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sábado, 14 de maio de 2016

São Bonifácio, Mártir

São Bonifácio de Tarso, Mártir

No início do século IV vivia em Roma uma senhora jovem, bonita, rica e de alto nível social, chamada Aglaé (ou Aglaida), filha de Acácio, um senador romano. Embora cristã, levava uma vida devassa, ociosa, frívola, em poucas palavras: uma vida anticristã. Ela tinha um empregado chamado Bonifácio, que também era cristão só de nome, mas que não possuía virtudes cristãs, exceto a compaixão pelos pobres e a hospitalidade a estranhos. Com este servo, Aglaé viveu amasiada por muitos anos. Por fim, no entanto, seus olhos se abriram e, reconhecendo o terrível estado de sua alma, começou a temer o castigo divino. Ela, deixando seus vícios e chorando lágrimas amargas por causa deles, confessou-os com grande remorso, e começou uma vida verdadeiramente penitencial. Vendeu todas as suas joias e roupas esplêndidas, apartou-se dos prazeres do mundo e passou a empregar a maior parte de seu tempo em orações, jejum e outras obras de penitência.


Como ela, no entanto, tinha sido a causa de queda de Bonifácio, não se via satisfeita com a sua própria conversão, mas quis convencê-lo a seguir seu exemplo. Bonifácio também se converteu e, incontáveis vezes lamentando seus pecados, agradeceu a Deus por não ter sido levado em meio a eles. Não ter se penitenciado antes, a seus olhos, era grave, e o que ele não faria contentemente para mortificar agora o seu corpo com o qual outrora tinha feito tantos males!

Depois de algum tempo em que ambos passaram em penitências, Aglaé disse a Bonifácio: "Você sabe o quão profundamente nós dois ofendemos a Deus, e como perdemos toda a Sua graça. Por isso, é necessário que nos esforcemos para obter intercessões poderosas. Foi-me dito que, quando honramos as relíquias dos santos mártires, honramos os próprios mártires e assim obtemos sua intercessão junto a Deus, que devem ser muito poderosas. Vamos então tentar obter alguma relíquia sagrada. Gostaria de construir uma igreja para a memória de um mártir para que, assim honrado, ele possa rogar por nós a Deus e obter a remissão dos nossos pecados."

Bonifácio ficou muito satisfeito com este projeto, e como ele tinha ouvido dizer que em Tarso, na Cilícia, os cristãos estavam sendo cruelmente martirizados e seus corpos vendidos, decidiu ir para lá em sua missão sagrada. Aglaé forneceu-lhe dinheiro suficiente e deu-lhe também vários criados para auxiliá-lo. Ao despedir-se dela, chegou a dizer em tom de gracejo: "A senhora me envia para lhe trazer as relíquias de um santo mártir; o que me diria se Deus me concedesse a graça de me tornar um mártir e recebesse meu corpo? Receberia de volta meu corpo (feito relíquia)?" Aglaé o repreendeu: "Não é hora para brincadeiras, e a coroa do martírio não é destinada a um tão grande pecador. Vá e cumpra nosso objetivo..." Bonifácio então partiu em sua viagem, durante a qual orou e jejuou sinceramente arrependido de seus pecados, desejando que pudesse dar a sua vida em expiação deles.

Em sua chegada a Tarso, Bonifácio deixou seus servos na pousada, enquanto ele próprio foi à rua procurar um cristão capaz de lhe dar as informações que desejava. Chegado ao mercado local, de imediato presenciou a tortura de vinte cristãos por causa de sua fé. Ele permaneceu por algum tempo olhando para eles sem esboçar qualquer reação e, de repente, tão intenso o desejo de sofrer por amor de Cristo encheu seu coração que lhe era impossível permanecer quieto. Avançando por entre a multidão em volta dos mártires, abraçou os que ainda eram espancados, pedindo-lhes em alta voz a perseverarem. "A luta, o esforço", disse ele, "são curtos; mas a recompensa e o descanso são eternos. Seu martírio logo acabará, mas a felicidade que vos espera nunca terminará. Rezo por vocês, servos de Deus", acrescentou, "para que sejam meus intercessores junto a Cristo, e obtenham para mim, que sou um grande pecador, a graça de participar de seu martírio e sua vitória."

Simpliciano, o governador local, ouviu e viu Bonifácio, e então mandou trazê-lo à sua presença para lhe interrogar quem era e como ousava agir e falar como ele tinha feito. "Sou um cristão ", respondeu Bonifácio, "e alegra-me que esses cristãos tenham a glória de morrer por causa de Cristo. Desejo lograr a mesma sorte deles." A estas palavras, o governador se enfureceu, e ordenou que Bonifácio fosse rasgado cruelmente com ganchos, que foram então inseridos entre as unhas e a carne, e depois disso, fosse entornado chumbo derretido em sua boca. Durante este padecimento, o heróico confessor de Cristo levantou os olhos para o céu e gritou: "Dou graças a Vós, Jesus Cristo, pois me considerastes digno de sacrificar o meu corpo e vida por Vós. Ajudai vosso servo e fortalecei-o com Vossa graça."

Simpliciano se irritou mais ainda ao ver o santo escapar ileso das torturas anteriores, e ordenou que o santo fosse lançado num caldeirão cheio de alcatrão fervente. Ao ser jogado ao fluido em ebulição, Bonifácio persignou a si mesmo e ao caldeirão, e imediatamente o recipiente e o líquido incandescente entornaram, queimando gravemente os demais presentes. O governador, já fora de si, não tinha nenhum outro recurso para fazer cair o herói invencível senão decapitá-lo. Antes de Bonifácio receber o golpe mortal, ele rezou ao Onipotente de joelhos: "Senhor, não vos lembreis de meus erros. Arrependo-me deles de todo o meu coração. Recebei o sacrifício da minha vida, do qual me destes a graça de fazê-lo por Vós. Iluminai e convertei todos os que aqui estão presentes." Assim, o destemido herói cristão destemido terminou sua vida.

Enquanto isso, seus servos não sabiam onde o seu senhor estava, e como estivesse tanto tempo ausente, procuraram por ele em diferentes lugares e, descrevendo suas roupas, sua altura e figura, perguntavam a todos se o conheciam e se tinham visto um homem assim. No dia seguinte, foram informados de que um homem com tais características havia sido decapitado por não renunciar à fé cristã. Os servos, assustados, olharam um para o outro e, por fim, foram ao local da execução, onde os corpos dos santos mártires ainda jaziam, ao que encontraram o corpo e a cabeça de seu superior. Eles choraram num misto de alegria e tristeza e, de antemão, decidiram-se a não reaver nenhum outro corpo, mas o de São Bonifácio, e levá-lo a Roma. O resgate foi pago por 500 unidades de ouro e, depois de as relíquias sagradas serem limpas e embalsamadas, eles as trouxeram a Roma.

Aglaé, que havia sido informada por uma visão celestial de todos os fatos ocorridos, foi se encontrar com os moços, e reverentemente recebeu o tesouro, colocando-o num túmulo precioso, construindo uma magnífica capela junto dele. Aglaé viveu mais 13 anos em constante penitência, numa pequena habitação erguida perto da capela dedicada a São Bonifácio, ao fim morrendo na paz do Senhor.

Fonte: Pale Ideas.

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