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quarta-feira, 8 de junho de 2016

Santa Isabel, Rainha de Portugal


Santa Isabel de Portugal,
por Francisco Zurbarán, em Museo del Prado.


Isabel de Aragão nasceu no palácio de Aljaferia, na cidade de Saragoça, onde reinava o seu avô paterno D. Jaime I. Era filha de D. Pedro, futuro D. Pedro III, e de D. Constança de Navarra. A princesa recebeu o nome de Isabel por desejo de sua mãe em recordação de sua tia Santa Isabel da Hungria, duquesa de Turíngia. O seu nascimento veio acabar com as discórdias na corte de Aragão, pelo que o seu avô lhe chamava “rosa da casa de Aragão”.


As virtudes da sua tia-avó viriam a servir-lhe de modelo e desde muito nova começou a mostrar gosto pela meditação, rezas e jejum, não a atraindo os divertimentos comuns das donzelas da sua idade. Isabel não gostava de música, passeios, nem joias e enfeites, vestia-se sempre com simplicidade. A infanta D. Isabel tornara-se conhecida em beleza, discrição e santidade. 



Santa Isabel da Hungria,
tia-avó de Santa Isabel de Portugal.

A infanta D. Isabel tornara-se conhecida em beleza, discrição e santidade. As suas virtudes levaram muitos príncipes a apresentarem-se a D. Pedro como pretendentes à mão da sua admirável filha. Os pais escolheram o mais próximo, D. Denis, herdeiro do trono de Portugal, que era também o mais dotado de qualidades. Isabel estava mais inclinada a encerrar-se num convento, no entanto, como era submissa, viu no pedido dos pais, a vontade do céu. Foram assinadas a 11 de Fevereiro de 1282 as bases do contrato de casamento, e o matrimônio realizou-se na vila de Trancoso, no dia de S. João Baptista, no ano de 1282. Nos primeiros tempos de casada acompanhava o marido nas suas deslocações pelo país e com a sua bondade conquistou a simpatia do povo. Dava dotes a donzelas pobres e educava os filhos de cavaleiros sem fortuna.

Santa Isabel e o Rei Denis,
conhecido como O Lavrador.

Isabel deu ao rei dois filhos: Constância, futura rainha de Castela e Afonso, herdeiro do trono de Portugal. As numerosas aventuras extraconjugais do marido humilhavam-na profundamente. Mas Isabel mostrava-se magnânima no perdão criando com os seus também os filhos ilegítimos de Denis, aos quais reservava igual afecto. Entre seus familiares, constantemente em luta, desempenhou obra de pacificadora, merecendo justamente o apelido de anjo da paz.

Desempenhou sempre o papel de medianeira entre o rei e o seu irmão D. Afonso, bem como entre o rei e o príncipe herdeiro. Por sua intervenção foi assinada a paz em 1322.

Estátua de Santa Isabel no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova,
em Coimbra. Nesse ano de 2016 sua mão incorrupta estará
visível para visitação. Fonte: aqui.

A sua vida será marcada por quatro virtudes fundamentais: a piedade, a caridade, a humildade e a inquietude pela paz. Tornou-se uma mulher de grande piedade conservando em sua vida a prática da oração e a meditação da Palavra de Deus. Buscou sempre a reconciliação e a paz entre as pessoas, as famílias e até entre nações.

D. Isabel costumava dizer “Deus tornou-me rainha para me dar meios de fazer esmolas.” Sempre que saía do paço era seguida por pobres e andrajosos a quem sempre ajudava.

Após a morte de seu marido, entregou-se inteiramente às obras assistenciais que havia fundado, não podendo vestir o hábito das clarissas e professar os votos no mosteiro que ela mesma havia fundado, fez-se terciária franciscana, após ter deposto a coroa real no santuário de São Tiago de Compostela e haver dado seus bens pessoais aos necessitados. Fixou residência em Coimbra, junto ao convento de Santa Clara, nos Paços de Santa Ana, de que faria doação ao convento. Mandou edificar o hospital de Coimbra junto à sua residência, o de Santarém e o de Leiria para receber enjeitados.

Viveu uma profunda caridade sendo sempre sensível às necessidades dos pobres e excluídos. Viveu o resto da vida em pobreza voluntária, dedicada aos exercícios de piedade e de mortificações.
   
Isabel faleceu a 4 de Julho de 1336, deixando em testamento grandes legados a hospitais e conventos. O povo criou à sua volta uma grande devoção devido o seu ar de santidade, atribuindo-lhe diversos milagres e, assim,  a santa foi canonizada em 1625.

Foram atribuídos muitos milagres, como a cura da sua dama de companhia e de diversos leprosos. Diz-se também que fez com que uma pobre criança cega começasse a ver e que curou numa só noite os graves ferimentos de um criado. No entanto o mais conhecido é o milagre das rosas.

Diz a história que, durante o cerco de Lisboa, D. Isabel estava a distribuir moedas de prata para socorrer os necessitados da zona de Alvalade, quando o marido apareceu. O rei perguntou-lhe: “O que levais aí, Senhora?” Ao que ela, com receio de desgostar a D. Denis, e, como que inspirada pelo céu respondeu: "Levo rosas senhor...” E, abrindo o manto, perante o olhar atônito do rei, não se viram moedas, mas sim rosas encarnadas e frescas.

Milagre das rosas, de Santa Isabel.

Santa Isabel foi beatificada pelo Papa Leão X (breve de 15/04/1516) e em 1625 foi canonizada pelo Papa Urbano VIII.


Santa Isabel de Portugal,
por José Gil de Castro, no Museo
Colonial de San Francisco,
em Santiago, Chile.

Por ordem do bispo D. Afonso de Castelo Branco abriu-se o túmulo real, verificando-se que o corpo da saudosa Rainha estava incorrupto. A canonização solene teve lugar em 1625. Quando esta notícia chegou à cidade realizaram-se grandes festejos que se prolongam até aos nossos dias.

Túmulo de Santa Isabel de Portugal,
no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra.

***

Linda oração de Santa Isabel

Tengo miedo, Señor,
de tener miedo
y no saber luchar.
Tengo miedo, Señor,
de tener miedo
y poderte negar.
Yo te pido, Señor,
que en Tu grandeza
no te olvides de mí;
y me des con Tu amor
la fortaleza
para morir por Ti.


***

Em 2016 comemora-se os 500 anos da beatificação de Santa Isabel de Portugal, padroeira de Coimbra. Seu corpo está incorrupto e encontra-se no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova e, para tal comemoração, seu túmulo será aberto para que os milhares de fiéis possam ver a sua mão que está intacta. Veja a notícia completa aqui.
__________
Fonte: aqui. *
*Eu fiz algumas correções gramaticais e adicionei as imagens também.

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"A oração é uma chave do céu; sobem as preces, desce a divina misericórdia. Por mais baixa que seja a Terra, e alto o Céu, Deus ouve a língua do homem, quando este tem limpa a consciência."