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domingo, 17 de março de 2019

Oração de São Patrício contra feitiços


Levanto-me, neste dia que amanhece,
Por uma grande força, pela invocação da Trindade,
Pela fé na Tríade,
Pela afirmação da unidade
Do Criador da Criação.

Levanto-me neste dia que amanhece,
Pela força do nascimento de Cristo em Seu batismo,
Pela força da crucificação e do sepultamento,
Pela força da ressurreição e ascensão,
Pela força da descida para o Julgamento Final.

Levanto-me, neste dia que amanhece,
Pela força do amor dos Querubins,
Em obediência aos Anjos,
A serviço dos Arcanjos,
Pela esperança da ressurreição e da recompensa,
Pelas orações dos Patriarcas,
Pelas previsões dos Profetas,
Pela pregação dos Apóstolos
Pela fé dos Confessores,
Pela inocência das Virgens santas,
Pelos atos dos Bem-aventurados.

Levanto-me neste dia que amanhece,
Pela força do céu:
Luz do sol,
Clarão da lua,
Esplendor do fogo,
Pressa do relâmpago,
Presteza do vento,
Profundeza dos mares,
Firmeza da terra,
Solidez da rocha.

Levanto-me neste dia que amanhece,
Pela força de Deus a me empurrar,
Pela força de Deus a me amparar,
Pela sabedoria de Deus a me guiar,
Pelo olhar de Deus a vigiar meu caminho,
Pelo ouvido de Deus a me escutar,
Pela palavra de Deus em mim falar,
Pela mão de Deus a me guardar,
Pelo caminho de Deus à minha frente,
Pelo escudo de Deus que me protege,
Pela hóstia de Deus que me salva,
Das armadilhas do demonio,
Das tentações do vício,
De todos que me desejam mal,
Longe e perto de mim,
Agindo só ou em grupo.

Conclamo, hoje, tais forças a me protegerem contra o mal,
Contra qualquer força cruel que ameace meu corpo e minha alma,
Contra a encantação de falsos profetas,
Contra as leis negras do paganismo,
Contra as leis falsas dos hereges,
Contra a arte da idolatria,
Contra feitiços de bruxas e magos,
Contra saberes que corrompem o corpo e a alma.

Cristo guarde-me hoje,
Contra veneno, contra fogo,
Contra afogamento, contra ferimento,
Para que eu possa receber e desfrutar a recompensa.
Cristo comigo, Cristo à minha frente, Cristo atrás de mim,
Cristo em mim, Cristo em baixo de mim, Cristo acima de mim,
Cristo à minha direita, Cristo à minha esquerda,
Cristo ao me deitar,
Cristo ao me sentar,
Cristo ao me levantar,
Cristo no coração de todos os que pensarem em mim,
Cristo na boca de todos que falarem em mim,
Cristo em todos os olhos que me virem,
Cristo em todos os ouvidos que me ouvirem.

Levanto-me, neste dia que amanhece,
Por uma grande força, pela invocação da Trindade,
Pela fé na Tríade,
Pela afirmação da Unidade,
Pelo Criador da Criação.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Instrução sobre a Quaresma


A Quaresma são os quarenta e seis dias da Quarta-feira de Cinzas ao Domingo de Páscoa, em que jejuam os cristãos, exceto aos Domingos. 

Afirmam os Santos Padres (como se pode ver em Cornélio a Lápide, Bellarmino, etc.) que foi a Quaresma instituição dos Apóstolos, para honrarmos e imitatmos o jejum de Cristo Senhor Nosso, satisfazermos a Justiça Divina, e assim preparar-mos à digna celebração da Páscoa.

Nesse tempo sagrado, substituindo a Igreja as profanas alegrias, bradando a Deus implorar o seu auxílio, a pedir-lhe a conversão dos pecadores, exorta-nos, e como que nos obriga a entrarmos em conta conosco. Façamo-lhes a vontade, cumpramos com o preceito do jejum e juntemos a essa penitência exterior a do coração, sondando o abismo de nossa consciência, lavando os pecados nas lágrimas da compuncção e no sangue de Crisro, frequentando mais os sacramentos, ouçamos Missa todas as vezes que pudermos, apliquemo-nos à lição espiritual, à oração, à consideração das verdades eternas, à prática das boas obras, façamos esnolas mais generosas, sirvam as nossas privações para sustento do pobre. Desta sorte apagaremos, nestes dias de salvação, nossas culpas passadas, e fortalecer-nos-hemos contra as tentações futuras.

Foi religiosamente praticado esse jejum desde os tempos dos Apóstolos. Que vergonha para nossa tibieza e covardia a piedade e rigor dos primeiros cristãos! Privavam-se não só da carne, como de muitos outros alimentos; era depois das vésperas; comiam só para não morrer, sem tantas sensualidades. Só nos princípios do século XIII consentiu a Igreja que adiantassem até ao meio-dia a comida da tarde. Asseveram São Bernardo e Pedro Blezense (século XII) que bem como eles jejuavam os fiéis até a boca da noite. 

Nunc usque ad Vesperam jejunabunt nobiscum pariter universi reges, et principes, clerus et populus, nobiles et ignobilis, simul in unum dives et pauper. (Sermão 3 - Quadragésima)

Em memória desta antiga disciplina rezam-se as vésperas na Quaresma antes da comida, e desta indulgente antecipação da hora veio a consoada, a qual não deve ser mais uma refeição completa. 

Unamos cada dia nosso jejum ao de Cristo Senhor Nosso, em testemunho da nossa obediência à Igreja, nossa Mãe, do nosso agradecimento por tantos benefícios, para expiação dos nossos pecados e dos de nossos irmãos, para alívio das almas do Purgatório, e para alcançar a graça de livrar-nos de tal pecado e de praticar tal virtude.

Goffiné, p. 296-297, 8 edição, 1912

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Credo de Maria


Hoje, 27 de fevereiro, dia de São Gabriel da Virgem Dolorosa, clérigo passionista, compartilho essa belíssima composição mariana, escrita com o próprio coração do autor, uma alma profundamente enamorada de Nossa Senhora e de extremoso amor e obséquios a Nosso Senhor Jesus Cristo Crucificado. 

Neste Credo de Maria, percebemos a profunda espiritualidade de São Gabriel e o quanto esta alma foi santa. Toda honra à Mãe de Jesus, primeiro Sacrário do Verbo, a quem nos é impossível a salvação sem honrá-La.

***

Creio, ó Maria, que, como Vós mesma revelastes a Santa Brígida, sois Rainha do céu, Mãe de misericórdia, alegria dos justos e guia dos pecadores arrependidos; e que não há homem tão perverso que, enquanto viva, não tenhais misericórdia dele; e que ninguém abandonou tanto a Deus, que, se vos invoca, não possa voltar a Deus e encontrar perdão, enquanto que sempre será um desgraçado aquele que, podendo, não recorra a Vós. 

Creio que sois a Mãe de todos os homens, aos que recebestes como filhos, na pessoa de João, conforme o desejo de Jesus.

Creio que sois, como declarastes a Santa Brígida, a Mãe dos pecadores que querem corrigir-se, e que intercedeis por toda alma pecadora ante o trono de Deus, dizendo: Tende compaixão de mim.

Creio que sois nossa vida, e unindo-me a Santo Agostinho, vos aclamarei como única esperança dos pecadores depois de Deus.

Creio que estais, como vos via Santa Gertrudes, com o manto aberto, e que sob ele se refugiam muitas feras: leões, ursos, tigres, etc., e que Vós, em lugar de espantá-las, as acolheis com piedade e ternura.

Creio que através de Vós nós recebemos o dom da perseverança: se vos sigo, não me desencaminharei; se acudo a Vós, não me desesperarei; se Vós me sustentais, não cairei; se Vós me protegeis, não temerei; se vos sigo a Vós, não me cansarei; se vos alcanço, me recebereis com amor.

Creio que Vós sois o sopro vivificante dos cristãos, seu auxílio e seu refúgio, especialmente na hora da morte, como dissestes a Santa Brígida, pois não é costume vosso abandonar a vossos devotos na hora da morte, como assegurastes a São João de Deus.

Creio que Vós sois a esperança de todos, sobretudo dos pecadores; Vós sois a cidade de refúgio, em particular dos que carecem de ajuda e socorro.

Creio que sois a protetora dos condenados, a esperança dos desesperados, e como ouviu Santa Brígida que Jesus vos dizia, até para o próprio demônio obterias misericórdia se humildemente vo-la pedisse. Vós não rejeitais a nenhum pecador, por carregado de desculpas que se encontre, se recorre à vossa misericórdia. Vós com vossa mão maternal o tiraríeis do abismo do desespero, como diz São Bernardo.

Creio que Vós ajudais a quantos vos invocam e que mais solícita sois para alcançar-nos graças, que nós para vos pedi-las.

Creio que, como dissestes a Santa Gertrudes, acolheis sob vosso manto a quantos acodem a Vós, e que os Anjos defendem vossos devotos contra os ataques do inferno. Vós saís ao encontro de quem vos busca e também, sem que se vos peça, dispensais muitas vezes vossa ajuda e creio que serão salvos os que Vós queirais que se salvem.

Creio que, como revelastes a Santa Brígida, os demônios fogem, ao ouvir vosso nome, deixando a alma em paz. Associo-me a São Jerônimo, Epifânio, Antonino e outros, para afirmar que vosso nome desceu do céu, e vos foi imposto por ordem de Deus.

Declaro que sinto com Santo Antônio de Pádua as mesmas doçuras ao pronunciar vosso nome e as que São Bernardo sentia ao pronunciar o de vosso Filho. Vosso nome, ó Maria, é melodia para os ouvidos, mel para o paladar, júbilo para o coração.

Creio que não há outro nome, fora do de Jesus, tão transbordante de graça, esperança e suavidade para os que invocam. Estou convencido com São Boaventura de que vosso nome não se pode pronunciar sem algum fruto espiritual. Tenho por certo que, como revelastes a Santa Brígida, não há no mundo alma tão fria em seu amor, nem tão afastada de Deus, que não se veja livre do demônio se invoca vosso santo nome.

Creio que vossa intercessão é moralmente necessária para salvar-nos, e que todas as graças que Deus dispensa aos homens passam por vossas mãos, e que todas as misericórdias divinas se dão por mediação vossa, e que ninguém pode entrar no céu sem passar por Vós, que sois a porta.

Creio que vossa intercessão é, não somente útil, mas moralmente necessária.

Creio que Vós sois a cooperadora de nossa justificação; a reparadora dos homens, corredentora de todo o mundo.

Creio que quantos não recorram a Vós, como arca de salvação, perecerão no tempestuoso mar deste mundo. Ninguém se salvará sem vossa ajuda.

Creio que Deus estabeleceu não conceder graça alguma a não ser por vosso conduto; que nossa salvação está em vossas mãos e que quem pretende obter graça de Deus sem recorrer a Vós, pretende voar sem asas.

Creio que quem não é socorrido por Vós, recorre em vão aos demais santos: o que eles podem convosco, Vós podeis sem eles; se Vós calais, nenhum santo intercederá; se Vós intercedeis, todos os santos se unirão a Vós. Proclamo-vos com Santo Tomás como a única esperança de minha vida, e creio com Santo Agostinho que somente Vós sois solícita por nossa eterna salvação.

Creio que sois a tesoureira de Jesus e que ninguém recebe nada de Deus, senão por vossa mediação: encontrando a Vós encontra-se todo o bem.

Creio que um de vossos suspiros vale mais que todos os rogos dos santos, e que sois capaz de salvar a todos os homens.

Creio que sois advogada tão piedosa, que não rejeitais defender aos mais infelizes. Confesso com Santo André de Creta que sois a reconciliadora celestial dos homens.

Creio que sois a pacificadora entre Deus e os homens e que sois o chamariz divino para atrair os pecadores ao arrependimento, como Deus mesmo revelou a Santa Catarina de Sena. Como o ímã atrai o ferro, assim atraís Vós aos pecadores, como assegurastes a Santa Brígida. Vós sois toda olhos, e toda coração para ver nossas misérias, compadecer de nós e socorrer-nos.

Chamar-vos-ei, pois, com Santo Epifânio: “A cheia de olhos”. E isto confirma aquela visão de Santa Brígida, na qual Jesus lhe disse: “Pedi-me, Mãe, o que quiserdes”. E Vós lhe respondestes: “Peço misericórdia para os pecadores”.

Creio que a misericórdia divina que tivestes com os homens quando vivíeis sobre a terra, inata em Vós, agora no céu se vos aumentou na mesma proporção que o sol é maior que a lua, como opina São Boaventura. E que, assim como não há no firmamento e na terra corpo que não receba alguma luz do sol, tampouco há no céu nem na terra alma que não participe de vossa misericórdia.

Creio também com São Boaventura, que não só vos ofendem os que vos injuriam, mas também os que não vos pedem graças. Quem vos obsequia não se perderá, por pecador que seja; ao contrário, como assegura São Boaventura, quem não é devoto vosso, perecerá inevitavelmente. Vossa devoção é o ingresso do céu, direi com Efrém.

Creio que, como revelastes a Santa Brígida, sois a Mãe das almas do purgatório, e que suas penas são abrandadas por vossas orações. Portanto afirmo com Santo Afonso que são muito afortunados vossos devotos e com São Bernardino que Vós livrais a vossos devotos das chamas do purgatório.

Creio que Vós, quando subíeis ao céu, pedistes, e obtivestes sem nenhuma dúvida, levar convosco ao céu todas as almas que então se achavam no purgatório. Creio também que, como prometestes ao Papa João XXII, livrais do purgatório no sábado seguinte à sua morte aos que portarem vosso escapulário do Carmo. Mas vosso poder vai introduzindo no céu a quantos queirais. Por Vós se enche o céu e fica vazio o inferno.

Creio que os que se apoiam em Vós não cairão em pecado, que os que vos honram alcançarão a vida eterna. Vós sois o piloto celestial, que conduzis ao porto da glória a vossos devotos na nacela de vossa proteção, como dissestes a Santa Maria Madalena de Pazzi. Afirmo o que assegura São Bernardo: O professar-vos devoção é sinal certo de predestinação, e também a afirmação do abade Guerrico: Quem vos tem um amor sincero, pode estar tão certo de ir ao céu, como se já estivesse nele.

Creio com Santo Agostinho que não há santo tão compassivo como Vós: dais mais do que se vos pede; vais em busca do necessitado, buscais a quem salvar: Muitas vezes salvais aos mesmos que a justiça de vosso Filho está a ponto de condenar, como ensina o Abade de Celes. Portanto, estou convencido da verdade que se contém na visão que teve Santa Brígida: Jesus vos dizia: “Se não se interpusessem vossas orações, não haveria neste caso nem esperança nem misericórdia”. Opino também com São Fulgêncio, que se não fosse por Vós, a terra e o céu teriam sido destruídos por Deus.

Creio, como revelastes a Santa Matilde, que éreis tão humilde que, apesar de ver-vos enriquecida de dons e graças celestiais inumeráveis, não vos preferiríeis a ninguém. E que, como dissestes a Santa Isabel, Beneditina, vos julgáveis vilíssima serva de Deus e indigna de sua graça.

Creio que por vossa humildade, ocultastes de São José vossa maternidade, ainda que aparentemente parecesse necessário manifestá-la, e que servistes a Santa Isabel e que na terra buscastes sempre o último lugar.

Creio que, como revelastes a Santa Brígida, tivestes tão baixo conceito de Vós mesma porque sabíeis que tudo havíeis recebido de Deus, por isso em nada buscastes vossa glória, mas a de Deus unicamente.

Creio com São Bernardo que nenhuma criatura do mundo é comparável convosco em humildade.

Creio que o fogo do amor, que ardia em vosso coração para com Deus era de tanto calor, que num instante poderia acender em fogo e consumir o céu e a terra, e que em comparação com vosso amor, o dos santos era frio.

Creio que cumpristes com perfeição o preceito do Senhor “Amar a Deus”, e que desde o primeiro instante de vossa existência, vosso amor a Deus foi superior ao de todos os anjos e serafins.

Creio que devido a este intenso amor vosso a Deus, jamais fostes tentada, e que nunca tivestes um pensamento que não fosse para Deus, nem dissestes palavra que não fosse dirigida a Deus.

Creio com Suárez, Ruperto, São Bernardino e Santo Ambrósio, que vosso coração amava a Deus, ainda quando vosso corpo repousava, de maneira que se vos pode aplicar o que diz a Sagrada Escritura: “eu durmo, mas meu coração vela”, e que enquanto vivíeis na terra, vosso amor a Deus nunca foi interrompido.

Creio que amastes ao próximo com tal perfeição, que não haverá quem o tenha amado mais, excetuando vosso Filho. E que ainda que se reunisse o amor de todas as mães para com seus filhos, dos esposos e esposas entre si, de todos os santos e anjos do céu, seria este amor inferior ao que Vós professais a uma só alma.

Creio que tivestes, como diz Suárez, mais fé que todos os Anjos e Santos juntos: ainda quando duvidaram os Apóstolos, Vós não vacilastes. Chamar-vos-ei, pois, com São Cirilo, “Centro da fé ortodoxa”.

Creio que sois a Mãe da Santa Esperança e modelo perfeito de confiança em Deus. Que fostes mortificadíssima, tanto que, como dizem Santo Epifânio e São João Damasceno, tivestes sempre o olhar abaixado, sem fixá-los jamais em pessoa alguma.

Creio no que dissestes a Santa Isabel, Beneditina: que não tivestes nenhuma virtude sem haver trabalhado para possuí-la, e com Santa Brígida creio que compartistes todas as vossas coisas entre os pobres, sem reservar-vos para Vós mais que o estritamente necessário.

Creio que desprezáveis as riquezas mundanas.

Creio que fizestes voto de pobreza.

Creio que vossa dignidade é superior a todos os anjos e santos e que é tanta vossa perfeição, que só Deus pode conhecê-la.

Creio que depois de Deus, é ser Mãe de Deus, e que, portanto, não pudestes estar mais unida a Deus sem ser o próprio Deus, como dizia Santo Alberto.

Creio que a dignidade de Mãe de Deus é infinita e única em seu gênero e que nenhuma criatura pode subir mais alto. Deus poderia haver criado um mundo maior, mas não pôde haver formado criatura mais perfeita que Vós.

Creio que Deus vos há enriquecido com todas as graças e dons gerais e particulares que conferiu a todas as demais criaturas juntas.

Creio que vossa beleza sobrepassa a de todos os homens e os Anjos, como revelou o Senhor a Santa Brígida.

Creio que vossa beleza afugentava todo movimento de impureza e inspirava pensamentos castos.

Creio que fostes menina, mas de menina só tivestes a inocência, não os defeitos da infantilidade.

Creio que fostes virgem antes de dar a luz, ao dar a luz e depois de dar a luz; fostes mãe sem a esterilidade da virgem, sem deixar por isso de ser virgem. Trabalháveis, mas sem que a ação distraísse; oráveis, mas sem descuidar de vossas ocupações. Morrestes, mas sem angústia, nem dor nem corrupção de vosso corpo.

Creio que, como ensina Santo Alberto, fostes a primeira a oferecer, sem conselho de ninguém, vossa virgindade, dando exemplo a todas as virgens, que vos hão imitado, e que Vós, diante de todas, portais o estandarte desta virtude. Por Vós se manteve virgem vosso castíssimo esposo, São José.

Creio também que estáveis resolvida a renunciar à dignidade de Mãe de Deus, antes que perder vossa virgindade. Direi com o Beato Alano, que praticar a devoção de saudar-te sempre com a Ave-Maria com o Rosário é um magnífico sinal de predestinação para a Glória.

***

Hoje também comemoro três anos da primeira postagem desse meu humilde blog, um veículo que acredito e espero que possa ajudar na evangelização e nas práticas piedosas de muitas almas. Em razão disso, peço a caridade de cada leitor em rezar uma Ave Maria, na intenção de crescimento e manutenção deste singelo apostolado. Que Deus os abençoe e a virgem Maria interceda pelas suas boas intenções. 
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Fonte: https://padrepauloricardo.org/blog/o-credo-da-virgem-maria

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Ato heróico em favor das almas



Pai Eterno! Em união com os merecimentos de Jesus e Maria, ofereço-vos pelas almas do Purgatório, todas as obras satisfatórias de minha vida, como também todas as que forem em meu favor oferecidas depois da minha morte, pondo-as à disposição de Maria Santíssima, minha Mãe celeste, a fim de aliviar as almas por Ela preferidas, para a maior Glória do Coração de Jesus.


Observações

Qual é o quinhão cedido às almas? Como se vê pela fórmula, oferecem-se neste ato heróico somente as obras satisfatórias (essas, sim, todas!). Portanto, não as obras inteiras, mas só um quinhão, por assim dizer, a terça parte de cada obra: a parte satisfatória. Pois cada boa obra tem um tríplice valor:

1º de enriquecer-nos (meritório); 2º de satisfazer a dívida dos pecados (satisfatório); 3º de obter e pedir graças (impetratório).

Pelo ato heróico se oferece exclusivamente o valor satisfatório de cada obra; os dois outros ficam para o doador, a saber: o valor meritório, que representa justamente a parte duradoura e mais preciosa, e o valor impetratório.

Vantagens

1. Tesouro no Céu. A riqueza do homem no Céu é formada pelo tesouro dos seus merecimentos, isto é, pelo valor meritório de suas obras. Este, porém, é só um dos tres valores de cada obra e só ele vai conosco para o Céu, constituindo o nosso dote e a nossa bem-aventurança. O valor satisfatório paga somente as dívidas do pecado; o valor impetratório é passageiro. Evidentemente, seríamos mais felizes e ricos se pudéssemos aproveitar também o valor satisfatório para aumentar o tão precioso valor meritório. E justamente isso que alcançamos pelo ato heróico, pois ao mérito da obra acresce, neste caso, o mérito da doação feita com tanta caridade, fé, fervor e generosidade. Além disso, popde-se ganhar todos os dias uma indulgencia plenária, e nas segundas-feiras, mais outra, ouvindo a missa em sufrágio das almas. Para ambas: cond. cost.
2. Preservação das penas do Purgatório. Torna mais eficiente os meios de apagar as penas temporais que são cinco: 1º boas obras satifatórias (recepção dos sacramentos, missas, trabalhos, sofrimentos); 2º pureza de vida; 3º oração. Deus, em atenção a ela, perdoa sem obra satisfatória; 4º aumento da graça, da dignidade sobrenatural e da familiaridade com Deus; 5º os merecimentos adquiridos pelo exercício das virtudes contidas no ato heróico (caridade, liberalidade, fé, esperança e amor de Deus). Ora, pelo ato heróico sacrificamos somente o primeiro meio de preservarmo-nos das penas do Purgatório, restando ainda outros quatro, que se tornam, em virtude deste ato, mais eficazes. Deus concederá mais graças para não cometermos pecados, atenderá com mais liberalidade ao nosso pedido de não ficarmos separados dEle, e nos há-de considerar mais dignos de misericórdia.
3. Misericórdia no dia do Juízo. Deus tem liberdade em dar e perdoar seus castigos; Jesus Cristo narra numa parábola que um criado insolvente foi completamente perdoado, apesar de ser grande a sua dívida, dez mil talentos (quarenta milhões). Não querendo porém perdoar a um seu companheiro a insignificancia de cem dinheiros (cerca de Cr$ 600,00), recebeu imediata condenação de pagar até o último ceitil. Nosso Senhor acrescenta que o Pai Celeste procede do mesmo modo. Ora, pelo ato heróico se exerce uma admirável caridade, doando todo o valor satisfatória e todas as indulgencias, a fim de que as almas do Purgatório sejam alividas. Por isso, achará semelhante doador muita misericórdia da parte do Juiz.
4. Advogados poderosos. Maria Santíssima, os Santos Anjos e todos os Santos, tão honrados e alegrados pela liberação das almas, não deixarão de empenhar-se junto ao Trono de Deus, em favor do doador, para que não seja condenado ao Purgatório, ou ao menos, não sofra lá por muito tempo. 

Quem fizer o Ato Heróico não precisará rezar sempre pelas almas. Poderá continuar nas suas orações e obras como qualquer outro cristão. Só a parte satisfatória delas é aplicada as almas do Purgatório. Para isto é suficiente ter feito o ato uma única vez. Não se exige que seja renovado todos os dias. Nem é necessário rezar por todas as almas do Purgatório; pode-se rezar também por uma só alma determinada e aplicar tudo a ela. 

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Fonte: Orai, de Padre João Baptista Reus, S.J., 1954.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Súplicas a Jesus Cristo pelas almas do Purgatório


Dulcíssimo Jesus, pelo suor de sangue que derramastes no Horto das Oliveiras, tende piedade das almas do Purgatório.

Dulcíssimo Jesus, pelas dores de vossa crudelíssima flagelação, tende piedade das almas do Purgatório.

Dulcíssimo Jesus, pelas dores de vossa coroação de espinhos, tende piedade das almas do Purgatório.

Dulcíssimo Jesus, pelas dores que sofrestes no caminho da Cruz, tende piedade das almas do Purgatório.

Dulcíssimo Jesus, pelas dores de vossa dolorosíssima agonia, tende piedade das almas do Purgatório.

Dulcíssimo Jesus, pelas imensas dores que sofrestes, expirando na Cruz, tende piedade das almas do Purgatório.

Dulcíssimo Jesus, pelas últimas gotas do Sangue de vosso amantíssimo Coração, traspassado pela lança, tende piedade das almas do Purgatório.

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Fonte: Adoremus! Manual de Orações e Exercícios Piedosos (1904)

terça-feira, 15 de maio de 2018

Novena a Nossa Senhora Auxiliadora


Para rezar de 15 a 23 de maio
ou sempre que precisar


Pelo sinal + da Santa Cruz, livrai-nos, Deus + Nosso Senhor, dos nossos + inimigos. Em nome do Pai + e do Filho + e do Espírito Santo +. Amém.

Rainha dos Ceús, em vossas mãos coloco minha causa: (dizer as intenções).

Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai e a jaculatória: “Maria, auxílio dos cristãos, rogai por nós”.

Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai e a jaculatória: “Maria, auxílio dos cristãos, rogai por nós”.

Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai e a jaculatória: “Maria, auxílio dos cristãos, rogai por nós”.

Salve, Rainha, Mãe misericordiosa, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos os degredados filhos de Eva. A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e depois deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria.

V: Rogais por nós Santa Mãe de Deus.
R: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

“Maria, auxílio dos cristãos, rogai por nós”.

Oferecimento (*):

Ensinai-nos, ó Maria Auxiliadora!, a sermos doces e bons em todos os acontecimentos de nossa vida: nos desenganos, no descuido de outros, na falta de sinceridade daqueles em quem acreditamos, na deslealdade daqueles em quem confiamos. Ajudai-nos a esquecer de nós mesmos para pensar na felicidade dos outros; a ocultar nossos pequenos sofrimentos de tal modo que sejamos nós os únicos que os padeça. Ensinai-nos a tirar proveito deles, a usá-los de tal modo que nos suavizem, não nos endureçam nem nos amarguem; que nos façam pacientes e não irritáveis; que nos façam amplos em nossa clemência e não estreitos e despóticos. Que ninguém seja menos bom, menos sincero, menos amável, menos nobre, menos santo por ter sido nosso companheiro de viagem no caminho até a vida eterna. Amém.

(*) Acréscimo à novena indicada pelo próprio São João Bosco.
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Fonte:http://precantur.blogspot.com.br/2012/03/novena-nossa-senhora-auxiliadora.html

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Desposórios da Virgem Maria e São José


"Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo."
 
São Mateus, 1, 18

No versículo 18 do capítulo 1 do Evangelho de S. Mateus vemos que a B. V. Maria estava desposada, isto é, estava prometida, como noiva, a S. José. Antes de coabitarem, que significa morarem juntos (o que não se entende por cópula), Ela concebeu do Espírito Santo. Isto é um mistério de fé pois não pode ser explicado pela ciência e feliz de quem acredita.

O matrimônio da Virgem Maria e de São José não é um tema descrito em detalhes pelas Sagradas Escrituras. No Novo Testamento pouco se fala sobre isso e, geralmente, está fadado a  apenas poucos versículos. 

Também não é um tema de muita abrangência na web, pois pesquisei e os resultados que me ocorreram foram de pouca relevância [leia-se textos que nos acrescentem espiritualmente]. Com exceção das obras de arte, cujo tema inspirou favoravelmente os pintores mais famosos do mundo, resultando em belíssimas pinturas, que compartilho no blog Imagens Sagradas.

Achei um artigo sucinto mas terno, num blog lusitano chamado Velharias, que mostra o cotidiano de um ateu [acredite se quiser!] que tem o hobby de trocar arte e raridades, sendo muitas religiosas e principalmente cristãs. Adapto o texto à linguagem portuguesa do Brasil. Minha adaptação foi uma forma de resenha, resumo e opinião própria mesmo. 

***

Nesta estampa ao lado, retirada do blog Velharias, o Sr. Luís, a quem tive a honra de trocar breves palavras, comprou-a, decerto, em alguma feira de antiguidades. Está atribuída a Manuel da Silva Godinho (entre os séculos XVIII e XIX). 

Uma estampa muito bonita, emoldurada por uma figura octogonal, provavelmente para facilitar os enfeites com miçangas, flores ou passamanarias. Um rico costume que foi-se perdendo ao passar dos anos, com a descristianização das civilizações.

Nas representações dos desposórios, isto é, do matrimônio da Virgem Maria e S. José, geralmente eles trocam alianças na presença de um Sumo Sacerdote. Este episódio da vida de Maria começou a ser representado na arte a partir dos finais da Idade Média e teve origem na Lenda Dourada, que por sua vez teve por fonte os Evangelhos Apócrifos.

Para quem não sabe, a Legende dorée é uma obra redigida em latim entre 1261 e 1266 por Jacques de Voragine, que conta a vida de cerca de 150 santos e ainda alguns acontecimentos da vida de Cristo e da Virgem. Segundo o historiador Philippe Walter, esta Legende dorée é uma autêntica mitologia cristã, construída sobre as crenças pagãs, que o Cristianismo soube assimilar com o objetivo de controla-las.

Os Evangelhos Apócrifos são aqueles textos antigos, que o Catolicismo ao longo dos seus muitos séculos de existência rejeitou como canônicos, mas que acabaram por influenciar fortemente a religião e a arte.

Todas estas explicações servem para passar a ideia de que o casamento da Virgem e de S. José é um episódio sumariamente mencionado no Novo Testamento, e que assenta antes num conjunto de tradições antigas, com muitos elementos pagãos à mistura [o que não o faz de forma alguma pagão]. E no entanto, apesar de a história não fazer parte do dogma católico, nos traz inspiração para imaginar a beleza e principalmente a importância deste fato histórico. Na verdade as várias importâncias, tais quais o início de uma família.

Muito resumidamente, quando Maria fez 14 anos, O Sumo-Sacerdote decidiu que todas as moças, que tivessem atingido a puberdade deveriam casar. Maria recusou obedecer, porque segundo Ela os pais a tinham consagrado ao serviço de Deus, o que provocou um certo embaraço no templo, porque não se poderia quebrar um voto sagrado. Os membros do templo decidiram remeter o assunto para a inspiração divina e ouviu-se uma voz desconhecida, que ordenou que todos os homens núbeis deveriam aproximar-se do altar com um cajado. Aquele cuja vara florisse poderia desposar a Virgem. Claro, nenhum dos candidatos teve a sorte de ver o seu cajado florir, exceto S. José, que foi o eleito de Deus para casar com Maria. Esta lenda ajuda-nos a entender não só a cena representada nesta estampa, como também a própria iconografia tradicional de S. José, que é muitas vezes mostrado segurando o seu cajado florido com açucenas [lírios]. Aliás, um dos nomes vulgares da Açucena (Lilium candidum) é precisamente Cajado de S. José.



Exemplo da flor Cajado de São José.
Açucena ou Lírio.

Quanto à estampa propriamente dita, como foi cortada, não tem a assinatura de qualquer impressor ou gravador com a qual se possa datar, embora pareça coisa do século XVIII. No site da Sociedade Martins Sarmento, que tem on-line uma belíssima coleção de 1600 estampas dos séculos XVII-XIX e é um mundo para os amantes das gravuras religiosas, tem um exemplar, que não foi cortado e está assinado pelo gravador, Manuel da Silva Godinho, um senhor que viveu entre 1751-1809.


A mesma estampa, sem o recorte, mostrando a autoria
de Manuel da Silva Godinho.

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Fontes:
https://velhariasdoluis.blogspot.com.br/2014/02/os-desposorios-de-nossa-senhora-estampa.html?showComment=1515948368474#c6518135640531494008
Imagem da flor: https://i.pinimg.com/originals/10/b9/a8/10b9a81b7697f0bceeb077e6b5388f31.jpg
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A Tradição é linda.

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Palavras de Santo Agostinho

"A oração é uma chave do céu; sobem as preces, desce a divina misericórdia. Por mais baixa que seja a Terra, e alto o Céu, Deus ouve a língua do homem, quando este tem limpa a consciência."