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segunda-feira, 18 de julho de 2016

São Camilo de Lellis, Patrono dos Hospitais e dos Enfermos

Em Bucchianico, nos Abruzzos, em Nápolis, no ano de 1550, um tão esperado herdeiro nascera na casa do Marquês de Armas. Sua mãe, já com idade avançada, não resiste ao difícil trabalho de parto e morre, horas depois do nascimento do belo menino, que no batismo recebe o nome de Camilo, em homenagem à sua heróica mãe, D. Camila.

Com a idade de 6 anos perde seu pai, homem de temperamento forte e que vivia mais nos acampamentos e campos de batalha do que lar. Foi de seu pai que herdou o desejo de seguir a carreira militar.

Órfão de pai e mãe, com a idade de 12 anos, já se tornara exímio jogador de cartas, e nas mesas de jogo foi perdendo o que herdara.

Quando atingiu a idade de 19 anos, alistou-se no exército e com a espada, herdada de seu pai, lutou contra os Turcos. Gravemente doente foi para Roma. E lá foi internado no hospital dos incuráveis. Durante as batalhas ficou ferido na perna e este ferimento tornou-se uma chaga que marcaria sua vida para sempre.

Sua paixão pelo jogo fez com que o expulsassem do hospital. Na rua, doente e pobre, procurou serviço como servente de pedreiro e trabalhou, em seguida, na construção de uma casa dos freis Capuchinhos.

Deus nunca abandona os Seus escolhidos, pois Ele ama o pecador e abomina o pecado. Certo dia, em conversa com o frei guardião dos Capuchinhos, foi tocado pela Graça e de repente percebeu o quanto estava obstinado em seus vícios e erros. Arrependido, entrou para o noviciado dos capuchinhos e tornou-se um homem novo.

A chaga misteriosa de sua perna era sempre um empecilho para os trabalhos missionários dos Capuchinhos. Por não conseguir corresponder às exigências da ordem, decide deixá-la e passa a trabalhar como administrador do Hospital São Tiago, em Roma.

Com os doentes e enfermos era só dedicação e amor. Para todos dispensava um terno olhar e sempre palavras de estímulo e ânimo.

Percebendo que os enfermeiros, que eram mal remunerados, não dedicavam as devidas atenções aos enfermos; e em muitas ocasiões humilhavam e maltratavam os doentes, Camilo começou a ocupar-se com o problema e, além de melhorar os salários dos enfermeiros, pensou em chamar voluntários que, como ele, servissem os doentes e enfermos somente por amor a Deus!

Aconselhado por São Felipe Nery, organizou uma irmandade religiosa, cujos membros se obrigavam a tratar dos doentes sem buscar outra recompensa senão a Graça de Deus.

Os primeiros irmãos eram leigos, aos quais, mais tarde, se associaram alguns sacerdotes. Adquiriram uma casa onde moravam em comunidade.

Com o passar do tempo e com os novos desafios, Camilo teve necessidade de abrir outras casas por toda a Itália e em outros países da Europa.

Camilo de Lelis, por um tempo deixou os estudos, porém, seguindo o conselho de São Felipe de Nery, voltou a estudar e recebeu o sacramento da ordem com quase 40 anos de idade. Assim sendo, poderia cuidar da saúde corporal e espiritual de seus doentes.

Todo e qualquer serviço, por mais custoso e repugnante que parecesse, era realizado com grande amor pelo Pe. Camilo e seus fiéis seguidores.

A caridade chegou-lhe ao extremo por ocasião da peste em Roma. Pe. Camilo estava muito doente e sofria com terríveis dores nos pés. Incansavelmente percorria casa por casa levando consolo e socorrendo os pobres e doentes. Levava os doentes nas costas até os hospitais, passo a passo como um novo Cireneu, ajudando os irmãos a carregarem o fardo das enfermidades.

O bom Deus concebeu incontáveis dons ao nosso Santo, dons sobrenaturais utilizados para salvar muitas almas. Os doentes recuperavam a saúde ao ouvir as palavras e orações do Pe. Camilo, e aqueles, cuja doença era de ordem espiritual, sentiam o toque da Graça e experimentavam a Misericórdia de Deus através do Sacramento da Confissão.

Por sua grande humildade, Pe. Camilo era muito amado em toda a cidade de Roma, era caridoso com todos e severo consigo mesmo. Sofria muitas dores, porém nunca se ouviu de sua boca queixas ou gemidos. Sempre achava suas dores e sofrimentos insignificantes diante do Cristo crucificado e dos irmãos enfermos.

Nunca aceitou que o chamassem de fundador de uma ordem, e após 27 anos, no cargo de superior, pediu que lhe tirassem o fardo de mando e lhe dessem o da obediência.

Pe. Camilo era uma figura de presença imponente, seu porte era o de um gigante da caridade, com mais de 1,90 de altura.

Durante 40 anos, aquela chaga na perna o consumia, porém de nada se queixava. No final de sua vida andava de gatinho para visitar os doentes (Meu Deus! como nós somos comodistas).

Pe. Camilo sente suas forças esgotarem-se, e, desenganado pelos médicos, recebeu o Santo Viático das mãos do Cardeal Ginnásio, amigo e protetor da ordem.

Ao contemplar com os olhos cheios de lágrimas a hóstia santa, o Cristo vivo, disse:
“Alegro-me por me terem dito que entraremos na casa do Senhor. Reconheço, Senhor , que sou dos pecadores o maior e indigno de receber Vossa graça; salvai-me segundo Vossa Misericórdia. Ponho a minha confiança nos merecimentos do Vosso Preciosíssimo Sangue. Amém”.

Ao terminar um tão belo e caloroso ato de amor ao Jesus Eucarístico, comunga e todo transformando pela graça, vai entregando sua existência às mãos do Senhor da vida e da história.

Era o dia 14 de julho de 1614, conforme havia predito, estava com 64 anos de idade. Foi beatificado pelo Papa Bento XIV em 1742 e canonizado em 1746 pelo mesmo Papa.
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Fonte: aqui.

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