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segunda-feira, 9 de maio de 2016

São Gregório Nazianzeno, Doutor, Bispo e Confessor

São Gregório Nazianzeno é Doutor da Igreja e o retórico mais talentoso da Filosofia Patrística. Seus escritos são muito agradáveis e alcançaram a perfeição linguística. Filósofo, conhecedor dos pensadores clássicos, usou a filosofia helenista como base para a compreensão da manifestação de Cristo. Junto aos irmãos São Basílio MagnoSão Gregório de Nissa, são denominados Padres Capadócios. Era também um excelente orador.

Era filho de um rico proprietário de terras em Arianzo, também chamado Gregório, que foi convertido ao cristianismo pela esposa, mãe de nosso santo, e ordenado bispo numa cidade próxima, Nazianzo, na Capadócia. Eram tempos em que a Igreja ainda não exigia celibato de seus sacerdotes.
São Gregório Nazianzeno teve o melhor estudo acadêmico de sua época. Para isso, foi morar em Cesareia Marítima, depois em Alexandria e Atenas. Ao voltar, em 361, com cerca de 30 anos, foi batizado e ordenado sacerdote por seu pai, que queria-o auxiliando nas funções de sua diocese. Mas ele resistiu e preferiu levar uma vida de ascetismo e retirou-se para o deserto na companhia de São Basílio Magno. 

Este, porém, com insistência estimulava-o a retornar e a ajudar seu pai nas grandes discussões que levantavam-se sobre a Doutrina Cristã, e ele acabou assentindo. Foram nesses primeiros momentos que se puseram à prova sua Sabedoria, oratória e capacidade de conciliação, e ele correspondeu muito bem pondo fim às controvérsias.

Juliano, o imperador de então, que por quase 10 anos em Atenas havia sido amigo de estudos, adolescência e juventude de São Basílio e São Gregório Nazianzeno, agora posicionava-se publicamente contra o cristianismo. Ficou conhecido com 'o apóstata'.

São Gregório escreveu a 'Ofensiva contra Juliano', entre 362 e 363, e declarou que o amor e a paciência iriam converter os governantes imperfeitos, avessos ao cristianismo. Nessa obra ele afirma que, por Jesus, o ser humano é convidado a recuperar sua semelhança divina e à união mística com Deus(Theosis).

Juliano o perseguiu como pôde, mas, em combate contra os persas, acabou morrendo apenas um ano depois. Joviano, que lhe sucedeu, era cristão e ativo defensor da Igreja, permitindo a São Gregório retornar às rotinas. Por esses tempos, o arianismo era a heresia que mais causava problemas, principalmente na Capadócia, e ele fez-lhe forte e vitoriosa oposição. A Igreja então viu nele e em São Basílio importantes figuras de liderança, e, sob o império de Valente, outro cristão, foram ordenados bispos: São Basílio em Cesareia Mazaca, em 370, e São Gregório em Sásima, em 372.

Sásima era uma diocese minúscula, criada estrategicamente por São Basílio para fazer oposição a Antimo, bispo de Tiana, que não combatia o arianismo e disputava com ele a autoridade sobre aquela região. O pai de São Gregório, ainda vivo, teve que insistir para que ele assumisse o bispado, pois sabia da importância de sua presença naquele lugarejo bem como de sua ascensão hierárquica para a Igreja.



São Gregório, porém, que preferia viver como um eremita, a despeito dessa atitude um tanto animosa de São Basílio, acabou aceitando. Mais tarde, descreveria assim sua Cátedra: "... lugarzinho pequeno, absolutamente desprezível; uma irrisória parada de cavalos na estrada principal... sem água, vegetação ou a companhia de cavalheiros... esta era a minha igreja em Sásima!"

Com o envelhecimento e a enfermidade de seu pai, em 372, mesmo contrariando São Basílio, ele voltou a Nazianzo e foi aos poucos assumindo suas funções. É nesse época que faz suas primeiras e conhecidas 'Orações Episcopais'. Em 374, com morte de seu pai e de sua mãe, continuou administrando a diocese, embora tenha-se recusado a aceitar o bispado. Doou toda sua herança aos pobres e continuou a viver concretamente a pobreza evangélica.

Em 375 retornou a Selêucia, e aí retirou-se em um mosteiro até 379, quando faleceu São Basílio. Como não pode ir ao seu funeral, por problemas de saúde, escreveu uma bela carta ao irmão dele, São Gregório, bispo de Nissa, na qual se despede do amigo com dois belíssimos poemas.

Com a morte do imperador Valente em 378, assume Teodósio I, um cristão que sustentava fervorosamente as decisões tomadas pela Igreja no Concílio de Niceia, em 325. Na prática, elas designavam o completo expurgo do arianismo, que ensinava que Jesus não era Deus, e do apolinarismo, que dizia que Jesus havia sido um homem com uma mente divina. Os niceanos, que pelos arianos haviam sido expulsos de Constantinopla, sede do império à época, puderam enfim voltar.

Em 379, São Gregório foi convidado pelos participantes do Concílio de Antioquia e seu arcebispo, Melécio, para viver em Constantinopla. Ele era a pessoa certa para fazer frente aos hereges arianos que ainda persistiam e dominavam algumas igrejas naquela região. Por seu espirito ermitão, inicialmente ele resistiu, mas, sentindo-se chamado, aceitou com resignação. Primeiro, refez a estratégia de São Basílio na região de Tiana: foi morar numa vila próxima à cidade, oferecida por sua prima Teodósia, de onde, de uma pequena igreja que ele chamou de 'Anastasia', fez 5 sermões que marcaram a História da Igreja. Eles versavam fervorosamente em defesa das decisões do Concílio de Niceia.

Como era muito respeitado por sua vida ascética, grandes multidões iam escutá-lo. Fragorosamente derrotados, os arianos ficaram furiosos e tentaram matá-lo na vigília da Páscoa de 379, invadindo armados a pequena igreja. Mas, graças a ajuda do povo, nosso santo conseguiu escapar. Houve mais uma tentativa, que mais tarde descobriu-se como uma armadilha articulada por Pedro, bispo de Alexandria, que desejava o bispado de Constantinopla e temia perder o posto para São Gregório, como tudo indicava.

Escandalizado, São Gregório quis retornar à vida eremítica. Contudo, os que eram-lhe fiéis não o permitiram. Surgem, então, novas críticas, acusando-o de fraqueza. E como ainda havia padres arianos que ocupavam importantes paróquias na diocese de Constantinopla, a situação continuou agitada até quando o imperador Teodósio I resolveu expulsar Demófilo, patriarca de Constantinopla, da Basílica dos Apóstolos, e ordenar São Gregório para substituí-lo.

Acreditando no poder do Espírito Santo para resolver as divisões dentro da Igreja, São Gregório instou Teodósio I para que convocasse o Primeiro Concílio de Constantinopla. Melécio, de arcebispo de Antioquia, foi indicado para presidi-lo, mas veio a falecer durantes os encontros. Eleito São Gregório em seu lugar, e com sua indicação de Paulino para o arcebispado de Antioquia, levantou-se uma forte oposição dos bispos das províncias romanas do Egito e da Alexandria, que, valendo-se das normas hierárquicas, ainda contestavam como havia se dado a 'transferência' de São Gregório de Sásima para Constantinopla.

Reconhecendo esse 'erro' e cansado de tantos atritos, através de um inspirado discurso São Gregório Nazianzeno voltou-se para o imperador e, em nome de algum consenso, surpreendeu a todos com seu pedido de dispensa da presidência do Concílio e do arcebispado de Constantinopla. Comovido, Teodósio I reconheceu seu gesto de grandeza e, diante do difícil desconcerto, aceitou sua renúncia. A maior parte dos bispos do Concílio, no entanto, pediram-lhe que participasse de um ritual de despedida, e foi quando ele proferiu a famosa 'Oração 42'.

Nosso santo contribuiu significativamente para o reconhecimento do Espírito Santo como Deus e assim para a compreensão do Dogma da Santíssima Trindade, exercendo grande influência sobre os padres latinos e gregos. Para ele, o Divino Paráclito estava 'escondido' no Antigo Testamento e manifestou-Se mais claramente após a Ascensão de Jesus, no Pentecostes. Ao defender a consubstancialidade de Jesus com o Pai, lançou com São Basílio e São Gregório de Nissa o conceito de três Pessoas em Um só Deus, e por isso é conhecido também como 'o Teólogo Trinitário'.

Deixou 43 discursos, entre eles os 'Discursos Teológicos'. Escreveu 249 cartas, muitas delas dirigidas a São Basílio, três delas versando contra o apolinarismo. São seus mais de 400 memoráveis poemas sobre dogmas, moral, epitáfios, amigos e sobre si mesmo. Apesar de não ter escrito nenhum tratado ou comentário essencialmente bíblico, ficou conhecido também pelo título de 'o Teólogo'. 

Retornando a Nazianzo, porém, não conseguiu ser dispensado do bispado e teve que fazer frente ao apolinarismo que ali ainda resistia. Ao final de 383, com mais de 60 anos, por conta de sua intensa vida de penitente, alegou falta de condições de saúde para continuar como bispo e aposentou-se. Voltou então para Arianzo, sua terra natal, e aí faleceu em 389. Foi enterrado em Nazianzo, onde o imperador Teodósio ergueu uma sólida e bela igreja em sua homenagem, que ainda hoje pode ser vista, embora transformada numa mesquita.



Em 950, porém, por maior honraria suas relíquias foram levadas para a igreja dos Santos Apóstolos, em Constantinopla. E em 1204, para evitar as profanações dos muçulmanos, oscruzados levaram seus restos mortais para Roma, onde na Basílica de São Pedro foram depositados numa capela própria.


Conhecido por seus esforços pelo reenvidamento do Ecumenismo, em 2004 o Papa São João Paulo II reteve apenas parte delas no Vaticano, e devolveu a outra parte, junto com as relíquias de São João Crisóstomo, a Istambul, antiga Constantinopla, e aí foram guardadas na Catedral de São Jorge, sede do patriarcado.

Fonte: clique aqui.

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