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quarta-feira, 23 de março de 2016

São Turíbio, Bispo



Turíbio nasceu de nobre família em Mayorga (Espanha), em 1538. Estudou Direito nas universidades de Coimbra e Salamanca. Tinha 40 anos e era Presidente do Tribunal de Granada quando, por indicação do Rei Felipe II, o Papa Gregório XIII o nomeou Arcebispo de Lima.

Apressadamente, quase que de um dia para o outro, elevou-se um simples leigo à dignidade de bispo da Santa Igreja. São assim as vias da Providência quando Ela decide realizar uma obra. Fez-se com o jurista Turíbio o mesmo que, pouco mais de mil anos antes, fora feito com o estadista Santo Ambrósio: em quatro domingos consecutivos, Turíbio recebeu as ordens menores; poucas semanas depois foi ordenado presbítero e, por fim, sagrado bispo.

São Turíbio de Mogrovejo chegou à sua arquidiocese em maio de 1581. De início teve de enfrentar a decadência espiritual dos espanhóis colonizadores, cujos abusos os sacerdotes não ousavam corrigir. O novo arcebispo atacou o mal pela raiz. Muitos dos culpados de intoleráveis vícios e escândalos tentavam justificar-se: 

- Fazemos o que é costume fazer aqui...

- Mas Cristo é verdade, e não costume! - replicava ele.

Com energia e, sobretudo, com seu exemplo pessoal, pôs freio aos abusos, moralizou os costumes e promoveu a reforma do clero.

Em pouco tempo, o ex-jurista transformou-se num exímio catequista que evangelizava os indígenas com palavras simples mas ardorosas. Percorreu três vezes em visita pastoral todo o imenso território de sua arquidiocese, viajando incansavelmente milhares de quilômetros. Entrava nas cabanas miseráveis, procurava os indígenas fugidios, sorria-lhes paternalmente, falava-lhes com bondade em seus idiomas e os conquistava para Cristo.

As três visitas pastorais tomaram-lhe mais de dez dos seus vinte e cinco anos de episcopado! 

Convocou e presidiu treze sínodos regionais de bispos. Regulamentou e aperfeiçoou a catequese dos indígenas, e fez imprimir para eles os primeiros livros editados na América do Sul: o Catecismo em espanhol, em quéchua e em aymara. Fundou cem novas paróquias em sua arquidiocese.

Tudo isso sem prejudicar em nada o ponto fundamental de todo apóstolo autêntico: sua própria vida espiritual. Chamou a atenção de todos os que conviveram com ele sua intensa vida de piedade, à qual dedicava diariamente muitas horas de oração e meditação.

Teve a inapreciável satisfação de converter milhares de indígenas e de crismar três santos: São Martinho de Porres, São Francisco Solano e Santa Rosa de Lima.

A morte o colheu no curso de sua última visita pastoral, numa pobre capela a quase 500 quilômetros de Lima. Sentindo aproximar-se a hora extrema, recitou o Salmo 121: "Enchi- me de alegria quando me vieram dizer: vamos subir à Casa do Senhor!" Expirou suavemente às 15:30h de 23 de março de 1606, uma Quinta-Feira Santa.

Bento XIII o canonizou em 1726 e o Papa Beato João Paulo II o proclamou Padroeiro do Episcopado Latino-Americano em 1983. (Revista Arautos do Evangelho, Março/2006, n. 51, p. 40-41) ão Turíbio de Mogrovejo foi muito consciente de que o ministério pastoral somente tem sentido se é vivido em santidade e a promove: foi uma evangelização para a santidade.Contemplar a figura de São Turíbio de Mogrovejo é contemplar a figura de um

bispo que se entrega com exuberante generosidade a seu ministério, sem se importar com as dificuldades e inconvenientes que possa encontrar.

Pode surgir então a legítima interrogação: qual foi o segredo da santidade de São Turíbio de Mogrovejo? 

O segredo da santidade de São Turíbio, como a de qualquer santo, foi sua proximidade com Deus, sua fidelidade à oração, elemento fundamental de seu ministério apostólico. É fato que na vida espiritual a pessoa progride na medida em que reza. (...) 

O amor aos necessitados foi também um traço característico da fisionomia espiritual do Apóstolo do Peru. Esse amor pelos pobres patenteava- se nos inumeráveis gestos realizados pelo Santo, que vão desde seu trato afável com os índios e os necessitados, passando pela entrega aos pobres dos bens que conseguia obter, chegando até à doação de suas próprias roupas, móveis e utensílios domésticos.

Em São Turíbio reforçamos nossa convicção de que o tempo consagrado a Deus é garantia de uma fiel entrega ao cumprimento dos próprios deveres e ao serviço dos irmãos.

Na oração, São Turíbio Afonso de Mogrovejo compreendeu que "uma das características fundamentais do pastor deve ser amar aos homens que lhe foram confiados, tal como ama a Cristo, a cujo serviço está". Ele compreendeu o ministério pastoral como o concebe nosso querido Papa Bento XVI, que disse na Missa de inauguração de seu Ministério Petrino: "Apascentar quer dizer amar; e amar quer dizer também estar disposto a sofrer. Amar significa dar às ovelhas o verdadeiro bem, o alimento da verdade de Deus, o alimento de sua presença, que Ele nos dá no Santíssimo Sacramento". (Homilia da Missa comemorativa do quarto centenário da morte do Santo, Cardeal Juan Luis Cipriani Thorne, Arcebispo de Lima)

~~~

Reflexão:

São Turíbio não estudou anos e anos para ser um sacerdote, exercer esse ministério, para de pois de mais alguns anos, por mérito, ser sagrado bispo. Quando Deus quer, o que parece ser impossível se torna fácil. Como um juíz de Direito, aos 40 anos, transformar-se-á num Arcebispo? Num exímio catequista? Num santo? Providência divina.

Às vezes estamos desacreditados, as vezes temos outros planos, mas Deus sempre nos surpreende com sua Divina Providência. Tomemos parte dela com resignação.

Que a exemplo de São Turíbio possamos sempre aceitar os novos desafios que nos são propostos por Deus, porque o vem dEle jamais pode ser ruim pra nós.


Milagre de São Turíbio de Mongrovejo, por Sebastiano Conca - Museu do Vaticano


Salve Maria!

Viva Cristo Rei!

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"A oração é uma chave do céu; sobem as preces, desce a divina misericórdia. Por mais baixa que seja a Terra, e alto o Céu, Deus ouve a língua do homem, quando este tem limpa a consciência."