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segunda-feira, 9 de maio de 2016

Sobre a liberdade religiosa

Excerto do livro Acuso o Concílio, de Monsenhor Lefebvre. Capítulo que da fala sobre a Liberdade Religiosa, meio pelo qual o liberalismo quer triunfar no mundo. 

Nenhum assunto foi objeto de uma discussão tão porfiada como o da liberdade religiosa, provavelmente porque não interessava a ninguém como aos inimigos tradicionais da Igreja. É o objetivo maior do liberalismo. Os liberais, maçons, protestantes sabem perfeitamente que por esse meio podem alcançar o coração da Igreja Católica: obrigá-la a aceitar o direito comum das sociedades civis e reduzi-la, assim, a simples seita como as outras e até fazê-la desaparecer, pois a verdade não pode compartilhar seus direitos com o erro sem renegar de si mesmo e, portanto, desaparecer.

Deve-se saber que este assunto foi objeto de um debate dramático na última reunião da Comissão Central Preparatória do Concílio. De fato: foram escritos dois esquemas sobre o mesmo objeto: um pelo Secretariado para a Unidade dirigido pelo cardeal Bea, outro pela Comissão Teológica presidida pelo cardeal Ottaviani. O mero título dos esquemas é significativo: o primeiro, “De libertate religiosa”; o segundo, “De tolerantia religiosa”. Este só fazia eco da doutrina tradicional da Igreja; o outro era a expressão da tese liberal. O choque entre ambos os cardeais não demorou e o cardeal Ruffini pediu que se apelasse à autoridade superior.

De fato, passou-se a consulta dos membros. E já então se pôde ter ideia de quem estava pela conservação da doutrina e de quem estimava que a evolução moderna exigia atitudes novas, ainda que devessem contradizer a doutrina e o magistério constante da Igreja.

Tendo-se rejeitado todos os esquemas no começo do Concílio e vista a composição das comissões, podia se prever que a tese do cardeal Bea fosse a do novo esquema. O bispo de Brujas, Dom de Smedt, devia assinalar-se por sua agressividade e sua tenacidade, ajudado pelos Padres Murray, Congar, Lecrerc.

Eles retomaram exatamente os temas liberais de “dignidade humana”, de “consciência”, de “não coação”, guardando-se bem de definir os termos, de distinguir entre os atos internos e externos, privados e públicos, confundindo a liberdade psicológica com a liberdade moral.

Tudo isso tinha sido estudado pelos moralistas, os canonistas; os Sumos Pontífices cuidaram de fazer todas as distinções necessárias, em particular o Papa Leão XIII em sua encíclica Libertas e também o Papa Pio X. Mas os católicos liberais não têm mais que um objetivo: entender-se com o mundo moderno, satisfazer as aspirações do homem moderno. Já não têm ouvidos para a verdade, o senso comum, a Revelação, o Magistério da Igreja.

Chegam a dizer barbaridades... Assim, o Pe. Congar no boletim Etudes et Documents do Secretariado do episcopado francês (15 de junho de 1965, nº 5, pág. 5): “O novo nesta doutrina com relação ao ensino de Leão XIII e até de Pio XII, ainda que então o movimento se iniciasse, é a determinação do fundamento próprio e próximo desta liberdade, a qual é buscada não na verdade objetiva do bem moral ou religioso senão na qualidade ontológica da pessoa humana”. Assim, a liberdade religiosa não se situa mais com relação a Deus, senão com relação ao homem!... É a ótica liberal.

A frase do esquema citada na intervenção [trata-se da intervenção proposta por Monsenhor Lefebvre, para modificar essa nefasta proposição do Concílio Vaticano II, depositada no Secretariado do Concílio]: “A Igreja Católica reivindica como um direito da pessoa humana, etc.”, é monstruosa e é odioso atribuir essa reivindicação à Igreja Católica.

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