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domingo, 29 de maio de 2016

Santa Maria Madalena de Pazzi, Virgem

Em 25 de maio de 2007, celebrou-se o quarto centenário da morte de Santa Maria Madalena de' Pazzi (1566-1607), carmelita florentina e mestra de vida espiritual. Tamanha era a fama de sua santidade entre o povo e o clero que, muito cedo, em 1611, deu-se início a seu processo de beatificação. Importantes estudiosos afirmam que "Maria Madalena de' Pazzi, ao lado de Ângela de Foligno e de Catarina de Sena, é, entre as santas italianas, a escritora espiritual mais conhecida".

Numa das famílias de maior destaque da nobreza florentina (de Florença, Itália), Catarina nasceu em 2 de abril de 1566, segunda filha deCamillo di Geri de' Pazzi e Maria Buondelmonti. Em dois períodos (de 1574 a 1578 e de 1580 a 1581), foi educanda em San Giovannino, pelas Cavaleiras de Malta.

Sua origem nobre lhe permitia acesso tanto à luxúria quanto às bibliotecas e benfeitorias da corte da família De Médici, que governava o Ducado de Toscana. Sua sensibilidade foi atraída pelo aprendizado material e espiritual, abrindo mão dos prazeres terrenos, do luxo e das vaidades que a nobreza proporcionava. Assim, ao contrário do desejo dos pais, fez a primeira comunhão aos dez anos, coisa nada normal para a época. Dias depois, se entregou para sempre ao Senhor com uma promessa de virgindade. Seus pais a pressionaram para que se casasse, porém ela se negou por ser fiel à sua vocação religiosa.

Na idade de 16 anos, entrou para a Ordem das Carmelitas Descalças (17 de novembro de 1582), no convento de Santa Maria dos Anjos de Florença, logo após o final do Concílio de Trento (1545-1563). Recebeu o hábito em 1583, tomando o nome de Maria Madalena. Em 29 de maio de 1584, estando tão doente que se temia que não se recuperasse, fez sua profissão como religiosa.

Os primeiros cinco anos de vida monástica são os mais conhecidos da biografia de Santa Maria Madalena. No grande Carmelo de Santa Maria dos Anjos (o mais antigo da Ordem), com quase oitenta monjas no período em que viveu Madalena, várias delas tinham um elevado perfil espiritual, desde a Madre Evangelista del Giocondo até a Irmã Pacifica del Tovaglia, amiga e uma das principais "secretárias" da santa.

Desde que recebeu o hábito até sua morte, experimentou uma série de êxtases. Depois de sua profissão, experimentou êxtases diários por 40 dias consecutivos. Ao final deste tempo, parecia estar perto da morte. Entretanto, se recuperou milagrosamente, pela intercessão da Beata Maria Bartolomea Bagnesi, dominicana, cujo corpo incorrupto estava sepultado no Convento de Santa Maria dos Anjos.

Dai em diante, apesar de sua saúde precária, pôde cumprir com esmero as obrigações que lhe destinaram, e praticar uma dura penitência.


A Santa aos 16 anos


Algumas características de seus êxtases: às vezes eram tão fortes que a induziam a movimentos rápidos (por exemplo, em direção a um objeto sagrado); frequentemente podia, em êxtase, levar a cabo seu trabalho com perfeita compostura e eficiência; durante seus momentos de êxtase, expressava máximas do amor divino e conselhos para a perfeição das almas, especialmente para as religiosas - estas foram copiadas por suas irmãs religiosas; às vezes ela falava em seu nome, outras em nome de uma ou de outra Pessoa da Santíssima Trindade; os estados de êxtases não interferiam no serviço da santa no convento - manifestava um forte sentido comum, um governo estrito e disciplinado, acompanhado por uma grande caridade, o que a fez muito amada até sua morte. Para que suas revelações divinas não se perdessem, seu superior ordenou que três irmãs anotassem fielmente as palavras que saiam de sua boca durante os êxtases. Um volumoso livro foi escrito com essas premonições e mensagens, e ela de próprio punho escreveu muitas cartas dirigidas a papas e príncipes contendo ensinamentos e orientações.

Por cerca de vinte anos, ela viveu ocupada silenciosamente com essa mistura de oração e trabalho, que é própria da vida monástica. Depois de ter sido responsável pela acolhida das jovens que vinham para o alojamento de forasteiras (1586-1589), ela esteve ligada, de várias maneiras, à formação das jovens a partir de 1589, até se tornar sub-prioresa, a partir de 1604.

A Santa fez muitos milagres e possuía dons extraordinários. Como mestra de noviças era notável seu milagroso dom de ler as mentes, não apenas das noviças, como também de pessoas fora do convento. Com frequência, via as coisas à distância. Conta-se que em uma ocasião viu milagrosamente Santa Catarina de Ricci em seu convento de Prato lendo uma carta que lhe havia enviado e escrevendo a resposta, embora nunca se tivessem conhecido de maneira natural. Tinha também o dom de profecia e de cura.

Deus permitiu que ela sofresse a prova de uma terrível desolação interna, fortes tentações e ataques diabólicos externos por cinco anos (1585-90). Venceu a prova por sua valente adesão ao Senhor e sua humildade, cresceu em virtude e depois experimentou grande consolação.

Santa Maria Madalena de Pazzi era chamada a rezar e fazer penitência pela reforma de "todos os estados de vida na Igreja" e pela conversão de todos os homens. Ensinou que o sofrimento nos leva a um profundo nível espiritual e ajuda a salvar a alma. Por isso, amava o sofrimento por amor de Deus e pela salvação das almas.

A mística da Santa, na escola de Santa Catarina de Sena, é uma mística que chama à conversão todo o povo de Deus, não para repreendê-lo, mas para que, diante do Espírito Santo que bate à porta, alguém se abra a esse dom.

Nos três últimos anos de vida, ficou inválida com grandes sofrimentos, que aceitou com alegria heroica até o fim. Morreu no convento, em 25 de maio de 1607, aos quarenta e um anos de idade.

Inúmeros milagres ocorreram depois de sua morte. Beatificada em 8 de maio de 1626 pelo Papa Urbano VIII, foi canonizada em 28 de abril de 1669 pelo Papa Clemente IX. Seu corpo incorrupto permanece na igreja de Santa Maria dos Anjos em Florença. 

Seu zelo pelas almas não tinha limites. Gritava pelos corredores do Mosteiro de Florença:“Almas, Senhor, dá-me almas!”. Seu grande anelo está plasmado nesta frase: “Jesus meu: dá-me uma voz potente que a ouça o mundo inteiro. Nosso amor próprio é o que nos ofusca o Vosso conhecimento… amor próprio que é contrário ao Vosso, Senhor… Amor, faz com que as criaturas não amem outra coisa senão a Ti”!

Oração

Ó Deus, que tanto prezais a virgindade e adornastes com tantos dons a Beata Virgem Maria Madalena, abrasada de amor para convosco, fazei que possamos imitar na pureza e caridade aquela cuja festa celebramos. Por N.S.J.C. Amem. 

(Goffiné. Manual do Cristão. 1944. Próprio dos Santos).

Imagens de Santa Maria Madalena de Pazzi
Corpo incorrupto de St. Maria Madalena de Pazzi




Visão de Santa Maria Madalena de Pazzi


Relicário contendo um pedaço do silício da santa.



Fonte: Pale Ideas.

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