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domingo, 31 de julho de 2016

Santo Inácio de Loyola, Confessor

Inácio de Loyola ou Loiola, nascido Íñigo López, foi o fundador da Companhia de Jesus, uma ordem religiosa católica romana que teve grande importância na Reforma Católica, cujos membros são conhecidos como os jesuítas. Em 2009, a Companhia de Jesus era a ordem religiosa masculina mais numerosa na Igreja Católica.

Nascido em
31 de maio de 1491, recebeu o nome de Íñigo López na localidade de Loiola (em castelhano Loyola), no atual município de Azpeitia, a cerca de vinte quilômetros a sudoeste de São Sebastião no País Basco.

Biografia

Inácio foi o mais novo de treze irmãos e irmãs. Sua mãe faleceu em seus primeiros anos de vida e seu pai faleceu quando tinha 16 anos de idade. Em
1506, tornou-se pajem de um familiar, Juan Velázquez de Cuellar, ministro do Tesouro Real (contador mayor) do reino de Castela durante o reinado de Fernando de Aragão. Iñigo viveu em Arévalo, na casa de seu protetor de 1506 a 1517. Como cortesão, levou vida leviana.

Com a morte de D. Fernando, Velásquez de Cuellar teve seus bens apropriados pela rainha D.
Germana de Foix. Cuellar faleceu em 1516 e Inácio colocou-se a serviço do vice-rei de Navarra, António Manrique de Lara, Duque de Nájera. Segundo Villoslada "Iñigo de Loyola nunca foi capitão, nem soldado, nem oficial do exército. Era familiar do duque e seu gentil-homem". Gravemente ferido na batalha de Pamplona (20 de Maio de 1521), passou meses inválido, no castelo de seu pai. Durante o longo período de recuperação, Inácio procura ler livros para passar o tempo, e começa a ler a "Vita Christi", de Rodolfo da Saxônia, e a Legenda Áurea, sobre a vida dos santos, de Jacopo de Varazze, monge cisterciense que comparava o serviço de Deus com uma ordem cavalheiresca.

Vida Religiosa

A partir destas leituras, tornou-se empolgado com a ideia de uma vida dedicada a Deus, emulando os feitos heroicos de
Francisco de Assis e outros líderes religiosos. Decidiu devotar a sua vida à conversão dos infiéis na Terra Santa.

Durante esse período, Inácio desenvolveu os primeiros planos dos «
Exercícios Espirituais» que iriam adquirir uma grande influência na mudança dos métodos de evangelização da Igreja; "o moinho para onde todos os jesuítas são atirados; eles emergem com caracteres e talentos diversos, mas as marcas impressas permanecerão indeléveis" (Cretineau-Joly).

Após ter recuperado a saúde, decidiu deixar a casa paterna em segredo e dedicar-se ao serviço da "Divina Majestade". Dirigiu-se ao
Mosteiro de Montserrat, onde confessou-se durante três dias. Em 24 de Março de 1522, pendurou seu equipamento militar perante uma imagem da Virgem, despiu-se de suas roupas vistosas, doou-as a um mendigo e passou a vestir-se com um tecido de saco. Em breve entrou no mosteiro de Manresa (apenas morou em um quarto do mosteiro como hóspede, mas não era monge), na Catalunha. Assumiu então um estilo de vida mendicante, impondo-se rigorosas penitências à imitação dos santos. Vivia de esmolas, privava-se de carne e vinho, frequentava a missa diária e rezava a Liturgia das Horas. Costumava visitar o hospital e levar comida para os doentes.

Em Manresa, teve diversas experiências espirituais e visões e também passou por diversas provações internas: o desânimo, a aflição e a noite escura da alma. Passadas estas provações, teve o ânimo renovado diante de novas experiências espirituais. Conforme narrado em sua autobiografia: "Estas visões o confirmaram então e lhe deram tanta segurança sempre da fé, que muitas vezes pensou consigo: se não houvesse Escritura que nos ensinasse estas verdades de fé, ele se determinaria a morrer por elas, só pelo que vira".
Também em Manresa, às margens do Rio Cardoner, fez uma experiência mística, conforme narrou mais tarde ao Pe. Luís Gonçalves da Câmara: "Estando ali assentado, começaram a abrir-se-lhe os olhos do entendimento … Em todo o decurso de sua vida, até os 62 anos de sua idade, não lhe parece ter alcançado tanto quanto daquela vez". A Virgem tornou-se objeto duma devoção cavalheiresca. Imagens militares tomaram grande relevo em sua contemplação religiosa.

A vivência interior deste período deu-lhe a matéria para escrever os Exercícios Espirituais.

A viagem a Jerusalém

Em
1523, Inácio parte para Barcelona, decidido a ir para Jerusalém. Conseguiu uma passagem gratuita e as provisões vieram através da esmola. De Barcelona partiu para Roma, para obter o passaporte pontifício. De lá, segue para Veneza, onde embarca ao seu destino. Em Jerusalém, foi recebido pelos franciscanos. Na Terra Santa, visitou os lugares sagrados do cristianismo e decidiu permanecer vivendo ali. Entretanto, os franciscanos não permitiram e ele embarcou de volta a Veneza, onde chegou em janeiro de 1524. Seguiu para Barcelona. Diante dos planos frustrados de viver em Jerusalém, novos ideais surgiram: ajudar as almas. Para isto, decidiu estudar.

Em Barcelona

Em Barcelona, viveu na casa de Inez Pascual, que conhecera quando esteve da primeira vez na Catalunha. Ali dedicou-se ao estudo do latim e dedicava-se à ajuda espiritual. Conquistou a estima de muitos e também sofreu maus tratos pela sua condição mendicante. Ajudou a
Reforma do Mosteiro de Nossa Senhora dos Anjos, fazendo com que as monjas vivessem na clausura. Diversos cavaleiros e damas importantes vinham ouvi-lo.

A partir daí, Inácio pensa em reunir um grupo de pessoas para dedicar-se a reformar suas vidas e à Igreja. Reuniu três companheiros, que não prosseguiram neste projeto.

Após o domínio do latim, seu mestre o aconselhou a procurar a
Universidade de Alcalá para prosseguir seus estudos.

Em Alcalá, a Inquisição

Entrou na Universidade de Alcalá e recebeu abrigo no hospital Antezana sob os auspícios de Julián Martínez. Os três primeiros companheiros o seguiram. Aí permaneceu um ano e meio. Além dos estudos, dedicava-se à pregação e a dar os Exercícios Espirituais. Ganhou suspeita da
Inquisição, que o denunciou ao vigário de Toledo. Era época de perseguição aos alumbrados, o que levantou as suspeitas sobre Inácio. Inicialmente foi obrigado a usar vestes comuns. Depois foi preso, durante um mês e meio. Na prisão, continuava a ensinar e pregar. Por fim, nenhum mal foi encontrado em seus ensinamentos, mas foi-lhe obrigado vestir-se comumente e proibida a pregação.

Diante disto, Inácio e seus companheiros foram até o
arcebispo de Toledo relatar o ocorrido. O arcebispo manteve a decisão do vigário, mas abriu-lhe as portas da Universidade de Salamanca.

Em Salamanca, novamente a Inquisição

Vivendo em Salamanca, sua pregação ganhou fama. Um dia, foi confessar-se em um convento dominicano. O confessor ficou intrigado de como Inácio falava de Deus sem ter estudado teologia. Isto despertou as suspeitas dos dominicanos, que decidiram interrogá-lo e denunciá-lo. Novamente o peregrino foi preso. O vigário do bispo e professor da universidade foi visitá-lo e Inácio entregou-lhe o livrinho dos Exercícios Espirituais para exame. Após este exame por parte de doutores, nada encontraram que o condenasse. Inácio e seus companheiros foram libertados, mas proibidos de pregar até concluir quatro anos de estudos. Diante disto, ele decide seguir sozinho para estudar em Paris. Em 1528, partiu.

Estudos em Paris

Em
1528 entrou para a Universidade de Paris, no Colégio de Santa Bárbara, onde ficou sete anos e estendeu sua educação literária e teológica, tentando cativar o interesse dos outros estudantes para os seus exercícios espirituais. Em 1533, Inácio obtém a licença docente. Em 1534, tornou-se mestre em artes e tinha seis seguidores Pedro Fabro, o único sacerdote do grupo, Francisco Xavier, Alfonso Salmeron, Diego Laynez e Nicolau Bobedilla, espanhóis, e Simão Rodrigues, português.

Os planos do grupo eram seguir para Jerusalém em
1537.

Fundação da Companhia de Jesus

Em
15 de Agosto de 1534 ele e os outros seis fundaram a Companhia de Jesus na capela cripta de Saint-Denis, na Igreja de Santa Maria, em Montmartre, "para efetuar trabalho missionário e de apoio hospitalar em Jerusalém, ou para ir aonde o papa quiser, sem questionar". Em 1537 eles viajaram até Itália para procurar a aprovação papal a sua viagem à Terra Santa. O papa Paulo III concedeu-lhes a aprovação e permitiu que fossem ordenados padres. Foram ordenados em Veneza pelo bispo de Arbe (24 de Junho).

Inicialmente, dedicaram-se a pregar e a efetuar obras de caridade na Itália. A guerra reatada entre o imperador, Veneza, o papa e os
turcos otomanos, tornava qualquer viagem até Jerusalém pouco aconselhável.

Os companheiros decidiram esperar um ano na esperança de conseguirem chegar ao destino almejado. Neste período, iam dois a dois pelas terras venezianas a visitar prisões e hospitais, catequizar crianças, realizar obras de caridade.

Na companhia de Fabro e Lainez, Inácio viajou até Roma em Outubro de 1538, para colocar-se à disposição do papa. No caminho, Inácio detém-se em oração em uma capela próxima a Roma, la Storta. Neste local, relata ter feito uma experiência profunda, que marcou decisivamente o futuro do grupo: viver em Roma.

Novas Suspeitas

Os companheiros estabeleceram-se então em Roma, onde pregavam em igrejas e praças e pediam esmolas nas ruas. Novas suspeitas foram levantadas sobre o grupo. Acusavam Inácio de fugitivo da Inquisição espanhola. O peregrino dirigiu-se então ao papa, solicitando que se abrisse um novo processo. Novamente sua obra foi examinada e nada foi encontrado que o condenasse.

A nova Ordem

O
Papa Paulo III, diante de um mundo em expansão, necessitava de missionários para terras longínquas, como as Américas e o Oriente. Contava com os jesuítas para esta tarefa. Além disto, novos companheiros queriam aderir ao grupo. Diante disto, verificou-se a necessidade de organizar a nova Ordem, por meio de uma regra de vida. Apresentada ao papa, veio a aprovação verbal em 3 de setembro de 1539. A congregação de cardinais, deu um parecer positivo à constituição apresentada, e em 27 de Setembro de 1540, o Papa Paulo III confirmou a ordem através da Bula "Regimini militantis Ecclesiae", que integra a "Fórmula do Instituto" onde está contida a legislação substancial da nova Ordem. O número dos seus membros foi no entanto limitado a 60. Esta limitação foi porém posteriormente abolida pela bula Injunctum nobis de 14 de Março de 1543.

Superior Geral Jesuíta

Em Roma, seu apostolado respondia às necessidades que eram impostas pela realidade vivida. Dedicava-se à catequese de crianças, fundou a Casa de Santa Marta, para acolher prostitutas e outra instituição para acolher donzelas pobres, dava assistência aos órfãos e trabalhava pela conversão dos judeus de Roma.

Em
1551 criou o Colégio Romano, que viria a ser a atual Pontifícia Universidade Gregoriana, de ensino gratuito, que, adotando o sistema parisiense, renovou o ensino na Itália. Com o advento do Papa Paulo IV, desfavorável a Inácio, a obra passou por dificuldades financeiras. Em prol do sustento do colégio, a própria ordem teve que passar por muitas privações econômicas, até que fosse mantida pelo Papa Gregório XIII, 25 anos após a morte do fundador (daí o nome Universidade Gregoriana).

A Companhia nascente passou por diversas adversidades. Não possuía nenhuma fonte de renda fixa e era mantida por doações. Além disto, o novo estilo de vida da ordem despertava suspeitas a ponto de a Universidade de Paris decretá-la perigosa para a fé. Inácio manteve-se firme diante de todas estas adversidades e trabalhou intensamente nas Constituições do grupo.

Inácio escreveu as Constituições Jesuítas, adoptadas em
1554, que criaram uma organização hierarquicamente rígida, enfatizando a absoluta auto-abnegação e a obediência ao Papa e aos superiores hierárquicos (perinde ac cadaver, "disciplinado como um cadáver", nas palavras de Inácio). Seu grande princípio tornou-se o lema dos jesuítas: Ad Majorem Dei Gloriam (pela maior glória de Deus).

Também em
1548, foram impressos os Exercícios espirituais, objeto de inspecção pela Inquisição romana, tendo sido, no entanto, autorizados.

Entre 1553 e 1555, Inácio ditou sua experiência espiritual ao Pe. Gonçalves da Câmara, considerada pelo Pe. Nadal o seu testamento espiritual. Este texto originou a chamada Autobiografia, que, após a morte do peregrino, teve algumas cópias manuscritas e uma tradução para o latim. Entretanto,
Francisco de Borja, o terceiro provincial jesuíta, encarregou o Pe. Ribadeneira de escrever uma biografia oficial de Inácio e proibiu a leitura e divulgação do texto autobiográfico, por considerá-lo perigoso. Somente em 1929, este texto foi resgatado e publicado em várias línguas.

Morreu em
Roma em 31 de julho de 1556. Nesta data, os jesuítas eram aproximadamente 1000, espalhados em 110 casas e 13 províncias. Eram 35 colégios em funcionamento e mais cinco aprovados.

Basílica construída no local de nascimento de S. Inácio
Os jesuítas foram um grande fator do sucesso da Reforma Católica.

Em 2009, a Companhia de Jesus constituía-se na ordem religiosa masculina mais numerosa na Igreja Católica, com cerca de 18 500 membros, distribuídos por 127 países e cerca de 2 900 jesuítas em formação

Canonização

Foi
canonizado a 12 de Março de 1622 pelo Papa Gregório XV. Festeja-se seu dia em 31 de Julho.

Patrono dos Exercícios Espirituais

Em 1922, poucos meses após ser eleito papa,
Pio XI declarou e constituiu Santo Inácio de Loyola "celestial Patrono de todos os Exercícios Espirituais e, por conseguinte, de todos os institutos, associações e congregações de qualquer classe que ajudam e atendem aos que praticam Exercícios Espirituais".

Exercícios Espirituais no Vaticano

O Papa Pio XI publicou, por ocasião de seu jubileu sacerdotal, em 1929, a Encíclica "Mens nostra: Sobre os Exercícios Espirituais",
na qual comunicava aos fiéis a sua decisão de estabelecer anualmente um retiro baseado nos Exercícios Espirituais para o Papa e membros da Cúria Romana. Desde então, salvo algumas exceções, retiros inacianos são realizados todos os anos no Vaticano. Inicialmente ocorriam na primeira semana do Advento. Com o papa Paulo VI, os exercícios passaram a ser realizados na primeira semana da Quaresma [será por quê?].
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Fonte: aqui.

sábado, 30 de julho de 2016

São Leopoldo Mandic

No dia 30 de julho, no martirológio romano (o pós conciliar, porque infelizmente ainda não tenho o pré), consta-se 51 santos para esse dia. Resolvi falar de Leopoldo Mandic porque nunca tinha lido a fundo sobre a sua vida, mas sempre tive vontade de conhecer, principalmente por saber que foi um grande herói dos confessionários. E, além disso, era amigo de Padre Pio!

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Leopoldo Mandic foi capuchinho, humilde frade confessor, pioneiro do ecumenismo (o verdadeiro ecumenismo), e que rezava pela plena unidade da Igreja.

Leopoldo nasceu na Dalmácia, atual Croácia, em 12 de maio de 1866. Seus pais, católicos fervorosos, o batizaram com o nome de Bogdan, que significa “dádiva de Deus”. Mais novo de uma família numerosa, desde pequeno teve um constituição física débil, mas de caráter forte e determinado.

Naquela época, o ambiente social e religioso da região da Dalmácia era marcado por profundas divisões entre católicos e ortodoxos, que incomodava o espírito católico do pequeno Bogdan, que decidiu dedicar sua vida à reconciliação dos cristãos orientais com Roma.

Aos dezesseis anos, ingressou para a Ordem de São Francisco de Assis, em Udine, nordeste da Itália, recebendo o nome de Leopoldo. Foi ordenado sacerdote em Veneza, onde concluiu seus estudos em 1890. Sua intenção era ser missionário no Oriente e promover a unidade dos cristãos.

Com grande espírito de fé, submeteu-se à obediência de seus superiores. Iniciou, assim, o ministério do confessionário, que exerceu até a sua morte. No início, em diversos conventos do norte da Itália e, depois, em Pádua, onde se tornou “o gigante do confessionário”.

Leopoldo dedicava quase doze horas por dia ao ministério da Penitência, durante 33 anos. Não obstante ser acometido por artrite nas mãos e joelhos e câncer no esôfago, ofereceu toda a sua agonia alegremente a Deus. Para os penitentes, suas palavras eram uma fonte de perdão, luz e conforto, que os mantinham na fidelidade e amor a Cristo. Sua fama correu, e todos o solicitavam como confessor.

Frei Leopoldo Mandic morreu no dia 30 de julho de 1942, em Pádua. Foi beatificado em 1976. Em 1983, o papa João Paulo II o canonizou, declarando-o herói do confessionário e “apóstolo da união dos cristãos”, um modelo para os que se dedicam ao ministério da reconciliação.
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Fonte: aqui.

Catequese sobre o Papa

Salve Maria!

Apenas algumas questões sobre o Papa a serem consideradas. Catecismo básico.

194) Por que o Romano Pontífice é o Chefe visível da Igreja?

O Romano Pontífice é o Chefe visível da Igreja porque a dirige visivelmente com a mesma autoridade de Jesus Cristo, que é a cabeça invisível da Igreja.

195) Qual é, pois, a dignidade do Papa?

A dignidade do Papa é a maior entre todas as dignidades da terra e dá-lhe um poder supremo e imediato sobre todos e cada um dos Pastores e dos fiéis. 

196) Pode errar o Papa ao ensinar à Igreja?

O Papa não pode errar, quer dizer, é infalível nas definições que dizem respeito à fé e aos costumes.

197) Qual é o motivo por que o Papa é infalível?

O Papa é infalível em razão da promessa de Jesus Cristo e da contínua assistência do Espírito Santo.

198) Quando o Papa é infalível?

O Papa é infalível só quando, na sua qualidade de Pastor e Mestre de todos os cristãos, em virtude da sua suprema autoridade apostólica, define uma doutrina relativa à fé e aos costumes, que deve ser seguida por toda a Igreja.

199) Quem não acreditasse nas definições solenes do Papa, que pecado cometeria?

Quem não acreditasse nas definições solenes do Papa, ou ainda só duvidasse delas, pecaria contra a fé; e, se se obstinasse nesta incredulidade, já não seria mais católico, mas herege.

200) Para que fim Deus concedeu ao Papa o dom da infalibilidade?

Deus concedeu ao Papa o dom da infalibilidade, a fim de que todos estejam certos e seguros da verdade que ti Igreja ensina.

201) Quando foi definido que o Papa é infalível? 

A infalibilidade do Papa foi definida pela Igreja no Concílio do Vaticano; e, se alguém ousasse contradizer esta definição, seria herege e excomungado.

202) A Igreja, ao definir que o Papa é infalível, estabeleceu porventura uma nova verdade de fé? 

Não. A Igreja, ao definir que o Papa é infalível, não estabeleceu uma nova verdade de fé, mas só definiu, para se opor a erros novos que a infalibilidade do Papa, contida já na Sagrada Escritura e na Tradição, é uma verdade revelada por Deus, e que por conseguinte se deve crer como dogma ou artigo de fé.

203) Como todo o católico deve proceder para com o Papa? 

Todo o católico deve reconhecer o Papa como Pai, Pastor e Mestre universal, e estar unido a ele de espírito e coração.

***

O Catecismo é o livro que contém tudo sobre a doutrina da Igreja e contém todas as verdades de fé, além de nos ensinar diversas maneiras de viver bem de acordo com a Santa Igreja. Porém, lendo o parágrafo 196 do Cat. de São Pio X, a gente começa a se perguntar por que não existem mais papas como antigamente? Por que não há mais papas que agem de acordo com a fé católica? Esse post é precursor de um próximo post, onde tratarei a respeito unicamente da Infalibilidade Papal e o que fazer quando o Sumo Pontífice erra.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Santa Marta

Santa Marta nasceu em uma pequena aldeia chamada Betânia, cercada de vinhedos e de abundantes palmeiras quase recostadas no ponto mais alto do memorável Horto das Oliveiras.

Seus pais eram Teófilo (algumas fontes citam seu pai como sendo Simão, o leproso) e Eucaria, eles eram muito respeitados e queridos no seu povo. Teófilo era governador de toda comarca marítima, mas não era admirado pelas suas riquezas, mas sim, pela sua qualidade de vida. Uma pessoa honrada reta, integra e nobre de coração.

Marta era uma menina de natureza humilde, bondosa, pura e simples. Sofreu muito com a morte de sua mãe e depois com o falecimento do pai; pois antes de morrer ele disse a seus filhos amai-vos como bons amigos e olhando para Maria disse: a modéstia, a pureza e a honradez quando se entrelaçam são coroa na testa de uma moça.

Depois da morte de seus pais Marta e Lázaro (seu irmão) assumiram o governo da família, porque Maria fascinada pelos prazeres do mundo decide morar sozinha e seguida de alguns empregados foi morar em Magdala.



Enquanto Marta, ouvindo pela primeira vez Jesus, declarou-se sua discípula, crescendo assim nela a virtude da caridade aos doentes e aos pobres. Santa Marta nunca desanimou nas suas orações pedindo pela conversão de sua irmã Maria; pela sua fé e perseverança consegue o retorno de Maria, a qual conhece Jesus, se converte e doa também sua vida ao bem e a favor dos outros.

Há poucas, mas importantíssimas citações de Marta nas Sagradas Escrituras. Trata-se de mais uma importante passagem, pois do evento tira-se um momento em que Jesus chora: "O pranto de Maria provoca o choro de Jesus". E o milagre de reviver Lázaro, já morto e sepultado, solicitado com tamanha simplicidade por Marta, que exemplifica a plena fé na omnipotência do Senhor. Outra passagem é a ceia de Betânia, com a presença de Lázaro ressuscitado, uma prévia da última ceia, pois ali Marta serve a mesa e Maria lava os pés de Jesus, gesto que ele imitaria em seu último encontro coletivo com os doze apóstolos.


Toda vez que Jesus ia a Jerusalém se hospedava na casa de Marta, Maria e Lázaro porque eles ofereciam uma sincera amizade, acolhida e hospitalidade. Entre eles existia uma grande amizade, o que ocasionou uma forte perseguição por serem seguidores de Jesus e de sua doutrina. Sofreram os tormentos e as amarguras da paixão e morte de Jesus, seu Mestre. Eles foram desterrados numa pequena embarcação, aonde chegaram a França começando ali sua evangelização.

Muitos se converteram ao cristianismo. Depois de algum tempo Marta funda um mosteiro, onde ela com algumas jovens vivem uma vida de contemplação e recolhimento.

É de antiga e respeitável tradição, que parece estar autorizada pela igreja, que Santa Marta anunciara a fé de Jesus Cristo em Marselha, Aix, Avinhão e em toda a Provença; e que por toda a parte efectuara muitas conversões.


Conta-se, explicando aos povos de Avinhão as verdades da nossa religião Cristã, um mancebo que estava da banda de além do Ródano, desejava com paixão ouvir Marta; tentou pois atravessar o rio a nado, mas tendo sido arrastado pela rapidez das águas, fora submergido. Deram notícia à santa desta desgraça, e esta dizendo a uns pescadores que tirassem para fora o cadáver, depois de uma breve oração restituiu-o à vida .Fez grande ruído este milagre. Os habitantes de Tarascon e as povoações vizinhas vieram então pedir o socorro da santa contra um dragão que fazia enormes estragos. Como Marta não tinha outro fim do que a glória de Jesus Cristo e a salvação das almas, reconheceu que um milagre causaria a satisfação sobre aqueles pagãos.         

Embrenhou-se por um bosque vizinho e achou o dragão que estava a devorar um homem. Fez o sinal da cruz, aspergiu-o com algumas gotas de água benta, atou-o com o seu próprio cinto e trouxe-o à cidade, como se fora um manso cordeiro. Atónito o povo acudia a presenciar esta maravilha, e, depois de terem morto o dragão a pau e à pedrada, lançaram-se todos aos pés da santa, pedindo-lhe que os não abandonassem.

Aos 65 anos Marta morre atacada por uma grande febre.

Os primeiros a dedicarem uma festa litúrgica a Santa Marta foram os frades franciscanos, em 1262, e o dia escolhido foi 29 de julho.

Todos os anos os habitantes de Tarascon organizam uma grande festa em honra de Santa Marta, protetora da sua cidade, no dia 29 de Julho.

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Oração de Santa Marta

Senhor, frequentemente nas tuas caminhadas passavas e ficavas na casa de Betânia, onde não havia as intrigas de Jerusalém, mas o silêncio dos simples e dos puros de coração e também o aroma da acolhida generosa. Em Betânia encontrastes sempre um canto de doçura, um repouso sereno, um profundo e sincero sinal de amizade. e foi exatamente para essa casa de Betânia que fizestes o milagre: tuas lágrimas molharam o túmulo e fizeram voltar para a vida, entre os braços de Marta e Maria, Lázaro, o irmão e amigo amado. Também na minha casa Senhor, que haja sempre a pureza da compreensão, a doçura do carinho, a capacidade da acolhida, o aroma suave da ternura, a alegria da amizade. Assim seremos testemunhas de uma vida por Ti renovada, por Ti santificada, Contigo vivida. Amém!


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Mais imagens de Santa Marta



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Fonte: web
Obs.: O texto possui algumas correções gramaticais e ortográficas feitas por mim.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Tesouro Oculto


Os tesouros, por grandes e preciosos que sejam, não podem ser estimados se não forem conhecidos. Eis porque, caro leitor, muitos não têm pelo santo Sacrifício da Missa o amor que deveriam ter, porque este tesouro, A MAIOR MARAVILHA e a MAIOR RIQUEZA da IGREJA DE DEUS é um TESOURO OCULTO um tesouro muito pouco conhecido. Ah! se todos conhecessem esta preciosidade celeste, tudo sacrificariam para adquiri-lo. A exemplo do mercador do Evangelho, cada um, de boa vontade, daria tudo que possuísse para obter tão precioso tesouro.(Mt 13, 46)

São Leonardo de Porto-Maurício - "As excelências da Santa Missa".

segunda-feira, 25 de julho de 2016

São Tiago Maior, Apóstolo e Mártir

Diz a tradição [e não só a Tradição] que Jesus escolheu doze companheiros para serem seus discípulos mais próximos, segui-lo e com ele aprender uma nova filosofia [filosofia?] que veio a ser o Cristianismo. Estes companheiros foram, após a morte de Cristo, chamados de Apóstolos, palavra que em grego significa “enviado”. Os doze foram enviados aos quatro cantos do mundo para transmitir os ensinamentos cristãos. Entre estes doze apóstolos, havia dois com o nome Tiago. Um deles, filho de Zebedeu, é também chamado Tiago Maior (para distingui-lo do outro, filho de Alfeu, o Tiago Menor). Seis anos após a morte de Cristo, este Tiago, o Maior, viajou para a península Ibérica, onde passou vários anos divulgando sua mensagem, na região que hoje é a Galícia, talvez chegando até Zaragoza. Embora muito poucos dos habitantes locais tenham se convertido ao Cristianismo, Tiago deixou plantada nestas terras distantes a primeira semente, que viria a florescer pelos séculos futuros. Retornando a Palestina, o apóstolo morreu como mártir no ano 44, decapitado, por ordem do rei Herodes Agripa. Seu corpo insepulto, jogado aos cães por ordem do rei, foi recolhido por seus discípulos Teodoro e Atanásio. Tiago havia manifestado o desejo de ser enterrado em terras ibéricas, e diz a lenda que seu corpo foi transportado por seus discípulos para a Espanha em uma nau de pedra guiada por anjos. É mais provável que tenha sido levado em um navio mercante comum, porém já em seu ataúde de pedra, daí ter nascido esta antiga crença [*].

O apóstolo foi então sepultado na cidade de Iria Flavia (assim denominada em homenagem ao imperador romano Flávio Vespasiano), atualmente nos arredores da cidade de Padrón., próximo à costa ocidental da Galícia. Esta região era chamada pelos romanos de Finis Terrae, isto é, os confins da Terra, por ser o ponto mais ocidental da Europa, além do qual nada mais há que o Oceano. Há evidências que sugerem ter havido peregrinações esparsas ao local desde os primeiros séculos da era cristã. Porém com as invasões bárbaras, a queda do Império Romano e, posteriormente, com as invasões muçulmanas, o túmulo acabou sendo "esquecido", ou perdido, do Século VI ao Século X.

No ano 813, um monge chamado Pelayo, retirou-se para viver como eremita no bosque de Libredón na colina circundada pelos rios Sar e Sarela. Neste local havia duas antigas necrópoles (cemitérios) abandonadas, uma romana e outra visigótica. Avistando uma chuva de estrelas que parecia cair sobre um determinado ponto, e interpretando esta visão como um sinal divino, Pelayo foi examinar o local e ali encontrou o velho sepulcro. Informou então ao bispo galego Teodomiro o que havia achado em um "campo de estrelas", isto é, em um campus stellae, em latim, origem da palavra Compostela. O bispo, pelas inscrições no sepulcro, confirmou que se tratava do túmulo do apóstolo Tiago que, segundo a secular tradição havia sido sepultado naquele local, a beira do rio Ulla, próximo a uma antiga estrada romana. Foram também identificados os túmulos de Teodoro e Atanásio, os dois discípulos, que estavam sepultados ao lado do mestre. O rei de Astúrias, Alfonso II, o Casto, (791 – 842), ao tomar conhecimento da descoberta, nomeou São Tiago como patrono oficial da Espanha e ordenou a construção de uma capela de pedra sobre o sepulcro, o que foi realizado no ano 829. Os primeiros documentos históricos que relatam a existência de peregrinações ao "campo de estrelas" datam do ano 840, e o local aos poucos tornou-se um centro de devoção reconhecido pela Igreja.                                                                                        

Na batalha de Clavijo, no ano 842, as tropas cristãs de Astúrias e León, apesar de sua grande inferioridade numérica, derrotaram os árabes do reino da Andaluzia. Nasceu então a tradição de que São Tiago, montado em um cavalo branco, lutando bravamente, havia participado pessoalmente da batalha. O santo foi visto por muita gente, e a fama de Santiago Matamoros ("mata mouros"), com sua espada invencível, espalhou-se rapidamente por toda a Europa. O culto ao apóstolo passou a ser a partir de então o foco espiritual e o símbolo de resistência que deu energia à Reconquista (a luta contra os muçulmanos). Desde então, e até hoje, a espada com o punho em forma de cruz é um dos símbolos do apóstolo Tiago. No ano 950 Gotescalco, bispo de Le Puy (na França), tornou-se a primeira grande autoridade a visitar Compostela como peregrino, dando um exemplo que foi seguido inúmeras vezes pelos séculos futuros. O rei de Astúrias, Alfonso III, o Grande, (866 – 910), ordenou então que fosse construída no local uma igreja maior que a anterior. No ano 997 o antigo templo sobre o túmulo foi destruído e incendiado pelos mouros sob o comando de Abu Amir al-Mansur, conhecido pelos espanhóis como Almanzor, primeiro-ministro do Califado de Córdoba.

A partir do século X, com o progresso da Reconquista, e o crescimento dos territórios cristãos na península Ibérica dando origem a novos reinos que se unem em torno da causa comum, a peregrinação tornou-se mais segura e o número de estrangeiros dirigindo-se a Santiago gradualmente cresce. Sancho III, o Grande, rei de Navarra (992 – 1035), trouxe para a Espanha a ordem de Cluny, e com ela a arte românica. Este estilo arquitetônico, com construções gigantescas representando o ideal cristão, está presente em numerosas igrejas do Caminho. Os monges ocuparam todo este território devastado por séculos de guerra, construindo mosteiros e hospitais (albergues) ao redor dos quais nasceram novos burgos. Ramiro I, o primeiro rei de Aragão (1035 – 1066), filho de Sancho III da Navarra, criou a infra-estrutura para a rota que vinha de Somport, denominado Caminho Aragonês. Alfonso VI, o Bravo, rei de Castela e León (1065 – 1109), forneceu também proteção real ao Caminho, dando todo apoio a Santo Domingo para conservar as estradas no território castelhano. No ano 1064 Don Rodrigo Díaz de Vivar, El Cid, o herói da luta contra os mouros, chega a Compostela como peregrino. Onze anos depois iniciam-se as obras para a construção da atual catedral compostelana, terminada em 1128. Em 1119 o papa Calixto reconheceu Compostela como um dos três centros cristãos de peregrinação. O primeiro Ano Santo, em que foi dado o perdão aos peregrinos, foi 1126. Os fiéis que iam a Roma eram denominados "romeiros" (de onde nasceu a palavra "romaria", o ato de ir a Roma), os que iam a Jerusalém eram os "palmeiros" por levarem uma folha de palma, símbolo de sua caminhada, e os que iam a Compostela eram chamados de "peregrinos", isto é, os que atravessam o campo (per + agro). Em 1179 o papa Alexandre III tornou permanente o Ano Santo. O sacerdote Aymeric Picaud, de Poitou peregrinou a Santiago em 1139, e com base em suas observações escreveu o primeiro guia do Caminho, conhecido como o "Codex Calixtinus", que foi, por muitos séculos e até hoje, a base de todos os outros guias.


Com o aumento no número de peregrinos, junto com os fiéis vieram também ladrões, salteadores de estradas e todos os tipos que, com sua esperteza, abusavam da boa fé dos andarilhos. Para manter a segurança do Caminho, criou-se em 1170, em Cáceres, a Ordem dos Cavaleiros de Santiago cujos cavaleiros eram encarregados da vigilância da rota através da Espanha Nos séculos XIII, XIV e XV o fluxo de peregrinos chegou a atingir cerca de quinhentos mil caminhantes por ano. Entre estes vieram São Francisco de Assis em 1213, a princesa Ingrid da Suécia em 1270, Santa Isabel de Portugal em 1326, Alfonso XI de León e Castela em 1332, Santa Brígida da Suécia em 1340, o pintor holandês Jean Van Eyck em 1430, os reis católicos Fernando de Aragão e Isabel de Castela em 1488, Hugo IV duque de Borgonha, Eduardo I da Inglaterra, Carlos I e Felipe II em 1554. Foi nesta época que a rota principal a partir de Puente la Reina, pelo grande número de estrangeiros (franceses ou vindo até este caminho através da França), passou a ser conhecida como Caminho Francês. Ainda hoje, dezenas de milhares de peregrinos se dirigem anualmente a Santiago de Compostela, considerada a terceira cidade mais sagrada no cristianismo depois de Jerusalém e Roma. No entanto não é de descorar a chamada de atenção de que a primeira fica no Oriente, a segunda ao centro, e esta fica muito perto ao "extremo" mais ocidental da terra cristã então conhecida (Finisterra).
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Fonte: aqui.

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Observações:
[e não só a Tradição] - Sabemos que São Tiago Maior é um dos Doze Apóstolos de Jesus, isso é uma verdade de fé e consta claramente na Sagrada Escritura.
[filosofia?] - Devemos tratar o Cristianismo como filosofia? Pergunto-me se quem escreveu esse texto é uma pessoa católica.
[*] - Com esse trecho eu tenho quase certeza de que o autor desse texto não é católico, pois certamente não acredita em milagres.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Santa Maria Madalena

Padroeira dos pecadores arrependidos, dos convertidos, das mulheres, das pessoas ridicularizadas por sua piedade, dos boticários, dos cabeleireiros, dos curtumeiros, dos fabricantes de perfumes, dos farmacêuticos, dos fabricantes de luvas, da vida contemplativa e contra a tentação sexual .

Origens

“Madalena”, na verdade, é um apelido e significa “aquela que veio de Magdala”, cidade que ficava às margens do Lago de Genesaré, perto de Cafarnaum, na Terra Santa. Por este apelido sabemos que esta Maria veio de Magdala. No tempo de Jesus, Magdala era uma cidade importante. Para se ter uma ideia, tintureiros e pescadores tinham bairros específicos na cidade. Ali havia indústrias de barcos e de peixes em conserva. Além disso, sabe-se que um excelente tipo de lã era vendida ali em mais de oitenta lojas. A palavra “Magdala” significa “torre”. Achados recentes indicam, de fato, uma torre nas ruínas de Magdala. Os arqueólogos acreditam que se tratava de um farol.Santa Maria Madalena – mulher de posses

Sabemos que Maria Madalena foi uma pecadora convertida. Além disso, sabemos que ela era uma mulher de posses, contada entre as mulheres que ajudavam o grupo de Jesus e os doze com suas posses, ao lado da mulher de um procurador de Herodes entre outras. (Lucas 8, 2-3). Além disso, antes da ressurreição do Senhor, “Maria Madalena e outras duas mulheres compraram aromas para ungir Jesus". (Marcos 16,1). Estes aromas usados na preparação dos defuntos eram artigos caros e poucos tinham dinheiro para comprá-los.

Dinheiro a serviço do Reino dos Céus

Se Maria Madalena foi, de fato, uma prostituta, deve ter sido famosa e muito bonita, porque poucas mulheres em Israel tinham posses como ela. O admirável nisso tudo é que, após conhecer Jesus e ter sido salva por Ele, Santa Maria Madalena colocou suas posses, conseguidas, talvez, com o dinheiro da prostituição, a serviço do Reino de Deus, mostrando que a conversão chegou a todas as áreas da vida desta grande santa.
Fiel até o fim

Outra característica marcante de Santa Maria Madalena foi a fidelidade a Nosso Senhor Jesus Cristo. Três versículos do Evangelho de São Mateus que, por vezes, passam despercebidos, revelam-nos esta fidelidade. Primeiro, aos pés da cruz de Jesus, quando todos os discípulos (menos João) tinham fugido, ela estava lá junto com Maria, Mãe de Jesus:

"Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu" ( Mt 27,56). Depois, quando Jesus tinha sido sepultado, "Maria Madalena e a outra Maria ficaram lá, sentadas defronte do túmulo" (Mt 27,61). E, por fim, "Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo" (Mt 28,1). Tudo isso revela o amor e a fidelidade de Santa Maria Madalena. Não é à toa que seu nome figura entre os primeiros da Ladainha de Todos os Santos.
A primeira a ver Jesus ressuscitado

Outro dado marcante sobre Santa Maria Madalena é o fato de ela ter sido a primeira testemunha ocular de Jesus ressuscitado. Sim, segundo os Evangelhos, ela foi a primeira a ver e a falar com Jesus na madrugada do domingo, logo após a ressurreição do Mestre, como vemos no Evangelho de São João 20, 1-18.
A primeira anunciadora da ressurreição de Jesus

Além de ter sido a primeira testemunha de Jesus ressuscitado, ela foi também a primeira a anunciar o milagre da ressurreição de Jesus. Este primeiro anúncio, chamado “Kerigma”, tão prezado pelos Apóstolos, foi, antes de tudo, feito por uma mulher, em contraponto à mentalidade machista da época. O fato evidencia que Nosso Senhor Jesus Cristo preza a fidelidade e o amor, antes das convenções sociais. A Tradição Cristã também atesta que Santa Maria Madalena foi uma grande anunciadora do Evangelho depois de Pentecostes. Seu exemplo é maravilhoso. Ela foi discípula de Jesus e, depois, evangelizadora. Por tudo isso, Santa Maria Madalena é grande e seu exemplo deve ser seguido por todos nós.

Oração a Santa Maria Madalena

“Santa Maria Madalena, o Deus Todo Poderoso, cujo Filho vos purificou de corpo e alma, fostes chamada para ser testemunha da Sua ressurreição. Misericordiosamente vos foi concedida a graça de serdes purificada de todas as enfermidades físicas e morais. Fazei com que também eu, pobre pecador, conheça o poder da vida infinita. Trazei até mim a bênção do Espírito Santo que vive e reina, o poder do Deus único e de Seu Filho Jesus Cristo. Agora, e para sempre. Amem.”
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Fonte: aqui.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

São Jerônimo Emiliano, Confessor

São Jerônimo, protetor dos órfãos e jovens abandonados.
São Jerônimo nasceu em Veneza, no ano de 1486. Aos 15 anos tornou-se soldado e, aos 25, senador. Amante dos prazeres e das festas, Jerônimo Emiliani tinha 28 anos quando caiu prisioneiro de guerra de Luís XII. Na prisão começou a meditar sobre o sentido da vida. Depositando as cadeias sobre o altar de Nossa Senhora [?], Jerônimo mudou radicalmente de vida. Vendeu o que possuía e entregou tudo aos pobres e necessitados. Dedicou-se de corpo e alma aos órfãos, às viúvas e aos jovens entregues à prostituição. Fundou hospitais, orfanatos, asilos, escolas profissionalizantes para os meninos.

Vivia em companhia dos pobres, dos mendigos, dos injustiçados, de quem se tornou pai e defensor. Jerônimo pensou logo em fundar uma Congregação regular para dar mais estabilidade à sua obra. Escolheu para isso Somasca, região entre Milão e Bérgamo, para estabelecer a casa-mãe e o seminário. Daí veio o nome pelo qual ficaram conhecidos, Clérigos Regulares de Somasca.

O Santo escreveu os primeiros regulamentos para essa Congregação, a base dos quais era a santa pobreza, que deveria manifestar-se em todas as coisas, desde o hábito até o mobiliário da casa. Os alimentos mais requintados foram abolidos de sua mesa, devendo eles contentar-se com a comida comum dos camponeses. Durante as refeições haveria leitura espiritual. Observariam o silêncio e as mortificações da regra. Empregariam parte da noite em oração, e durante o dia, se não estivessem atendendo os órfãos ou os doentes, deveriam entreter-se com algum trabalho manual. A finalidade principal dos Clérigos Regulares era a instrução das crianças e de jovens eclesiásticos. Em Bérgamo, o Santo procurou também reconduzir para o bom caminho mulheres perdidas, que ele havia convertido. Obteve que fossem fechadas as casas que serviam para sua libertinagem. Aumentando o número das arrependidas, reuniu-as em uma casa especial, com uma regra de vida, para que perseverassem nos bons propósitos.

Sua Congregação foi aprovada como Ordem religiosa pelo Papa Paulo III, grande amigo de Jerónimo. Esse Pontífice, juntamente com São Caetano de Tienne, era um de seus mais ardorosos defensores e benfeitores. Vendo o bem que o Santo fazia, o Senado de Veneza ofereceu-lhe a direção do hospital dos incuráveis, que Jerónimo aceitou pela oportunidade que tinha de dar assistência a muitos doentes terminais. Quando via-se sem recursos materiais para acudir a tantas iniciativas, escolhia quatro de seus  pequenos órfãos com menos de oito anos de idade, portanto mais inocentes, para fazer ao Céu violência com suas orações [?]. Entrementes, a fama de santidade de Jerónimo atraía-lhe muitos doadores e novos membros para sua Congregação.

Uma terrível peste afligiu Bérgamo, fazendo inúmeras vítimas. Para lá correu o famoso Jerónimo Emiliani, com o mesmo ardor de sempre. Contraiu também a peste e viu que seus dias estavam contados. Alegre, repetia com São Paulo: “Quero a morte, para viver com Cristo”. Reuniu seus discípulos para os últimos conselhos. Os benditos nomes de Jesus e de Maria não lhe saíam dos lábios. São Jerônimo Emiliani morreu em Somasca, enquanto assistia aos doentes, no dia 8 de fevereiro de 1537. Foi canonizado em 1767. É o protetor dor órfãos e dos jovens abandonados.

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Reflexão:

São Jerônimo, assim como Santo Agostinho, são exemplos de conversões tardias. Mas como é belo saber dessas histórias de conversão! Os dois não possuem em comum nessa história só a idade um pouco avançada, mas também vidas anteriores à conversão de muita diversão e prazeres mundanos e carnais. São Jerônimo precisou ser preso, ficar isolado e solitário para pensar no sentido da vida e resolver aceitar Cristo e praticar o Evangelho. E entregou toda sua vida a Nossa Senhora. Santo Agostinho contava com as fervorosas orações de sua mãe, Santa Mônica, mas também passou por momentos tortuosos até se dar a sua conversão. Então fica aqui a reflexão: Será que devemos esperar momentos de dificuldade e de solidão para nos convertermos? Muitas vezes pensamos que já estamos no caminho certo, mas pequenos prazeres da vida ainda nos chamam e tentam a pecar. Por esses tombos vemos que não estamos convertidos de alma, coração e razão, porque a conversão dever diária. A busca pelo Céu deve ser todos os dias, para que cada dia que passe essas quedas sejam menores, até chegar o momento de não cairmos mais. Então nos agarremos aos belíssimos exemplos desses dois santos para começarmos a nossa conversão hoje.

Salve Maria!
Viva Cristo Rei!
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Fonte: aqui.

[?] Esses trechos, para mim, estão meio confusos. Na primeira não entendi o que o texto quer dizer com : "Depositando as cadeias sobre o altar de Nossa Senhora". Talvez a fonte original tenha errado a digitação ou talvez tenha outro significado. Sobre cadeias, conheço quem as usa, como pulseira, como símbolo externo da consagração a Nossa Senhora pelo método de São Luís Maria G. Montfort. Quem entendeu o trecho, por favor, compartilhe. Já no segundo momento, quando diz que São Jerônimo escolhia seus órfãos mais novos (porque eram mais inocentes), para rezarem e "fazerem ao céu violência com suas orações", o termo violência parece um pouco grotesco para mim. Entendi que a oração de crianças mais puras e fervorosas possam obter do Céu uma resposta mais rápida de Deus, mas violência? Enfim, só não gostei do termo.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

São Camilo de Lellis, Patrono dos Hospitais e dos Enfermos

Em Bucchianico, nos Abruzzos, em Nápolis, no ano de 1550, um tão esperado herdeiro nascera na casa do Marquês de Armas. Sua mãe, já com idade avançada, não resiste ao difícil trabalho de parto e morre, horas depois do nascimento do belo menino, que no batismo recebe o nome de Camilo, em homenagem à sua heróica mãe, D. Camila.

Com a idade de 6 anos perde seu pai, homem de temperamento forte e que vivia mais nos acampamentos e campos de batalha do que lar. Foi de seu pai que herdou o desejo de seguir a carreira militar.

Órfão de pai e mãe, com a idade de 12 anos, já se tornara exímio jogador de cartas, e nas mesas de jogo foi perdendo o que herdara.

Quando atingiu a idade de 19 anos, alistou-se no exército e com a espada, herdada de seu pai, lutou contra os Turcos. Gravemente doente foi para Roma. E lá foi internado no hospital dos incuráveis. Durante as batalhas ficou ferido na perna e este ferimento tornou-se uma chaga que marcaria sua vida para sempre.

Sua paixão pelo jogo fez com que o expulsassem do hospital. Na rua, doente e pobre, procurou serviço como servente de pedreiro e trabalhou, em seguida, na construção de uma casa dos freis Capuchinhos.

Deus nunca abandona os Seus escolhidos, pois Ele ama o pecador e abomina o pecado. Certo dia, em conversa com o frei guardião dos Capuchinhos, foi tocado pela Graça e de repente percebeu o quanto estava obstinado em seus vícios e erros. Arrependido, entrou para o noviciado dos capuchinhos e tornou-se um homem novo.

A chaga misteriosa de sua perna era sempre um empecilho para os trabalhos missionários dos Capuchinhos. Por não conseguir corresponder às exigências da ordem, decide deixá-la e passa a trabalhar como administrador do Hospital São Tiago, em Roma.

Com os doentes e enfermos era só dedicação e amor. Para todos dispensava um terno olhar e sempre palavras de estímulo e ânimo.

Percebendo que os enfermeiros, que eram mal remunerados, não dedicavam as devidas atenções aos enfermos; e em muitas ocasiões humilhavam e maltratavam os doentes, Camilo começou a ocupar-se com o problema e, além de melhorar os salários dos enfermeiros, pensou em chamar voluntários que, como ele, servissem os doentes e enfermos somente por amor a Deus!

Aconselhado por São Felipe Nery, organizou uma irmandade religiosa, cujos membros se obrigavam a tratar dos doentes sem buscar outra recompensa senão a Graça de Deus.

Os primeiros irmãos eram leigos, aos quais, mais tarde, se associaram alguns sacerdotes. Adquiriram uma casa onde moravam em comunidade.

Com o passar do tempo e com os novos desafios, Camilo teve necessidade de abrir outras casas por toda a Itália e em outros países da Europa.

Camilo de Lelis, por um tempo deixou os estudos, porém, seguindo o conselho de São Felipe de Nery, voltou a estudar e recebeu o sacramento da ordem com quase 40 anos de idade. Assim sendo, poderia cuidar da saúde corporal e espiritual de seus doentes.

Todo e qualquer serviço, por mais custoso e repugnante que parecesse, era realizado com grande amor pelo Pe. Camilo e seus fiéis seguidores.

A caridade chegou-lhe ao extremo por ocasião da peste em Roma. Pe. Camilo estava muito doente e sofria com terríveis dores nos pés. Incansavelmente percorria casa por casa levando consolo e socorrendo os pobres e doentes. Levava os doentes nas costas até os hospitais, passo a passo como um novo Cireneu, ajudando os irmãos a carregarem o fardo das enfermidades.

O bom Deus concebeu incontáveis dons ao nosso Santo, dons sobrenaturais utilizados para salvar muitas almas. Os doentes recuperavam a saúde ao ouvir as palavras e orações do Pe. Camilo, e aqueles, cuja doença era de ordem espiritual, sentiam o toque da Graça e experimentavam a Misericórdia de Deus através do Sacramento da Confissão.

Por sua grande humildade, Pe. Camilo era muito amado em toda a cidade de Roma, era caridoso com todos e severo consigo mesmo. Sofria muitas dores, porém nunca se ouviu de sua boca queixas ou gemidos. Sempre achava suas dores e sofrimentos insignificantes diante do Cristo crucificado e dos irmãos enfermos.

Nunca aceitou que o chamassem de fundador de uma ordem, e após 27 anos, no cargo de superior, pediu que lhe tirassem o fardo de mando e lhe dessem o da obediência.

Pe. Camilo era uma figura de presença imponente, seu porte era o de um gigante da caridade, com mais de 1,90 de altura.

Durante 40 anos, aquela chaga na perna o consumia, porém de nada se queixava. No final de sua vida andava de gatinho para visitar os doentes (Meu Deus! como nós somos comodistas).

Pe. Camilo sente suas forças esgotarem-se, e, desenganado pelos médicos, recebeu o Santo Viático das mãos do Cardeal Ginnásio, amigo e protetor da ordem.

Ao contemplar com os olhos cheios de lágrimas a hóstia santa, o Cristo vivo, disse:
“Alegro-me por me terem dito que entraremos na casa do Senhor. Reconheço, Senhor , que sou dos pecadores o maior e indigno de receber Vossa graça; salvai-me segundo Vossa Misericórdia. Ponho a minha confiança nos merecimentos do Vosso Preciosíssimo Sangue. Amém”.

Ao terminar um tão belo e caloroso ato de amor ao Jesus Eucarístico, comunga e todo transformando pela graça, vai entregando sua existência às mãos do Senhor da vida e da história.

Era o dia 14 de julho de 1614, conforme havia predito, estava com 64 anos de idade. Foi beatificado pelo Papa Bento XIV em 1742 e canonizado em 1746 pelo mesmo Papa.
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Fonte: aqui.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Nossa Senhora do Carmo


No dia 16 de julho todo católico comemora e alegra-se em festejar o dia  litúrgico de Nossa Senhora do Carmo. É uma belíssima e fascinante história por trás de sua aparição, com promessas e "conexões" que remontam às histórias do Antigo Testamento, através do Profeta Elias.

Aparição de Nossa Senhora do Carmo

Onde: em Cambridge, Inglaterra.

Quando: em 16 de julho de 1251.

A quem: a São Simão Stock.


HISTÓRICO

O Monte Carmelo, na Palestina, é o lugar sagrado do Antigo e Novo Testamento. É o Monte em que o Profeta Elias evidencia a existência e a presença do Deus verdadeiro.

Vendo os 450 sacerdotes pagãos do Baal e os 400 profetas dos bosques, fazendo descer do céu o fogo devorador que lhes extinguiu a vida. (III Livro dos Reis, XVIII, 19 seg.).

É ainda o Profeta Elias que implora do Senhor chuva benfazeja, depois de uma seca de três anos e três meses (III Livro dos Reis, XVIII, 45).

É no Monte Carmelo que a tradição colocou a origem da Ordem Carmelitana. Ali viviam eremitas entregues à oração e à penitência.

Os Fatos:

A palavra Carmelo (em hebraico, "Carmo" significa vinha; e "elo" significa senhor; portanto, "Vinha do Senhor"): este nome nos leva para esta famosa montanha da Palestina, donde o profeta Elias e o sucessor Elizeu fizeram história com Deus e com Nossa Senhora, que foi prefigurada por uma nuvenzinha branca que, num período de grande seca, prenunciava a chuva redentora que cairia sobre a terra ressequida (cf. I Rs 18,20-45).

Por uma intuição sobrenatural, soube que essa simples nuvem, com forma de uma pegada humana, simbolizava aquela mulher bendita, predita depois pelo Profeta Isaías (“Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho”), que seria a Mãe do Redentor. Do seu seio virginal sairia Aquele que, lavando com seu sangue a terra ressequida pelo pecado, abriria aos homens a vida da graça.

Estes profetas foram "participantes" da obra Carmelita, que só vingou devido à intervenção de Maria, pois a parte dos monges do Carmelo que sobreviveram (século XII) da perseguição dos muçulmanos; fugiram para a Europa e radicaram-se em vários países entre eles a Inglaterra. Dos seguidores de Elias e seus continuadores, de acordo com a tradição, nasceu a Ordem do Carmo, da qual Maria Santíssima é a Mãe e esplendor, segundo as palavras também de Isaías “A glória do Líbano lhe será dada, o esplendor do Carmelo e de Saron” (Is 35, 2).

São Luis IX, rei da França, sobe ao Monte Carmelo. Encontra-se com aqueles eremitas e fica encantado, quando lhe contam que sua origem remonta ao Profeta Elias, levando uma vida austera de oração e penitência, cultivando ardente devoção à Nossa Senhora. Trinta anos, antes de São Luis IX subir ao Monte Carmelo, dois cruzados ingleses levaram para a Inglaterra alguns monges.


SÃO SIMÃO STOCK

Na Inglaterra, vivia um homem penitente, como o Profeta Elias, austero como João Batista. Chamava-se Simeão. Mas, diante de sua vida solitária na convexidade de uma árvore no seio da floresta, deram-lhe o apelido de Stock. Simão nasceu no ano de 1165 no castelo de Harford, no condado de Kent, Inglaterra, em atenção às preces de seus piedosos pais, que uniam a mais alta nobreza à virtude. Alguns escritores julgam mesmo que tinham parentesco com a família real.

Sua mãe consagrou-o à Santíssima Virgem desde antes de nascer. Em reconhecimento a Ela pelo feliz parto, e para pedir sua especial proteção para o filhinho, a jovem mãe, antes de o amamentar, oferecia-o à Virgem, rezando de joelhos uma Ave-Maria. Bela atitude de uma senhora altamente nobre!


O menino aprendeu a ler com pouquíssima idade. A exemplo de seus pais, começou a rezar o Pequeno Ofício da Santíssima Virgem, e logo também o Saltério. Esse verdadeiro pequeno gênio, aos sete anos de idade iniciou o estudo das Belas Artes no Colégio de Oxford, com tanto sucesso que surpreendeu os professores. Foi também nessa época admitido à Mesa Eucarística, e consagrou sua virgindade à Santíssima Virgem.

Perseguido pela inveja do irmão mais velho, e atendendo a uma voz interior que lhe inspirava o desejo de abandonar o mundo, deixou o lar paterno aos 12 anos, encontrando refúgio numa floresta onde viveu inteiramente isolado durante 20 anos, em oração e penitência.

Nossa Senhora revelou-lhe então seu desejo de que ele se juntasse a certos monges que viriam do Monte Carmelo, na Palestina, à Inglaterra, “sobretudo porque aqueles religiosos estavam consagrados de um modo especial à Mãe de Deus”. Simão saiu de sua solidão e, obedecendo também a uma ordem do Céu, estudou teologia, recebendo as sagradas ordens. Dedicou-se à pregação, até que finalmente chegaram dois frades carmelitas no ano de 1213. Ele pôde então receber o hábito da Ordem, em Aylesford.

Em 1215, tendo chegado aos ouvidos de São Brocardo, Geral latino do Carmo, a fama das virtudes de Simão, quis tê-lo como coadjutor na direção da Ordem; em 1226, nomeou-o Vigário-Geral de todas as províncias europeias.

São Simão teve que enfrentar uma verdadeira tormenta contra os carmelitas na Europa, suscitada pelo demônio através de homens ditos zelosos pelas leis da Igreja, os quais queriam a todo custo suprimir a Ordem sob vários pretextos. Mas o Sumo Pontífice, mediante uma bula, declarou legítima e conforme aos decretos de Latrão a existência legal da Ordem dos Carmelitas, e a autorizou a continuar suas fundações na Europa.

São Simão participou do Capítulo Geral da Ordem na Terra Santa, em 1237. Em um novo Capítulo, em 1245, foi eleito 6° Prior-Geral dos Carmelitas.


A Aparição da Mãe de Deus a São Simão Stock

Após a algum tempo de calmaria, as perseguições reiniciaram com mais intensidade.

Na falta de auxílio humano, São Simão recorria à Virgem Santíssima com toda a tristeza de seu coração, pedindo-Lhe que fosse solícita à sua Ordem, tão provada, e que desse um sinal de sua aliança com ela.

Na manhã do dia 16 de julho de 1251, suplicava com maior empenho à Mãe do Carmelo sua proteção, recitando a bela oração por ele composta:

"Flor do Carmelo, Vinha florífera, Esplendor do céu, Virgem fecunda, singular. Ó Mãe benigna, sem conhecer varão, aos Carmelitas dá privilégio, Estrela do Mar!".

Terminada esta prece, levanta os olhos marejados de lágrimas, vê a cela encher-se, subitamente, de luz. Rodeada de anjos, em grande cortejo, apareceu-lhe a Virgem Santíssima, revestida de esplendor, trazendo nas mãos o Escapulário dizendo a São Simão Stock, com inexprimível ternura maternal:

“Recebe, diletíssimo filho, este Escapulário de tua Ordem como sinal distintivo e a marca do privilégio que eu obtive para ti e para todos os filhos do Carmelo; é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos, aliança de paz e de uma proteção sempiterna. Quem morrer revestido com ele será preservado do fogo eterno’’.

Essa graça especialíssima foi imediatamente difundida nos lugares onde os carmelitas estavam estabelecidos, e autenticada por muitos milagres que, ocorrendo por toda parte, fizeram calar os adversários dos Irmãos da Santíssima Virgem do Monte Carmelo.

São Simão Stock atingiu extrema idade e altíssima santidade, operando inúmeros milagres, tendo também obtido o dom das línguas; foi chamado a pátria celeste por Deus em 16 de maio de 1265.

Nossa Senhora voltou ao céu e o Escapulário permaneceu como sinal de Maria. Na última aparição de Lourdes e de Fátima, Nossa Senhora traz o Escapulário.

São passados mais de 750 anos, desde o dia 16 de julho de 1251. Todos os que trouxeram o Escapulário, com verdadeira piedade, com sincero desejo de perfeição cristã, com sinais de conversão, sempre foram protegidos na alma e no corpo contra tantos perigos que ameaçam a vida espiritual e corporal. É só ler os anais carmelitanos para provar a proteção e a assistência de Maria Santíssima.

O Escapulário é a devoção de papas e reis, de pobres e plebeus, de homens cultos e analfabetos. É a devoção de todos. Foi a devoção de São Luis IX, de Luis XIII, Luis XIV da França, Carlos VII, Filipe I e Filipe III da Espanha, Leopoldo I da Alemanha, Dom João I, de Portugal.

E a devoção dos Papas: Bento XV o pontífice da paz, chamou o Escapulário a "arma dos cristãos" e aconselhava aos seminaristas que o usassem. Pio IX gravou em seu cálice a seguinte inscrição: "Pio IX, confrade Carmelita". Leão XVIII, pouco antes de morrer, disse aos que o cercavam: "Façamos agora a Novena da Virgem do Carmo e depois morreremos".

Pio XI escrevia, em 1262, ao Geral dos Carmelitas: "Aprendi a conhecer e a amar a Virgem do Carmo nos braços de minha mãe, nos primeiros dias de minha infância".

Pio XII afirmava: "É certamente o Sagrado Escapulário do Carmo, como veste Mariana, sinal e garantia da proteção e salvação ao Escapulário com que estavam revestidos. Quantos nos perigos do corpo e da alma sentiram a proteção Materna de Maria".

Pio XII ainda chegou a escrever: "Devemos colocar em primeiro lugar a devoção do escapulário de Nossa Senhora do Carmo - e ainda - escapulário não é 'carta-branca' para pecar; é uma 'lembrança' para viver de maneira cristã, e assim, alcançar a graça duma boa morte".

O Papa João XXIII assim se pronunciou: "Por meio do Escapulário do Carmo, pertenço à família Carmelitana e aprecio muito esta graça com a certeza de uma especialíssima proteção de Maria. A devoção a Nossa Senhora do Carmo torna-se uma necessidade e direi mais uma violência dulcíssima para os que trazem o Escapulário do Carmo" Paulo VI afirmava que entre os exercícios de piedade devem ser recordados o Rosário de Maria e o Escapulário do Carmo.

O Papa João Paulo II era devotíssimo de Nossa Senhora e coloca a recitação do Rosário entre suas orações prediletas. Ele quis ser Carmelita. Defendeu sua tese sobre São João da Cruz, o grande Carmelita renovador da Ordem.

John Mathias Haffert, autor do livro "Maria na sua Promessa do Escapulário", entrevistou a Irmã Carmelita Lúcia, a vidente de Fátima ainda viva e perguntou, por que na última aparição Nossa Senhora segurava o escapulário na mão?

Irmã Lúcia respondeu simplesmente: "É que Nossa Senhora quer que todos usem o Escapulário".

AS PROMESSAS ESPECÍFICAS DE NOSSA SENHORA DO CARMO

Primeira: Quem morrer com o Escapulário não padecerá o fogo do inferno.

### Em primeiro lugar, ao fazer a sua promessa, Maria não quer dizer que uma pessoa que morra em pecado mortal se salvará. A morte em pecado mortal e a condenação são uma e a mesma coisa. A promessa de Maria traduz-se, sem dúvida, por estas outras palavras:

“Quem morrer revestido do Escapulário, não morrerá em pecado mortal”.

Para tornar isto claro, a Igreja insere, muitas vezes, a palavra “piamente” na promessa: “aquele que morrer piamente não padecerá do fogo do inferno”.

Segunda: Nossa Senhora livrará do Purgatório quem portar seu Escapulário, no primeiro sábado após sua morte.

### Embora às vezes se interprete este privilégio ao pé da letra, isto é, que a pessoa será livre do Purgatório no primeiro sábado após sua morte, “tudo que a Igreja, tem para explicar estas palavras, tem dito oficialmente em várias ocasiões, é que aqueles que cumprem as condições do Privilégio Sabatino serão, por intercessão de Nossa Senhora, libertos do Purgatório pouco tempo depois da morte, e especialmente no sábado”. De qualquer modo, se formos fiéis em observar as palavras da Virgem Santíssima, Ela será muito mais fiel em observar as suas, como nos mostra o seguinte exemplo:

Em umas missões, tocado pela graça divina, certo jovem deixou a má vida e recebeu o Escapulário. Tempos depois recaiu nos costumes desregrados, e de mau tornou-se pior. Mas, apesar disso, conservou o santo Escapulário.

A Virgem Santíssima do Carmo, sempre Mãe, atingiu-o com grave enfermidade. Acometido pela doença, o jovem viu-se em sonhos diante do justíssimo tribunal de Deus, que devido às suas atitudes ruins e vida má, o condenou à eterna condenação.

Em vão o infeliz alegou ao Supremo Juiz que portava o Escapulário de sua Mãe Santíssima.

— E onde estão os costumes que correspondem a esse Escapulário? Perguntou-lhe.

Sem saber o que responder, o infeliz olhou então para a Virgem Santíssima.

— Eu não posso desfazer o que Meu Filho já fez. Respondeu-lhe Ela.

— Mas, Senhora! exclamou o jovem, Serei outro.

— Tu me prometes?

— Sim.

— Pois então vive.

Nesse mesmo instante o doente despertou, apavorado com o que viu e ouviu durante o sonho, fez votos de levar adiante mais seriamente o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo. Logo, sarou e entrou para a Ordem dos Premonstratenses. Depois de vida edificante, Deus chamou sua alma à pátria celeste. Assim narram às crônicas dessa Ordem.

A APARIÇÃO DE FÁTIMA E O ESCAPULÁRIO

Após a última aparição de Nossa Senhora de Fátima na Cova da Iria, surgiram aos olhos dos três videntes varias cenas.

Na primeira, ao lado de São José e tendo o Menino Jesus ao colo, Ela apareceu como Nossa Senhora do Rosário. Em seguida, junto a Nosso Senhor acabrunhado de dores a caminho do Calvário, surgiu como Nossa Senhora das Dores. Finalmente, gloriosa, coroada como Rainha do Céu e da Terra, a Santíssima Virgem apareceu como Nossa Senhora do Carmo, tendo o Escapulário à mão.

Por que Nossa Senhora apareceu com o Escapulário nesta última visão a 13 de Outubro em Fátima? Perguntaram a Lúcia em 1950.

Lúcia respondeu: É que Nossa Senhora quer que todos usem o Escapulário respondeu ela.

“E é por este motivo que o Rosário e o Escapulário, são dois sacramentais marianos mais privilegiados, universais, mais antigos e valiosos, adquirem hoje uma importância maior do que em nenhuma época passada da História”

Numa bula de 11 de fevereiro de 1.950, o Papa Pio XII convidava a "colocar em primeiro lugar, entre as devoções marianas, o escapulário que está ao alcance de todos"; entendido como veste mariana, esse é de fato um ótimo símbolo da proteção da Mãe celeste, enquanto sacramental extrai o seu valor das orações da Igreja e da confiança e amor daqueles que o usam.

ORAÇÃO
Flos Carmeli
Vitis Florigera
Splendor coeli
Virgo puerpera
Singularis y singular
Mater mitis
Sed viri nescia
Carmelitis
Sto. Propitia
Stella maris
Flor do Carmelo
vinha florífera
esplendor do Céu
Virgem fecunda,
e singular Ó mãe terna!
intacta de homem
aos carmelitas
proteja teu nome
(dá privilégios)
Estrela do mar.


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Palavras de Santo Agostinho

"A oração é uma chave do céu; sobem as preces, desce a divina misericórdia. Por mais baixa que seja a Terra, e alto o Céu, Deus ouve a língua do homem, quando este tem limpa a consciência."