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terça-feira, 31 de maio de 2016

Festa de Nossa Senhora Rainha

Festa de Primeira Classe
Paramentos Brancos


Coroação de Nossa Senhora como Rainha do Céu e da Terra.


"Com a nossa autoridade apostólica decretamos e instituímos a festa de Maria rainha, para ser celebrada cada ano em todo o mundo no dia 31 de maio. Ordenamos igualmente que no mesmo dia se renove a consagração do gênero humano ao seu coração imaculado. Tudo isso nos incute grande esperança de que há de surgir nova era, iluminada pela paz cristã e pelo triunfo da religião." Papa Pio XII, em sua carta encíclica Ad Caeli Reginam, de 1954.

Para ler a encíclica Ad Caeli Reginam completa, clique aqui.




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Inimicitias ponam inter te et mulierem … Ipasa conteret caput tuum – “Porei inimizade entre ti e a mulher… Ela te esmagará a cabeça” (Gn 3, 15)



Com muita razão a Santíssima Virgem é comparada a um posto em ordem de batalha, porque ela sabe ordenar o seu poder e a sua misericórdia para confusão dos inimigos infernais e benefício dos seus devotos. Felizes de nós, se nas tentações recorrermos sempre a esta divina Mãe, invocando o seu doce nome juntamente com o de Jesus. O obséquio mais agradável a Maria é: recomendarmo-nos muitas vezes a ela e metermo-nos debaixo da sua proteção: Sub tuum praesidium confugimos, sancta Dei Genitrix – “Sob tua proteção nos refugiamos, ó santa Mãe de Deus!”

I. Maria Santíssima não é só Rainha do céu e dos Santos, mas também do inferno e dos demônios, por tê-los vencido intrepidamente com as suas virtudes. Todos os Santos Padres concordam em dizer que a Bem-aventurada Virgem é aquela mulher poderosa, prometida por Deus desde o princípio do mundo, a qual, juntamente com o Filho, deveria estar em perpétua inimizade com a serpente infernal e, a seu tempo, havia de lhe esmagar a cabeça, abatendo-lhe o orgulho. Por isso Lúcifer se vê constrangido a ficar prostrado debaixo dos pés de Maria. – O espírito maligno, para vingar a sua derrota, vira toda a sua sanha contra os devotos da divina Mãe; esta, porém, não permite que lhes cause o menor dano.

Maria foi figurada na coluna, ora de nuvem, ora de fogo, que guiava o povo escolhido para a terra prometida (1). A coluna representava os dois ofícios que a Virgem exercita continuamente para o nosso bem. Como nuvem, ela nos protege do ardor da divina justiça, e como fogo, nos defende dos demônios. Assim como os homens caem na terra quando um raio do céu lhes parece cair sobre eles, assim caem abatidos os espíritos rebeldes só ao ouvirem o nome de Maria.

Pela mesma razão a Virgem é chamada pelo divino Esposo terrível contra o poder do inferno: como um exército bem ordenado: Terribilis ut castrorum acies ordinata (2). Ela sabe ordenar bem o seu poder, a sua misericórdia e os seus rogos para confusão dos inimigos e benefício dos seus servos, que nas tentações invocam o seu poderosíssimo socorro. Como foi revelado a Santa Brígida, o orgulhoso Lúcifer antes queria que se lhe multiplicassem as penas do que ver-se dominado pelo poder de uma mulher. Feliz, pois, aquele que nas lutas com o inferno recorre sempre à divina Mãe e invoca o belo nome de Maria.

II. Habitua-te à bela prática de invocar sempre os nomes santíssimos de Jesus e Maria em todas as tuas necessidades, nos perigos de ofenderes a Deus e especialmente nas tentações contra a pureza (3). Digo que entre todos os obséquios que possamos prestar à Santíssima Virgem, nenhum agrada tanto a nossa Mãe como o recorrermos frequentemente à sua intercessão e colocarmo-nos debaixo da sua poderosa proteção: Sub tuum praesidium confugimos, sancta Dei Genitrix – “Sob a tua proteção nos refugiamos, santa Mãe de Deus”.

Eis aqui a vossos pés, ó Maria, minha esperança, este pobre pecador, que tantas vezes por sua culpa se fez escravo do inferno. Reconheço que me deixei vencer pelos demônios, porque não recorri a vós, meu refúgio. Se eu tivesse recorrido sempre a vós, e vos tivesse invocado, nunca teria caído. Espero, Senhora minha amabilíssima, que por vosso intermédio já estou livre das mãos do demônio e que Deus me perdoou. Mas temo que no futuro venha a cair de novo no cativeiro do inferno. Sei que meus inimigos ainda não perderam a esperança de me tornar a vencer. Já me preparam nossos assaltos e novas tentações. Ah! Minha Rainha e meu refúgio, ajudai-me metei-me debaixo de vosso manto; não permitais que torne a ser escravo dos demônios.


Sei que vos me ajudareis e me fareis vitorioso, sempre que eu vos invocar. É este, porém, o meu receio, receio de que nas tentações eu me esqueça de chamar por vós. Eis, portanto, a graça que vos peço e de vós espero, oh Virgem Santíssima, que eu me lembre sempre de vós, especialmente quanto estiver em luta com o demônio. Fazei com que então não deixe de vos invocar frequentemente, dizendo: Maria, ajudai-me, ajudai-me, Maria! – E quando chegar finalmente o dia da minha última contenda com o inferno, na hora da minha morte, ah, Senhora e Rainha, assisti-me então muito mais e lembrai-me de vos invocar então com mais frequência, com os lábios ou com o coração, afim de que, com o vosso dulcíssimo nome e com o de vosso Filho Jesus na boca, possa ir bendizer-vos e louvar-vos, para nunca mais me apartar dos vossos pés por toda a eternidade, lá no paraíso.


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Pv 12, 21
Fl 4, 7
Indulgência de 25 dias cada vez que se invoca devotamente o santíssimo nome de Jesus, e outros tantos pela devota invocação do nome de Maria.


Meditações

Santo Afonso Maria de Ligório

segunda-feira, 30 de maio de 2016

"Eu preferiria morrer a fazer algo que sei ser um pecado, ou contra a vontade de Deus." 
Santa Joana d'Arc

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Festa de Quarta Classe
Paramentos Verdes


Epístola

I São João 3, 13-18
13. Não vos admireis, irmãos, se o mundo vos odeia. 14. Nós sabemos que fomos trasladados da morte para a vida, porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte. 15. Quem odeia seu irmão é assassino. E sabeis que a vida eterna não permanece em nenhum assassino. 16. Nisto temos conhecido o amor: (Jesus) deu sua vida por nós. Também nós outros devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos. 17. Quem possuir bens deste mundo e vir o seu irmão sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu coração, como pode estar nele o amor de Deus? 18. Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas por atos e em verdade.


Santo Evangelho

São Lucas 14, 16-24
16. Respondeu-lhe Jesus: Um homem deu uma grande ceia e convidou muitas pessoas. 17. E à hora da ceia, enviou seu servo para dizer aos convidados: Vinde, tudo já está preparado. 18. Mas todos, um a um, começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um terreno e preciso sair para vê-lo; rogo-te me dês por escusado. 19. Disse outro: Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las; rogo-te me dês por escusado. 20. Disse também um outro: Casei-me e por isso não posso ir. 21. Voltou o servo e referiu isto a seu senhor. Então, irado, o pai de família disse a seu servo: Sai, sem demora, pelas praças e pelas ruas da cidade e introduz aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos. 22. Disse o servo: Senhor, está feito como ordenaste e ainda há lugar. 23. O senhor ordenou: Sai pelos caminhos e atalhos e obriga todos a entrar, para que se encha a minha casa. 24. Pois vos digo: nenhum daqueles homens, que foram convidados, provará a minha ceia.


Salve Maria Rainha!
Viva Cristo Rei!

Santa Joana d'Arc, Virgem e Mártir

Santa Joana d'Arc, com sua armadura de guerreira.
Filha de Jaques d'Arc e Isabel, camponeses muito pobres, Joana nasceu em Domrémy, na região francesa de Lorena, em 6 de janeiro de 1412. Cresceu no meio rural, piedosa, devota e analfabeta, assinava seu nome utilizando uma simples, mas significativa, cruz. Significativa porque já aos treze anos começou a viver experiências místicas.

Ouvia as "vozes" do arcanjo Miguel, das santas Catarina de Alexandria e Margarida de Antioquia, avisando que ela teria uma importante missão pela frente e deveria preparar-se para ela. Os pais, no início, não deram importância , depois acharam que estava louca e por fim acreditaram, mas temeram por Joana.

A França vivia a Guerra dos Cem Anos com a Inglaterra, governada por Henrique VI. Os franceses estavam enfraquecidos com o rei deposto e os ingleses tentando firmar seus exércitos para tomar de vez o trono. As mensagens que Joana recebia exigiam que ela expulsasse os invasores, reconquistasse a cidade de Orleans e reconduzisse ao trono o rei Carlos VII, para ser coroado na catedral de Reims, novamente como legítimo rei da França. A ordem para ela não parecia impossível, bastava cumpri-la, pois tinha certeza de que Deus estava a seu lado. O problema maior era conseguir falar pessoalmente com o rei deposto.

Conseguiu aos dezoito anos de idade. Carlos VII só concordou em seguir seus conselhos quando percebeu que ela realmente tinha por trás de si o sinal de Deus. Isso porque Joana falou com o rei sobre assuntos que na verdade eram segredos militares e de Estado, que ninguém conhecia, a não ser ele. Deu-lhe, então, a chefia de seus exércitos. Joana vestiu armadura de aço, empunhou como única arma uma bandeira com a cruz e os nomes de Jesus e Maria nela bordados, chamando os comandantes à luta pela pátria e por Deus.

E o que aconteceu na batalha que teve aquela figura feminina, jovem e mística, que nada entendia de táticas ou estratégias militares, à frente dos soldados, foi inenarrável. Os franceses sitiados reagiram e venceram os invasores ingleses, livrando o país da submissão.
Carlos VII foi, então, coroado na catedral de Reims, como era tradição na realeza francesa.

A luta pela reconquista demorara cerca de um ano e ela desejava voltar para sua vida simples no campo. Mas o rei exigiu que ela continuasse comandando os exércitos na reconquista de Paris. Ela obedeceu, mas foi ferida e também traída, sendo vendida para os ingleses, que decidiram julgá-la por heresia. Num processo religioso grotesco, completamente ilegal, foi condenada à fogueira como "feiticeira, blasfema e herética". Tinha dezenove anos e morreu murmurando os nomes de Jesus e Maria, em 30 de maio de 1431, diante da comoção popular na praça do Mercado Vermelho, em Rouen.

Não fossem os fatos devidamente conhecidos e comprovados, seria difícil crer na existência dessa jovem mártir, que sacrificou sua vida pela libertação de sua pátria e de seu povo. Vinte anos depois, o processo foi revisto pelo papa Calisto III, que constatou a injustiça e a reabilitou. Joana d'Arc foi canonizada em 1920 pelo papa Bento XV, sendo proclamada padroeira da França. O dia de hoje é comemorado na França como data nacional, em memória de santa Joana d'Arc, mártir da pátria e da fé.

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[Reflexão minha] A história de Joana d'Arc me fez lembrar das feministas. Como em anos tão remotos, em 1412, uma mulher conseguiu realizar tantos feitos? Como uma camponesa conseguiu convencer um rei de suas visões? Como uma simples e reles mulher do campo conseguiu liderar todo um exército de centenas de milhares de homens, sem experiência alguma, durante um ano, e mesmo assim, obter vitória de uma guerra, e restabelecer a união da França? Eu lembrei das feministas porque as mesmas tem um discurso já decorado de que, atualmente, as mulheres só estudam porque muitas mulheres morreram queimadas, porque muitas mulheres queimaram seus sutiãs em protestos e que, por causa disso, as mulheres são livres. Como se a dignidade da mulher viesse a partir disso. Que grande bobagem! Basta olhar o exemplo de Joana e de inúmeras outras mulheres de destaque em tempos antiquíssimos, como Santa Hildegarda, Santa Teresa de Jesus, Santa Maria Madalena de Pazzi, Santa Catarina de Sena... a lista é grande. E nenhuma dessas precisou de feminismo, nem de queimarem sutiãs. A dignidade da mulher sempre foi pautada em sua essência. Por que nascem homens e por que nascem mulheres? Ora, algum propósito há nisso. Desde os primórdios dos tempos sabemos que um homem precisa se unir a mulher para gerarem filhos, que a mulher cuida da casa e dos filhos e o homem vai buscar o sustento e depois volta para o aconchego do lar, ao lado de sua mulher e filhos. Isso é desde os primórdios dos tempos e não tem feminista que mudará isso. 
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Fonte: aqui.

domingo, 29 de maio de 2016

Santa Maria Madalena de Pazzi, Virgem

Em 25 de maio de 2007, celebrou-se o quarto centenário da morte de Santa Maria Madalena de' Pazzi (1566-1607), carmelita florentina e mestra de vida espiritual. Tamanha era a fama de sua santidade entre o povo e o clero que, muito cedo, em 1611, deu-se início a seu processo de beatificação. Importantes estudiosos afirmam que "Maria Madalena de' Pazzi, ao lado de Ângela de Foligno e de Catarina de Sena, é, entre as santas italianas, a escritora espiritual mais conhecida".

Numa das famílias de maior destaque da nobreza florentina (de Florença, Itália), Catarina nasceu em 2 de abril de 1566, segunda filha deCamillo di Geri de' Pazzi e Maria Buondelmonti. Em dois períodos (de 1574 a 1578 e de 1580 a 1581), foi educanda em San Giovannino, pelas Cavaleiras de Malta.

Sua origem nobre lhe permitia acesso tanto à luxúria quanto às bibliotecas e benfeitorias da corte da família De Médici, que governava o Ducado de Toscana. Sua sensibilidade foi atraída pelo aprendizado material e espiritual, abrindo mão dos prazeres terrenos, do luxo e das vaidades que a nobreza proporcionava. Assim, ao contrário do desejo dos pais, fez a primeira comunhão aos dez anos, coisa nada normal para a época. Dias depois, se entregou para sempre ao Senhor com uma promessa de virgindade. Seus pais a pressionaram para que se casasse, porém ela se negou por ser fiel à sua vocação religiosa.

Na idade de 16 anos, entrou para a Ordem das Carmelitas Descalças (17 de novembro de 1582), no convento de Santa Maria dos Anjos de Florença, logo após o final do Concílio de Trento (1545-1563). Recebeu o hábito em 1583, tomando o nome de Maria Madalena. Em 29 de maio de 1584, estando tão doente que se temia que não se recuperasse, fez sua profissão como religiosa.

Os primeiros cinco anos de vida monástica são os mais conhecidos da biografia de Santa Maria Madalena. No grande Carmelo de Santa Maria dos Anjos (o mais antigo da Ordem), com quase oitenta monjas no período em que viveu Madalena, várias delas tinham um elevado perfil espiritual, desde a Madre Evangelista del Giocondo até a Irmã Pacifica del Tovaglia, amiga e uma das principais "secretárias" da santa.

Desde que recebeu o hábito até sua morte, experimentou uma série de êxtases. Depois de sua profissão, experimentou êxtases diários por 40 dias consecutivos. Ao final deste tempo, parecia estar perto da morte. Entretanto, se recuperou milagrosamente, pela intercessão da Beata Maria Bartolomea Bagnesi, dominicana, cujo corpo incorrupto estava sepultado no Convento de Santa Maria dos Anjos.

Dai em diante, apesar de sua saúde precária, pôde cumprir com esmero as obrigações que lhe destinaram, e praticar uma dura penitência.


A Santa aos 16 anos


Algumas características de seus êxtases: às vezes eram tão fortes que a induziam a movimentos rápidos (por exemplo, em direção a um objeto sagrado); frequentemente podia, em êxtase, levar a cabo seu trabalho com perfeita compostura e eficiência; durante seus momentos de êxtase, expressava máximas do amor divino e conselhos para a perfeição das almas, especialmente para as religiosas - estas foram copiadas por suas irmãs religiosas; às vezes ela falava em seu nome, outras em nome de uma ou de outra Pessoa da Santíssima Trindade; os estados de êxtases não interferiam no serviço da santa no convento - manifestava um forte sentido comum, um governo estrito e disciplinado, acompanhado por uma grande caridade, o que a fez muito amada até sua morte. Para que suas revelações divinas não se perdessem, seu superior ordenou que três irmãs anotassem fielmente as palavras que saiam de sua boca durante os êxtases. Um volumoso livro foi escrito com essas premonições e mensagens, e ela de próprio punho escreveu muitas cartas dirigidas a papas e príncipes contendo ensinamentos e orientações.

Por cerca de vinte anos, ela viveu ocupada silenciosamente com essa mistura de oração e trabalho, que é própria da vida monástica. Depois de ter sido responsável pela acolhida das jovens que vinham para o alojamento de forasteiras (1586-1589), ela esteve ligada, de várias maneiras, à formação das jovens a partir de 1589, até se tornar sub-prioresa, a partir de 1604.

A Santa fez muitos milagres e possuía dons extraordinários. Como mestra de noviças era notável seu milagroso dom de ler as mentes, não apenas das noviças, como também de pessoas fora do convento. Com frequência, via as coisas à distância. Conta-se que em uma ocasião viu milagrosamente Santa Catarina de Ricci em seu convento de Prato lendo uma carta que lhe havia enviado e escrevendo a resposta, embora nunca se tivessem conhecido de maneira natural. Tinha também o dom de profecia e de cura.

Deus permitiu que ela sofresse a prova de uma terrível desolação interna, fortes tentações e ataques diabólicos externos por cinco anos (1585-90). Venceu a prova por sua valente adesão ao Senhor e sua humildade, cresceu em virtude e depois experimentou grande consolação.

Santa Maria Madalena de Pazzi era chamada a rezar e fazer penitência pela reforma de "todos os estados de vida na Igreja" e pela conversão de todos os homens. Ensinou que o sofrimento nos leva a um profundo nível espiritual e ajuda a salvar a alma. Por isso, amava o sofrimento por amor de Deus e pela salvação das almas.

A mística da Santa, na escola de Santa Catarina de Sena, é uma mística que chama à conversão todo o povo de Deus, não para repreendê-lo, mas para que, diante do Espírito Santo que bate à porta, alguém se abra a esse dom.

Nos três últimos anos de vida, ficou inválida com grandes sofrimentos, que aceitou com alegria heroica até o fim. Morreu no convento, em 25 de maio de 1607, aos quarenta e um anos de idade.

Inúmeros milagres ocorreram depois de sua morte. Beatificada em 8 de maio de 1626 pelo Papa Urbano VIII, foi canonizada em 28 de abril de 1669 pelo Papa Clemente IX. Seu corpo incorrupto permanece na igreja de Santa Maria dos Anjos em Florença. 

Seu zelo pelas almas não tinha limites. Gritava pelos corredores do Mosteiro de Florença:“Almas, Senhor, dá-me almas!”. Seu grande anelo está plasmado nesta frase: “Jesus meu: dá-me uma voz potente que a ouça o mundo inteiro. Nosso amor próprio é o que nos ofusca o Vosso conhecimento… amor próprio que é contrário ao Vosso, Senhor… Amor, faz com que as criaturas não amem outra coisa senão a Ti”!

Oração

Ó Deus, que tanto prezais a virgindade e adornastes com tantos dons a Beata Virgem Maria Madalena, abrasada de amor para convosco, fazei que possamos imitar na pureza e caridade aquela cuja festa celebramos. Por N.S.J.C. Amem. 

(Goffiné. Manual do Cristão. 1944. Próprio dos Santos).

Imagens de Santa Maria Madalena de Pazzi
Corpo incorrupto de St. Maria Madalena de Pazzi




Visão de Santa Maria Madalena de Pazzi


Relicário contendo um pedaço do silício da santa.



Fonte: Pale Ideas.

Segundo Domingo depois de Pentecostes

Festa de Segunda Classe
Paramentos Verdes

Epístola

I São João 3, 13-18 
13. Não vos admireis, irmãos, se o mundo vos odeia. 14. Nós sabemos que fomos trasladados da morte para a vida, porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte. 15. Quem odeia seu irmão é assassino. E sabeis que a vida eterna não permanece em nenhum assassino. 16. Nisto temos conhecido o amor: (Jesus) deu sua vida por nós. Também nós outros devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos. 17. Quem possuir bens deste mundo e vir o seu irmão sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu coração, como pode estar nele o amor de Deus? 18. Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas por atos e em verdade.

Santo Evangelho 

L’Invitation au festin ( La invitación al banquete), Eugène Burnand (suizo, 1899)
São Lucas 14, 16-24 
16. Respondeu-lhe Jesus: Um homem deu uma grande ceia e convidou muitas pessoas. 17. E à hora da ceia, enviou seu servo para dizer aos convidados: Vinde, tudo já está preparado. 18. Mas todos, um a um, começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um terreno e preciso sair para vê-lo; rogo-te me dês por escusado. 19. Disse outro: Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las; rogo-te me dês por escusado. 20. Disse também um outro: Casei-me e por isso não posso ir. 21. Voltou o servo e referiu isto a seu senhor. Então, irado, o pai de família disse a seu servo: Sai, sem demora, pelas praças e pelas ruas da cidade e introduz aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos. 22. Disse o servo: Senhor, está feito como ordenaste e ainda há lugar. 23. O senhor ordenou: Sai pelos caminhos e atalhos e obriga todos a entrar, para que se encha a minha casa. 24. Pois vos digo: nenhum daqueles homens, que foram convidados, provará a minha ceia.

Salve Maria Rainha!
Viva Cristo Rei!

sábado, 28 de maio de 2016

Epístola


Tessalonisences 2, 2-9
2 Apesar de maltratados e ultrajados em Filipos, como sabeis, ousamos, confiados em nosso Deus, pregar-vos o Evangelho de Deus em meio de muitas lutas. 3 A nossa pregação não provém de erro, nem de intenções fraudulentas, nem de engano. 4 Mas, como Deus nos julgou dignos de nos confiar o Evangelho, falamos, não para agradar aos homens, e sim a Deus, que sonda os nossos corações. 5 Com efeito, nunca usamos de adulação, como sabeis, nem fomos levados por fins interesseiros. Deus é testemunha. 6 Não buscamos glórias humanas, nem de vós nem de outros. 7 Na qualidade de apóstolos de Cristo, poderíamos apresentar-nos como pessoas de autoridade. Todavia, nos fizemos discretos no meio de vós. Como a mãe a acariciar os seus filhinhos, 8 assim, em nossa ternura por vós, desejávamos não só comunicar-vos o Evangelho de Deus, mas até a nossa própria vida, porquanto nos sois muito queridos. 9 Vós vos lembrais, irmãos, dos nossos trabalhos e de nossa fadiga. Trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós, pregamo-vos o Evangelho de Deus.

Santo Evangelho 


Grande é a messe, mas poucos são os operários.



São Lucas 10, 1-9
1 Depois disso, designou o Senhor ainda setenta e dois outros discípulos e mandou-os, dois a dois, adiante de si, por todas as cidades e lugares para onde ele tinha de ir. 2 Disse-lhes: Grande é a messe, mas poucos são os operários. Rogai ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe. 3 Ide; eis que vos envio como cordeiros entre lobos. 4 Não leveis bolsa nem mochila, nem calçado e a ninguém saudeis pelo caminho. 5 Em toda casa em que entrardes, dizei primeiro: Paz a esta casa! 6 Se ali houver algum homem pacífico, repousará sobre ele a vossa paz; mas, se não houver, ela tornará para vós. 7 Permanecei na mesma casa, comei e bebei do que eles tiverem, pois o operário é digno do seu salário. Não andeis de casa em casa. 8 Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei o que se vos servir. 9 Curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: O Reino de Deus está próximo.

Salve Maria Rainha!
Viva Cristo Rei!

Santo Agostinho de Cantuária

Festa de Terceira Classe
Paramentos Brancos

Uma antiga tradição inglesa reconhece como introdutor do cristianismo no país nada menos que José de Arimatéia, o rico discípulo do Redentor que depôs seu santíssimo corpo no sepulcro.

Tertuliano (c. 155- c. 222) afirma que a Religião cristã já havia penetrado “na Caledônia” — nome que os romanos davam à Grã-Bretanha — no século II, isto é, no território para além dos limites da província romana. Essa cristandade já teria seus mártires na perseguição de Diocleciano, e o nome de seus bispos aparecido nos primeiros concílios do Ocidente, como o de Arles (314), no qual três prelados da região haviam participado.

No ano 429, bispos da Grã-Bretanha enviaram um apelo ao continente pedindo reforços para combater os hereges pelagianos. O Papa São Celestino enviou então São Germano de Auxerre e São Lobo de Troyes. Após combater vitoriosamente os asseclas de Pelágio, São Germano permaneceu algum tempo na Grã-Bretanha, pregando e estabelecendo escolas para a formação do clero.(1)

Quando as legiões romanas deixaram o país, no início do século V, este foi invadido pelos saxões, que se estabeleceram no sul e no leste, e pelos anglos, que fundaram a East-Anglia.

Os invasores destruíram a maior parte do que sobrara da civilização romana, inclusive as estruturas econômica e religiosa. Embora os remanescentes celtas fossem já cristãos, eram pouco numerosos para converter os invasores. Ademais, odiavam seus conquistadores — que formavam a maior parte da população — e não empreenderam a sua conversão. A Igreja dos celtas desenvolveu-se então isolada de Roma, sob a influência dos monges irlandeses, e desse modo centrada mais nos mosteiros do que nos bispados, sem espírito missionário.

Papa São Gregório Magno

São Gregório Magno: “Non sunt angli, sed angeli”

No final do século VI, quando ainda era abade do mosteiro de Santo André, que fundara em Roma, teve o futuro São Gregório Magno seu primeiro encontro com os anglos. Passando ele um dia — relata São Beda, o Venerável — pelo Foro Romano, viu alguns jovens escravos loiros, de muito boa aparência. Quando lhe informaram que eram anglos, ele proferiu a frase famosa:“Non sunt angli, sed angeli” — não são anglos, mas anjos.

Fracassada sua tentativa de ir como missionário evangelizar esse povo, no ano de 596, quando já era Papa, São Gregório enviou finalmente à Grã-Bretanha a missão apostólica que ele tanto desejara.

Para ela escolheu cerca de 40 monges de seu antigo mosteiro de Santo André sob a chefia de seu prior Agostinho, de cuja vida trata o presente artigo. A respeito dessa iniciativa, o escritor inglês Edward Gibbon pôde afirmar: “César teve necessidade de seis legiões para conquistar a Grã-Bretanha. Gregório conseguiu isso com 40 monges”.

Foi por esse tempo que a Grã-Bretanha começou a ser denominada de Inglaterra, em memória do nome da tribo dos anglos que a povoavam, e foram notícias oriundas desse país que levaram o Papa santo a enviar a mencionada missão.

Com efeito, tendo Etelberto (ou Edilberto) se tornado rei de Kent em 559, conseguiu em menos de 20 anos estabelecer seu domínio em grande parte do país. Casou-se com Berta, filha do rei de Paris, o qual condicionara a união ao direito de sua filha professar a verdadeira Religião. Um bispo acompanhou-a então à Inglaterra.

Papa impede desistência dos missionários

Praticamente nada se conhece da vida de Santo Agostinho antes de sua entrada no mosteiro de Santo André, antiga casa paterna de São Gregório. Foi na qualidade de prior desse mosteiro que se deu sua escolha pelo Sumo Pontífice para chefiar os 40 monges enviados à Inglaterra.

De passagem pela Gália, o grupo de missionários deveria procurar em Arles — a primeira Sé das Gálias —, o bispo São Virgílio. “Eu não duvido que recebereis Agostinho e seus companheiros com uma doce benevolência, que os encherá de consolação”, diz São Gregório em carta a São Virgílio. Entretanto, sempre vigilante, acrescenta: “Ao mesmo tempo, examinai esses missionários, e se notardes neles qualquer coisa de repreensível, adverti-os, corrigi-os, para que eles estejam aptos a operar a conversão dos povos. Que Deus vos tenha em sua guarda, meu reverendíssimo irmão”.(2)

Santo Agostinho instrui o rei Etelberto e 
       sua esposa Berta na fé católica

Ora, tendo chegado à Gália, o grupo de missionários recebeu notícias muito desanimadoras da situação na Inglaterra. O próprio Agostinho voltou, a fim de propor ao Papa de rever a questão. São Gregório enviou então aos monges enérgica carta incitando-os a seguir avante.

No Natal, a conversão de Santo Etelberto

São Beda, o Venerável, descreve a entrada de Santo Agostinho e de seus monges em Kent, carregando “a santa cruz junto com uma pintura do soberano Rei, Nosso Senhor Jesus Cristo”.(3)

O grande orador sacro francês Bossuet comenta: “A história da Igreja não tem nada de mais belo do que a entrada do santo monge Agostinho no reino de Kent, com 40 de seus companheiros”.(4) Santo Agostinho, cuja estatura sobressaía à dos demais, era alvo de todos os olhares.

Os monges foram bem acolhidos em Kent por Etelberto, que lhes concedeu licença para pregar. “A evidente sinceridade dos missionários, sua retidão, sua coragem nas provações e, sobretudo, o caráter desinteressado do próprio Agostinho e a nota não mundana de sua doutrina causaram profunda impressão na mente do rei. Ele pediu para ser instruído na fé católica, e seu batismo foi marcado para o dia de Pentecostes”.(5) No dia de Natal de 597, mais dez mil saxões, a exemplo do rei, receberam o batismo.

Como prova da sinceridade de sua conversão, o rei Etelberto cedeu a Nosso Senhor seu palácio, que desde então se tornou a catedral de Cantuária e Sé principal da Inglaterra. Elevado mais tarde à honra dos altares, dele diz o Martirológio Romano (em 24 ou 25 de fevereiro, conforme o ano): “Na Grã-Bretanha, Santo Edilberto, rei de Kent, que Santo Agostinho, bispo dos anglos, convertera à fé de Cristo”.

“Um historiador antigo diz que a rapidez das conquistas de Agostinho era efeito não só do zelo do santo missionário e do espetáculo de suas virtudes, mas também das maravilhas que Deus operava por seu ministério”.(6)

Exaltação papal pelo sucesso apostólico

Ao saber o que ocorria na Inglaterra, o Papa santo escreveu a Santo Agostinho: “Glória a Deus, glória a Deus no mais alto dos Céus; glória a Deus, que não quis reinar somente nos Céus; [...] cujo amor nos envia a buscar até nas ilhas da Britânia irmãos desconhecidos; cuja bondade nos faz encontrar o que buscávamos sem conhecê-lo. Quem poderá contar a exaltação de todos os corações fiéis pelo fato de a nação inglesa, pela graça de Deus e vosso trabalho fraternal, estar inundada da santa luz e se prosterna diante do Deus Todo Poderoso?”.(7)

Sabendo que muito desse sucesso era devido aos inúmeros milagres operados por Agostinho, São Gregório o exorta à humildade, eleva-o a arcebispo de Kent e lhe dá sábios conselhos sobre a organização da missão no país.

Santo Agostinho foi então receber a sagração episcopal das mãos de São Virgílio, retornando em seguida para seu campo de batalha, pois a messe era grande e poucos os operários. Por isso pediu reforços a São Gregório, recebendo pouco depois um novo grupo de monges. Entre eles se destacavam São Melito, um de seus sucessores na Sé de Cantuária; São Justo, mais tarde bispo de Rochester e arcebispo de Cantuária; e São Paulino, depois arcebispo de York.

São Gregório lhe envia em 601 o pálio arquiepiscopal, dando-lhe o poder de erigir quantos bispados julgasse conveniente.

Atitude anti-apostólica e castigo atingem o clero

Como a seara era muito abundante e poucos os missionários, Santo Agostinho apelou para o clero celta, do outro lado da Ilha. Mas este se esquivou, chegando o abade de Bangor — sua principal autoridade, cujo mosteiro possuía três mil monges — a responder ao santo: “Não, não pregaremos a fé a essa cruel raça de estrangeiros, que traiçoeiramente expulsaram nossos ancestrais de seu país e despojaram a posteridade deles de sua herança”. Diante dessa recusa tão pouco cristã, Santo Agostinho respondeu-lhe: “Pois que não quereis ensinar aos ingleses o caminho da vida, recebereis deles o castigo da morte”.

Essa profecia realizou-se alguns anos mais tarde quando Etelfrido, rei dos anglos, ainda pagão, invadiu a região onde estava o mosteiro de Bangor, e vendo que os monges rezavam pela vitória de seu oponente, matou impiedosamente mais de mil deles.

Conservaram-se duas cartas de São Gregório a Santo Agostinho, a segunda das quais é resposta a um questionário que ele enviou sobre dúvidas a respeito de como agir na Inglaterra.(8) O Papa aconselha o Apóstolo da Inglaterra a não destruir os templos pagãos, mas a purificá-los, consagrando-os ao verdadeiro Deus; a não extinguir com violência certos costumes dos gentios, mesmo quando não fossem muito louváveis — com tal de não serem absolutamente incompatíveis com a Religião; a dissimular e passar por cima, até que essa nova planta esteja forte e seja capaz de abraçar inteiramente todo o rigor da disciplina eclesiástica.(9)

Convertidos, forneceram grandes missionários

Baldadas suas tentativas para persuadir os bispos celtas de se submeterem à autoridade de Santo Agostinho, viu-se São Gregório Magno obrigado a estabelecer bispos romanos em Londres e Rochester, em 604, pouco antes de morrer. Ele também fundou uma escola para a formação de sacerdotes anglo-saxões. Santo Agostinho, por sua vez, consagrou bispo seu futuro sucessor, São Lourenço de Cantuária.

Também morreu em 604, dois meses após São Gregório Magno, seu grande benfeitor.

Em seu livro Morais, o Papa santo escreve a respeito da conversão dos ingleses: “Os ingleses, que antes não sabiam senão uma língua bárbara, começaram a louvar a Deus em língua hebraica; e o oceano, que estava antes dilatado e furioso, está agora sujeito e vassalo dos servidores de Deus. Os povos orgulhosos, que os príncipes da Terra não podiam domar pelas armas, foram subjugados pelas palavras simples dos sacerdotes”.(10)

Toda essa epopeia viria a desmoronar-se no século XVI pela lubricidade de um rei adúltero — Henrique VIII — que para satisfazer suas paixões separou a Inglaterra da verdadeira Igreja, fundando uma igreja cismática e depois herética da qual se tornaria a cabeça.
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Notas:

1. Cfr. Andrew A. MacErlean, Saint Germain, bishop of Auxerre, The Catholic Encyclopedia, CD Rom edition.
2. Les Petits Bollandistes, Saint Virgile, Religieux de Lérins, Vies des Saints, Bloud et Barral, 1882, tomo III, p. 161.
3. Cornelius Clifford, Saint Augustine of Canterbury, The Catholic Encyclopedia, DC Rom edition.
4. Les Petits Bollandistes, Saint Augustin de Canterbury, tomo VI, p. 195.
5. Cornelius Clifford, op. cit.
6. Pe. Pedro de Ribadeneira, S.J., San Agustín, obispo e confesor, Flos Sanctorum, in Eduardo Maria Vilarrasa, La Leyenda de Oro, L.González Y Compañia – Editores, Barcelona, 1896, tomo II, p. 344.
7. Apud Fr. Justo Perez de Urbel, O.S.B., San Agustín de Canterbury, Año Cristiano, Ediciones Fax, Madri, 1945, tomo II, pp. 469-470.
8. Livro XI, Carta 64, in St. Gregory I, Letters, The Catholic Encyclopedia, CD Rom edition.
9. Cfr. Les Petits Bollandistes, Saint Grégoire le Grand, tomo III, p. 371.
10. Les Petits Bollandistes, id., p. 372.

São Beda

Santo do dia 25 de maio.
Imagem de São Beda com o nome
de Beda venerabilis, como era
conhecido na Idade Média.
Gravura de 1493, do livro de Hartmann Schedel.


O extraordinário São Beda foram escritas por ele mesmo no livro "História da Inglaterra", um dos mais raros e completos registros da formação do povo inglês antes do século VIII, narradas assim: "Eu, Beda, servo de Cristo e sacerdote, e monge do mosteiro de São Pedro e São Paulo, da Inglaterra, nasci neste país. Aos sete anos, fui levado ao mosteiro para ser educado pelos monges. Beda nasceu no ano 672, tendo sido educado e orientado espiritualmente pelo próprio são Bento Biscop, abade do mosteiro, que, impressionado com seus dons e inteligência, o tratava como próprio filho, na cidade de Wearmouth.

Cedo, Beda percebeu que um sermão podia ser ouvido por apenas algumas pessoas, mas podia ser lido por milhares delas e por muitos séculos. Por isso ele desejou escrever, e escreveu muito, sem se cansar, com cuidado e esmero no conteúdo e estilo, resultando em livros agradáveis de ler, verdadeiras obras literárias, sobre os mais variados temas, indo do teológico ao intelectual.

Ao todo, foram sessenta obras sobre teologia, filosofia, cronologia, aritmética, gramática, astronomia, música e até medicina. Beda gostava de aprender, por isso pesquisava e estudava; e também de ensinar, por isso escrevia e dava aulas. Ajudou a formar várias gerações de monges, que, atraídos pela linguagem simples, encantadora e acessível, eram dirigidos, por meio dessas matérias, para os ensinamentos de Deus.

O papa Gregório II chamou-o a Roma, para tê-lo como seu auxiliar, mas Beda implorou para permanecer na solidão do mosteiro, onde ficou até seus últimos momentos de vida. Só saiu por poucos dias para estabelecer as bases da Escola de York, na qual, depois, estudou e se formou o famoso mestre Alcuíno, fundador da primeira universidade de Paris.

Ainda em vida, era chamado de "venerável Beda", ou "Beda, o Venerável". Morreu com sessenta e três anos, na paz do seu mosteiro, em Jarrow, Inglaterra, no dia 25 de maio de 735. Muitos séculos depois, pelo imensurável serviço prestado à Igreja, o papa Leão XIII, em 1899, proclamou-o santo e doutor da Igreja. São Beda, único santo inglês que possui o título de doutor da Igreja, é celebrado no dia 25 de maio.

Mosteiros gêmeos de São Pedro e São Paulo, localizados
na Abadia de Monkwearmouth-Jarrow, no condado
de Tyne and Wear, Nordeste da Inglaterra.

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Fonte: aqui.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

"É belo para a mulher venerar Cristo na pessoa do marido; mas é também belo para o marido não desonrar a Igreja na pessoa da mulher".
São Gregório de Nazianzo

Excertos - São Bernardino de Sena

Nome santíssimo, tão desejado pelos antigos patriarcas, esperado com tamanha ansiedade, repetidas vezes protelado, invocado com muitos suspiros, suplicado entre copiosas lágrimas, concebido com misericórdia no tempo da graça. Omita-se qualquer denominação de poder, não se fale de reivindicação, retenha-se o nome de justiça. Dá-nos o nome de misericórdia, soe o nome de Jesus aos meus ouvidos, e então, sim, tua voz será suave, belo o teu rosto.

 O nome de Jesus, sólida base de fé, suscita filhos de Deus. A fé da religião católica consiste no conhecimento da salvação eterna. Quem não tiver tal fé ou abandoná-la, caminha às escuras nas trevas da noite, precipita-se de olhos fechados no meio dos perigos e, por mais que brilhe a grandeza de seu entendimento, acompanha um guia cego porque segue o próprio intelecto, à busca de compreender os segredos celestes. Ou tenta construir casa sem alicerces, ou ainda deixa a porta e quer entrar pelo teto. A base, pois, é Jesus, luz e porta, o qual, a fim de mostrar o caminho aos errantes, manifestou a todos a luz da fé, que torna possível procurar o Deus desconhecido, crer no que foi procurado, encontrar aquele em que se acreditou Este fundamento sustenta a Igreja, edificada sobre o nome de Jesus. O nome de Jesus é esplendor dos pregadores, visto que por luminoso fulgou anuncia e faz com que seja ouvida a sua palavra. De onde vem a todo o mundo a luz da fé, tão grande, súbita e ardente, senão do anúncio de Jesus? Acaso Deus não chamou à sua luz admirável por intermédio da claridade e do sabor deste nome? Assim iluminados, e vendo nesta luz a luz, diga com razão o Apóstolo: “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; comportai-vos como verdadeiras luzes” (Ef 5,8).

 Ó nome glorioso, nome grato, nome amante e virtuoso! Por ti perdoam-se os crimes, por ti são superados os adversários, por ti os enfermos são curados, por ti os que sofrem adversidades se fortificam e se alegram! Honra dos fiéis, doutor dos pregadores, robusteces os trabalham, sustentas os que fraquejam. Em teu ígneo fervor e em teu calor inflam-se os desejos, impetram-se os sufrágios pedidos, inebriam-se as almas que contemplam e glorificam-se todos que triunfam na celeste glória. Por este santíssimo nome, dulcíssimo Jesus, faze-nos reinar em sua companhia”.

                                                                                                          São Bernardino de Sena.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Carta de São Francisco de Assis aos clérigos, sobre a reverência ao Corpo do Senhor

Toda reverência, toda dignidade, toda majestade devemos conceder ao
Corpo Santíssimo de Cristo. Somente mãos consagradas devem tocá-Lo.

[1] Prestemos atenção, nós, todos clérigos, ao grande pecado e à ignorância que alguns têm em relação ao Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor Nosso Jesus Cristo e aos Santíssimos Nomes e às Suas Palavras escritas que santificam o Corpo. 

[2] Sabemos que não pode haver o Corpo se antes não é santificado pela palavra. 

[3] Nada, de fato, possuímos e vemos corporalmente neste mundo do próprio Altíssimo se não o Corpo e o Sangue, os Nomes e as Palavras mediante as quais fomos criados e redimidos "da morte à vida" (1Jo 3,14).

[4] Todos aqueles, então, que ministram tão santos mistérios considerem consigo mesmos, sobretudo quem os ministra ilicitamente, quanto sejam miserandos os cálices, os corporais e as toalhas sobre as quais se cumpre o sacrifício do Corpo e do Sangue d'Ele. [5] E por muitos é colocado ou deixado em lugares indecorosos, é transportado sem nenhuma honra e recebido sem as devidas disposições e ministrado aos outro sem critério. 

[6] Também os Nomes e as Palavras d'Ele escritas por vezes são pisadas, [7] pois "o homem carnal não compreende as coisas de Deus" (1Cor 2,14).

[8] Não devemos nos sentir movidos à piedade por tudo isso, a partir do momento que o próprio piedoso Senhor se entrega em nossas mãos, e nós O temos à nossa disposição e d'Ele comungamos todos os dias? [9] Ignoramos, talvez, que iremos ter em Suas mãos um dia? 

[10] Eia, pois, de todas essas coisas e de outras logo e com firmeza emendemo-nos; [11] e, em qualquer lugar onde encontrarmos o Santíssimo Corpo do Senhor Nosso Jesus Cristo colocado e deixado de modo ilícito, seja removido [Nota do Pale Ideas: Lembrem-se que a "carta" é para clérigos! Não ouse um leigo fazer isso!] de lá e guardado em um lugar precioso.

[12] Igualmente, em qualquer lugar em que sejam encontrados os Nomes e as Palavras escritas do Senhor em logos inconvenientes, sejam recolhidos e colocados em lugar decoroso. 

[13] Estas coisas são obrigados a observá-las até o fim, mais do que qualquer outra coisa, todos os clérigos. E aqueles que não fizerem isso saibam que deveram prestar 'razão' diante do Senhor Nosso Jesus Cristo, 'no dia do juízo' (Cf. Mt 12,36). 

[14] E aqueles que fizerem copiar este escrito, para que este seja melhor observado, saibam que serão benditos pelo Senhor Deus. 


São Francisco de Assis. 

in, "Carta a todos os clérigos acerca da reverência ao Corpo do Senhor". 1ª revisão.
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Fonte: Pale Ideas.

Corpus Christi

Festa de Primeira Classe
Paramentos Brancos


Origem da Festa de Corpus Christi:

A celebração teve origem em 1243, em Liège, na Bélgica, no século XIII, quando a freira Juliana de Cornion teria tido visões de Cristo demonstrando-lhe desejo de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com destaque.

Em 1264, o Papa Urbano IV através da Bula Papal “Trasnsiturus de hoc mundo”, estendeu a festa para toda a Igreja, pedindo a São Tomás de Aquino que preparasse as leituras e textos litúrgicos que, até hoje, são usados durante a celebração. Compôs o hino “Lauda Sion Salvatorem” (Louva, ó Sião, o Salvador), ainda hoje usado e cantado nas liturgias do dia pelos mais de 400 mil sacerdotes nos cinco continentes.

A procissão com a Hóstia consagrada conduzida em um ostensório é datada de 1274. Foi na época barroca, contudo, que ela se tornou um grande cortejo de ação de graças.

***

Procissão de Corpus Christi em 1952, na Irlanda.
[que diferença gritante vemos em comparação com os dias atuais]

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Músicas compostas por São Tomás de Aquino, para o Corpus Christi:

Lauda Sion Salvatorem


Adoro Te Devote

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Aproveitando o ensejo em falar da festa de Corpus Christi, deixo abaixo um vídeo de sermão do Rev. Padre Cardozo, da missa de Corpus Christi, de 2015, onde relata os verdadeiros milagres eucarísticos, que foram responsáveis, também, pela instituição da Festa de Corpus Christi.


Sermão sobre milagres eucarísticos.

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Santo Evangelho

São João 6, 55-58
55. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. 56. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. 57. Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim. 58. Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente.

Salve Maria Rainha!
Viva Cristo Rei!

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Meditações

O Corpo na Tumba

Subter te sternetur tinea, et operimentum tuum erunt vermes – Debaixo de ti se estenderá por cama a polila, e a tua coberta serão os bichos (Is. 14, 11).


Sumário. Meu irmão, para ver melhor o que és, aproxima-te de um túmulo. Eis como daquele cadáver sai uma matéria infecta, na qual se gera uma multidão de vermes que se nutrem da carne. Caem as faces, os lábios, os cabelos. E finalmente, daquele corpo nutrido com tanta delicadeza, causa talvez de tantas ofensas do Senhor, não resta nada senão um esqueleto fétido, um punhado de pó. Quantos têm, à vista de um cadáver, deixado o mundo e entrado numa ordem religiosa!

I. Para melhor ver o que és, ó cristão, diz São João Crisóstomo: Perge ad sepulchrum – vai visitar os túmulos. Vê como esse cadáver se vai tornando de amarelo em negro. Em seguida aparece pelo corpo todo uma penugem branca e repelente. Sai dela uma matéria viscosa e infecta que corre pela terra. Nesse pus gera-se em breve uma multidão de vermes que se nutrem das carnes. Despegam-se e caem as faces, os lábios, os cabelos; e daquele corpo só resta finalmente um esqueleto fétido, que com o tempo se divide, destacando-se os ossos uns dos outros, e separando-se a cabeça do tronco. Redacta quasi in favillam aestivae areae, quae rapta sunt vento (1) – Como a miúda palha, que o vento leva fora da eira em tempo de estio. Tal é o homem, um pouco de pó arrastado pelo vento.

Onde está aquele cavalheiro, outrora encanto e alma da sociedade? Entra no seu quarto; já lá não está. Se procurares o seu leito, saberás que foi dado a outro. Os vestidos, as armas: outros já tomaram posse delas e as dividiram entre si. Se o queres ver, vai a essa cova, onde jaz em podridão e com os ossos descarnados. Ó Deus! A que estado ficou reduzido o corpo nutrido com tanta delicadeza, vestido com tanta pompa, cercado de tantos servos! Quantos têm, à vista de um cadáver, deixado o mundo e entrado numa ordem religiosa!

II. Santos do céu, como haveis sido prudentes, vós que pelo amor de Deus, a quem só amastes na terra, soubestes mortificar o vosso corpo. Agora, vossos ossos são conservados e honrados como relíquias santas em relicários de ouro, enquanto que vossas belas almas gozam de Deus, esperando o dia final em que vossos corpos irão também tomar parte na glória eterna, como tomaram parte na cruz durante a vida. É assim que se ama verdadeiramente o corpo, carregando-o neste mundo de aflições, afim de que seja eternamente feliz e recusando-lhe as doçuras que o tornariam infeliz na eternidade.

Aí está, meu Deus, o que deve ser um dia este corpo, pelo qual tanto Vos ofendi, presa dos vermes e da podridão! Mas não me aflijo, ó Senhor, antes me regozijo, de que assim se deve corromper e consumir esta carne, que me fez perder-Vos, ó soberano Bem. O que me aflige é ter-Vos dado tantos desgostos, só para alcançar mais algum prazer. Não quero, porém, desconfiar da vossa misericórdia. Vós esperastes por mim para me perdoar: Expectat Deus, ut misereatur vestri (2). Quereis perdoar-me, se eu me arrepender. Oh, sim! Eu me arrependo de todo o meu coração, de Vos haver desprezado, ó bondade infinita. Dir-Vos-ei com Santa Catarina de Gênova: Meu Jesus, nunca mais pecarei; não, nunca mais pecarei! Não, não quero mais abusar de vossa paciência.

Ó meu amor crucificado, não quero esperar para Vos abraçar até que me sejais apresentado pelo confessor no momento da morte. Desde já Vos abraço; desde já Vos recomendo a minha alma: In manus tuas, Domine, commendo spiritum meum (3). A minha alma entregou-se anos e anos ao mundo e não Vos amou: dai-me a luz e a força para Vos amar o resto de minha vida. Não quero, para Vos amar, esperar pela hora da morte; desde já Vos amo, Vos abraço, e Vos estreito ao coração; e prometo nunca mais abandonar-Vos. – Ó Virgem Santíssima, ligai-me a Jesus Cristo e alcançai-me a graça de nunca mais o perder. 

---------- 
1. Dan. 2, 35. 
2. Is. 30, 18. 
3. Ps. 30, 6.
Meditações
Santo Afonso Maria de Ligório
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A Tradição é linda.

A Tradição é linda.

Palavras de Santo Agostinho

"A oração é uma chave do céu; sobem as preces, desce a divina misericórdia. Por mais baixa que seja a Terra, e alto o Céu, Deus ouve a língua do homem, quando este tem limpa a consciência."

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