabedoria divina, a Santa Igreja sempre tem palavras adequadas para elevar o coração e a mente dos fiéis em todas as suas comemorações ou festas. E ao recorrer à intercessão de São Casimiro, no dia de sua memória – 4 de março -, ela começa por pedir: “Ó Deus todo-poderoso, a quem servir é reinar…”. 1

De fato, quem deposita a confiança em Deus e entrega toda a sua existência ao serviço d’Ele, quer abraçando o estado religioso quer o estado leigo, como São Casimiro, recebe o cêntuplo ainda nesta Terra, e mais ainda no Céu. A este jovem não faltaram grandes qualidades, tampouco territórios para governar, e ele soube eleger para sua vida um caminho que lhe legasse o Reino eterno. Sem dar largas à cobiça, tão comum aos monarcas de sua época, manteve-se íntegro na fidelidade ao seu nobre ideal: ser um príncipe santo.

Nascido no esplendor de uma corte

Casimiro nasceu a 3 de outubro de 1458, no castelo de Wawel, em Cracóvia. Seu pai, Casimiro IV, era rei da Polônia e grão-duque da Lituânia, cabendo-lhe governar como tal um extenso território que se estendia pelo leste quase até Moscou e pelo sul até o Mar Negro. Sua mãe era a arquiduquesa Isabel, filha de Alberto II de Habsburgo, rei dos romanos e soberano da Áustria, Hungria e Boêmia.

Nosso Santo foi o terceiro de 13 filhos, e diz-se que sua progenitora “já no berço ninava para eles os tronos europeus”. 2 Tanto ele quanto seus irmãos receberam excelente formação, pois, como Isabel via em cada filho um futuro monarca, e em cada filha uma rainha, não poupou esforços na instrução das crianças. Embora sendo piedosa, educava- os tendo em vista a corte e a vida diplomática, e não a santidade, julgando de forma errada – como muitos fazem, infelizmente, também hoje – que a procura da perfeição está reservada apenas àqueles que se retiram do mundo para levar uma vida religiosa. Casimiro, pelo contrário, desde tenra idade entendeu que devia ser santo, sem deixar de ser príncipe e isso significava “ser fiel aos desígnios de Deus, mesmo ‘cercado de luxo da corte real e das atrações mundanas'”,3 como diz a oração da Missa de sua festa, na Lituânia.

A corte de Cracóvia era tão luxuosa e requintada como as demais daquela quadra histórica. À mesa serviam-se ricas iguarias e os banquetes prolongavam-se por longas horas. Compenetrado dos deveres inerentes à sua condição de príncipe, São Casimiro não se recusava a participar da vida social. Mostrava-se amável e alegre nas festas, mas delas se retirava tão logo podia. Não desprezava as finas vestimentas principescas, contudo, por espírito de pobreza, usava uma túnica interior de tecido comum. Sabia-se que seus ricos trajes ocultavam um cilício e que ele fazia muitas outras mortificações. Sempre discreto nessas práticas religiosas e penitências, chegou a ser chamado de “a encarnação de silenciosa devoção”.4

Adolescente puro, paciente e magnânimo

S. Casimiro por Daniel Schultz
Dentro da vida palaciana era notável sua extrema generosidade para com os pobres, viúvas, peregrinos, prisioneiros ou anciãos, pois, não se contentando em dar do que era seu, doava até seu próprio tempo em benefício alheio.

Se era magnânimo nas obras de caridade corporais, muito mais o era nas espirituais, admoestando com sabedoria, bondade e paciência os que o circundavam – até mesmo seu pai -, sempre que via algo contundir a verdade ou estar privado da maior perfeição possível. Sabia também perdoar as ofensas que lhe eram feitas, rezar por seus mais próximos e por seus súditos, os quais desejava ver no caminho do bem e ardorosos na Fé.

Seus biógrafos destacam sua exímia pureza, a qual reluzia a ponto de um de seus mestres, Bonaccorsi, chamá-lo de “divus adolescens – jovem divinizado”.5 Praticar com perfeição esta virtude, no corpo e na alma, era a meta de sua vida. Por isso nunca entregou seu coração a qualquer afeto deste mundo e se manteve sempre vigilante para que nada lhe manchasse.

Amor pela oração e pela liturgia

De onde lhe vinham tantas virtudes? De Jesus Crucificado, de quem meditava amiúde a Paixão, e da Santíssima Virgem, a quem dedicava toda a sua vida.

Estando em Cracóvia ou em Vilnius, capital do grão-ducado da Lituânia, viam-no repetidas vezes percorrendo as estações da Via-Sacra, devoção surgida naqueles anos e que tocou profundamente a sua alma. Estas meditações o levavam a amar a cruz e o sacrifício, e a desejar dar a vida por Aquele que quis ser escarnecido e Se deixou crucificar por amor à humanidade. As cerimônias litúrgicas o entusiasmavam e nunca perdia o ensejo de assistir a uma Missa. Nessas ocasiões, ficavam patentes aos olhos dos circunstantes sua piedade e seu ardente amor ao Santíssimo Sacramento.

Quando no Paço Real ninguém sabia onde ele estava, o encontravam em alguma igreja, absorto em oração. Tanto na Polônia quanto na Lituânia, gostava de visitá-las e não titubeava em rezar junto às suas portas, caso as encontrasse fechadas.

Era comum vê-lo, nas mais diversas oportunidades, ajoelhado aos pés de Nossa Senhora, a rezar. Contam que recitava a cada dia o hino “Omni die dic Mariæ meæ laudes anima – Que a cada dia minha alma cante louvores a Maria”,6 divulgando-o entre seus súditos. Atraía-o, sobretudo, a esplêndida pureza da Mãe de Deus. Pedia a Ela o dom da sabedoria e a virtude da justiça para saber governar, bem como o espírito de vigilância, a fim de nunca sucumbir como Salomão (cf. I Rs 11, 1-6).

Dois anos como regente da Polônia

No ano de 1481, o rei Casimiro IV, seu pai, precisou transferir sua residência para a Lituânia, deixando- o como regente em Cracóvia.

Por dois anos governou São Casimiro a Polônia, durante os quais não deixou de atender a nenhum dos seus súditos, seja qual fosse a classe social à qual pertenciam. Tanto clérigos quanto nobres ou plebeus sentiam-se bem acolhidos em suas demandas e aplicou-se com tanto bom senso à administração, que conseguiu em pouco tempo estabilizar o tesouro real, cortando os gastos inúteis e afastando dele os aproveitadores. Com isso, livrou de hipotecas muitas propriedades reais.

Jovem de ânimo resoluto e temperante, fazia grandes esforços para manter entre seus vassalos a boa conduta nos negócios do Estado. Para ele a glória de Deus envolvia tudo: desde um simples cálculo algébrico às grandes decisões nas quais estavam em xeque os mais importantes interesses da nação. Apesar da constância e firmeza nos interesses do reino, não deixava de ouvir os que o rodeavam, como atesta uma de suas cartas, de 1º de fevereiro de 1481, destinada aos nobres dirigentes da cidade de Braslava: “Eu gostaria muito – não só porque é de justiça, que prezo muito e procuro respeitar – de deixá-los satisfeitos, o que de modo especial almejo”.7 E sendo a Polônia um país católico, São Casimiro, enquanto príncipe regente, não pôde deixar de procurar estreitar com afinco as relações com Roma, um tanto negligenciadas por seu pai.

Últimos meses de vida

Sarcófago de prata com o corpo de
S. Casimiro
O peso das responsabilidades e os intensos trabalhos desses anos à frente do governo polonês acabaram por extenuar o santo príncipe. Somavam-se a isso as contínuas mortificações que fazia, como tivemos a oportunidade de contemplar. Retirou-se com a família, então, para a Lituânia, na primavera de 1483, a fim de recobrar um pouco as energias.

Ali, como acontecera na Polônia, os anais de sua história registram um especial desvelo para com os mais necessitados, e eram os conventos e as igrejas, de modo especial, o objeto de sua prodigalidade. Não se sentia bem se não visse o Rei dos reis e Senhor dos senhores, Jesus Sacramentado, honrado e servido através de um digno templo e de ricos objetos litúrgicos.

Os últimos seis meses de sua vida, ele os passou entre Vilnius e Trakai, auxiliando o pai na chancelaria do Estado lituano e promovendo a Fé entre o povo. Estando, entretanto, com a saúde comprometida e o organismo extremamente debilitado, foi atacado por uma violenta tuberculose, que consumiu suas últimas forças. Tinha 25 anos de idade e havia guardado intacta sua pureza virginal, mas sua mãe ainda alimentava as esperanças de vê-lo casado com a filha do imperador Frederico III, sem compreender serem outros os desígnios divinos para este varão eleito.

“Mais admirável ainda no Céu”

No dia 4 de março de 1484, ele entregou a alma a Deus. Seu corpo foi sepultado no jazigo da família real, na catedral de Vilnius. E apesar da umidade do local, estava inteiro e incorrupto quando foi exumado, 120 anos depois, em 1604. Segundo o relato das testemunhas, dele exalava um agradável odor. Intactas estavam também suas vestes. Sobre seu peito repousava uma cópia do hino mariano que rezava diariamente: “Omni die dic Mariæ”. Belo símbolo de uma santa vida, na qual cada dia foi um hino de louvor à Mãe de Deus!Quem se entrega sem reservas a Deus neste vale de lágrimas, quando chega à glória da visão beatífica não abandona aqueles que na Terra ficaram privados de sua presença. Pelo contrário, muitas vezes realizam por estes mais do que puderam fazer durante a sua peregrinação terrena. Tal é o “ministério” próprio dos Santos. Conhecido como amável, caridoso e amigo dos pobres, para os lituanos e poloneses São Casimiro é, sobretudo, o protetor de sua Pátria.

Em momentos nos quais a Lituânia passou por difíceis períodos enquanto nação, o jovem e santo príncipe nunca deixou de prestar socorro a seus compatriotas. E a devoção a ele foi um poderoso instrumento nas mãos dos jesuítas, para preservar a Religião Católica no país diante da propaganda protestante. Atraídos por sua nobreza de caráter e pela força de sua fé, os filhos de Santo Inácio exortavam os lituanos a permanecerem fiéis aos ensinamentos da Igreja, tal como São Casimiro. A partir de então, igrejas foram construídas em sua honra, surgiram confrarias colocadas sob sua proteção, milhares de recém- nascidos receberam o seu nome, propagando-se a devoção ao Santo não só em terras lituânias e polonesas, mas, posteriormente, em todo o mundo. Até nos sinos dos campanários eram gravados louvores ao jovem príncipe, como para fazer ecoar as belezas de sua santidade. “Casimire, terris mire, coelis mirabilior – Casimiro, admirável na Terra, mais admirável ainda no Céu”,8 lê-se no sino da igreja de Kraziai.

O exemplo de sua vida marcou profundamente seus contemporâneos, e foi de Vilnius que partiu o pedido de sua canonização. Em 1521, Leão X o elevou às honras dos altares, tendo antes comprovado ter sido sua vida um contínuo testemunho da presença de Deus entre os homens. Urbano VIII a ele confiou a proteção da Lituânia; e a heroicidade de sua pureza e perseverança no bom caminho fez com que Pio XII, em 1948, o proclamasse “Patrono da juventude lituana, na pátria e no exterior”. A São Casimiro, que não chegou a ser coroado na Terra como rei, porque faleceu com pouca idade, foi dada a coroa da glória nos Céus.

Omni Die Dic Mariae


__________
1 MEMÓRIA DE SÃO CASIMIRO. Oração do Ofício das Leituras. In: COMISSÃO EPISCOPAL DE TEXTOS LITÚRGICOS. Liturgia das Horas. Petrópolis: Vozes; Paulinas; Paulus; Ave Maria; 2000, v.III, p.1285.
2 GAVENAS, Pranas. São Casimiro. O primeiro santo jovem leigo da era moderna. São Paulo: Salesiana D. Bosco, 1984, p.19.
3 Idem, p.28.
4 HÜMMELER, H. Helden und heilige, apud GAVENAS, op. cit., p.41
5 SANCHEZ ALISEDA, Casimiro. San Casimiro. In: ECHEVERRÍA, Lamberto de; LLORCA, Bernardino; REPETTO BETES, José Luis (Org.). Año Cristiano. Madrid: BAC, 2003, v.III, p.73.
6 COMISSÃO DE ESTUDOS DE CANTO GREGORIANO DOS ARAUTOS DO EVANGELHO. Liber Cantualis. São Paulo: Salesiana, 2011, p.167.
7 GAVENAS, op. cit., p.35.
8 Idem, p.64.

Revista Arautos do Evangelho, Março/2014, n. 147, p. 30 à 33.
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A Tradição é linda.

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Palavras de Santo Agostinho

"A oração é uma chave do céu; sobem as preces, desce a divina misericórdia. Por mais baixa que seja a Terra, e alto o Céu, Deus ouve a língua do homem, quando este tem limpa a consciência."