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terça-feira, 7 de agosto de 2018

Ato heróico em favor das almas



Pai Eterno! Em união com os merecimentos de Jesus e Maria, ofereço-vos pelas almas do Purgatório, todas as obras satisfatórias de minha vida, como também todas as que forem em meu favor oferecidas depois da minha morte, pondo-as à disposição de Maria Santíssima, minha Mãe celeste, a fim de aliviar as almas por Ela preferidas, para a maior Glória do Coração de Jesus.


Observações

Qual é o quinhão cedido às almas? Como se vê pela fórmula, oferecem-se neste ato heróico somente as obras satisfatórias (essas, sim, todas!). Portanto, não as obras inteiras, mas só um quinhão, por assim dizer, a terça parte de cada obra: a parte satisfatória. Pois cada boa obra tem um tríplice valor:

1º de enriquecer-nos (meritório); 2º de satisfazer a dívida dos pecados (satisfatório); 3º de obter e pedir graças (impetratório).

Pelo ato heróico se oferece exclusivamente o valor satisfatório de cada obra; os dois outros ficam para o doador, a saber: o valor meritório, que representa justamente a parte duradoura e mais preciosa, e o valor impetratório.

Vantagens

1. Tesouro no Céu. A riqueza do homem no Céu é formada pelo tesouro dos seus merecimentos, isto é, pelo valor meritório de suas obras. Este, porém, é só um dos tres valores de cada obra e só ele vai conosco para o Céu, constituindo o nosso dote e a nossa bem-aventurança. O valor satisfatório paga somente as dívidas do pecado; o valor impetratório é passageiro. Evidentemente, seríamos mais felizes e ricos se pudéssemos aproveitar também o valor satisfatório para aumentar o tão precioso valor meritório. E justamente isso que alcançamos pelo ato heróico, pois ao mérito da obra acresce, neste caso, o mérito da doação feita com tanta caridade, fé, fervor e generosidade. Além disso, popde-se ganhar todos os dias uma indulgencia plenária, e nas segundas-feiras, mais outra, ouvindo a missa em sufrágio das almas. Para ambas: cond. cost.
2. Preservação das penas do Purgatório. Torna mais eficiente os meios de apagar as penas temporais que são cinco: 1º boas obras satifatórias (recepção dos sacramentos, missas, trabalhos, sofrimentos); 2º pureza de vida; 3º oração. Deus, em atenção a ela, perdoa sem obra satisfatória; 4º aumento da graça, da dignidade sobrenatural e da familiaridade com Deus; 5º os merecimentos adquiridos pelo exercício das virtudes contidas no ato heróico (caridade, liberalidade, fé, esperança e amor de Deus). Ora, pelo ato heróico sacrificamos somente o primeiro meio de preservarmo-nos das penas do Purgatório, restando ainda outros quatro, que se tornam, em virtude deste ato, mais eficazes. Deus concederá mais graças para não cometermos pecados, atenderá com mais liberalidade ao nosso pedido de não ficarmos separados dEle, e nos há-de considerar mais dignos de misericórdia.
3. Misericórdia no dia do Juízo. Deus tem liberdade em dar e perdoar seus castigos; Jesus Cristo narra numa parábola que um criado insolvente foi completamente perdoado, apesar de ser grande a sua dívida, dez mil talentos (quarenta milhões). Não querendo porém perdoar a um seu companheiro a insignificancia de cem dinheiros (cerca de Cr$ 600,00), recebeu imediata condenação de pagar até o último ceitil. Nosso Senhor acrescenta que o Pai Celeste procede do mesmo modo. Ora, pelo ato heróico se exerce uma admirável caridade, doando todo o valor satisfatória e todas as indulgencias, a fim de que as almas do Purgatório sejam alividas. Por isso, achará semelhante doador muita misericórdia da parte do Juiz.
4. Advogados poderosos. Maria Santíssima, os Santos Anjos e todos os Santos, tão honrados e alegrados pela liberação das almas, não deixarão de empenhar-se junto ao Trono de Deus, em favor do doador, para que não seja condenado ao Purgatório, ou ao menos, não sofra lá por muito tempo. 

Quem fizer o Ato Heróico não precisará rezar sempre pelas almas. Poderá continuar nas suas orações e obras como qualquer outro cristão. Só a parte satisfatória delas é aplicada as almas do Purgatório. Para isto é suficiente ter feito o ato uma única vez. Não se exige que seja renovado todos os dias. Nem é necessário rezar por todas as almas do Purgatório; pode-se rezar também por uma só alma determinada e aplicar tudo a ela. 

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Fonte: Orai, de Padre João Baptista Reus, S.J., 1954.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Súplicas a Jesus Cristo pelas almas do Purgatório


Dulcíssimo Jesus, pelo suor de sangue que derramastes no Horto das Oliveiras, tende piedade das almas do Purgatório.

Dulcíssimo Jesus, pelas dores de vossa crudelíssima flagelação, tende piedade das almas do Purgatório.

Dulcíssimo Jesus, pelas dores de vossa coroação de espinhos, tende piedade das almas do Purgatório.

Dulcíssimo Jesus, pelas dores que sofrestes no caminho da Cruz, tende piedade das almas do Purgatório.

Dulcíssimo Jesus, pelas dores de vossa dolorosíssima agonia, tende piedade das almas do Purgatório.

Dulcíssimo Jesus, pelas imensas dores que sofrestes, expirando na Cruz, tende piedade das almas do Purgatório.

Dulcíssimo Jesus, pelas últimas gotas do Sangue de vosso amantíssimo Coração, traspassado pela lança, tende piedade das almas do Purgatório.

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Fonte: Adoremus! Manual de Orações e Exercícios Piedosos (1904)

terça-feira, 15 de maio de 2018

Novena a Nossa Senhora Auxiliadora


Para rezar de 15 a 23 de maio
ou sempre que precisar


Pelo sinal + da Santa Cruz, livrai-nos, Deus + Nosso Senhor, dos nossos + inimigos. Em nome do Pai + e do Filho + e do Espírito Santo +. Amém.

Rainha dos Ceús, em vossas mãos coloco minha causa: (dizer as intenções).

Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai e a jaculatória: “Maria, auxílio dos cristãos, rogai por nós”.

Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai e a jaculatória: “Maria, auxílio dos cristãos, rogai por nós”.

Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai e a jaculatória: “Maria, auxílio dos cristãos, rogai por nós”.

Salve, Rainha, Mãe misericordiosa, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos os degredados filhos de Eva. A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e depois deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria.

V: Rogais por nós Santa Mãe de Deus.
R: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

“Maria, auxílio dos cristãos, rogai por nós”.

Oferecimento (*):

Ensinai-nos, ó Maria Auxiliadora!, a sermos doces e bons em todos os acontecimentos de nossa vida: nos desenganos, no descuido de outros, na falta de sinceridade daqueles em quem acreditamos, na deslealdade daqueles em quem confiamos. Ajudai-nos a esquecer de nós mesmos para pensar na felicidade dos outros; a ocultar nossos pequenos sofrimentos de tal modo que sejamos nós os únicos que os padeça. Ensinai-nos a tirar proveito deles, a usá-los de tal modo que nos suavizem, não nos endureçam nem nos amarguem; que nos façam pacientes e não irritáveis; que nos façam amplos em nossa clemência e não estreitos e despóticos. Que ninguém seja menos bom, menos sincero, menos amável, menos nobre, menos santo por ter sido nosso companheiro de viagem no caminho até a vida eterna. Amém.

(*) Acréscimo à novena indicada pelo próprio São João Bosco.
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Fonte:http://precantur.blogspot.com.br/2012/03/novena-nossa-senhora-auxiliadora.html

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Desposórios da Virgem Maria e São José


"Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo."
 
São Mateus, 1, 18

No versículo 18 do capítulo 1 do Evangelho de S. Mateus vemos que a B. V. Maria estava desposada, isto é, estava prometida, como noiva, a S. José. Antes de coabitarem, que significa morarem juntos (o que não se entende por cópula), Ela concebeu do Espírito Santo. Isto é um mistério de fé pois não pode ser explicado pela ciência e feliz de quem acredita.

O matrimônio da Virgem Maria e de São José não é um tema descrito em detalhes pelas Sagradas Escrituras. No Novo Testamento pouco se fala sobre isso e, geralmente, está fadado a  apenas poucos versículos. 

Também não é um tema de muita abrangência na web, pois pesquisei e os resultados que me ocorreram foram de pouca relevância [leia-se textos que nos acrescentem espiritualmente]. Com exceção das obras de arte, cujo tema inspirou favoravelmente os pintores mais famosos do mundo, resultando em belíssimas pinturas, que compartilho no blog Imagens Sagradas.

Achei um artigo sucinto mas terno, num blog lusitano chamado Velharias, que mostra o cotidiano de um ateu [acredite se quiser!] que tem o hobby de trocar arte e raridades, sendo muitas religiosas e principalmente cristãs. Adapto o texto à linguagem portuguesa do Brasil. Minha adaptação foi uma forma de resenha, resumo e opinião própria mesmo. 

***

Nesta estampa ao lado, retirada do blog Velharias, o Sr. Luís, a quem tive a honra de trocar breves palavras, comprou-a, decerto, em alguma feira de antiguidades. Está atribuída a Manuel da Silva Godinho (entre os séculos XVIII e XIX). 

Uma estampa muito bonita, emoldurada por uma figura octogonal, provavelmente para facilitar os enfeites com miçangas, flores ou passamanarias. Um rico costume que foi-se perdendo ao passar dos anos, com a descristianização das civilizações.

Nas representações dos desposórios, isto é, do matrimônio da Virgem Maria e S. José, geralmente eles trocam alianças na presença de um Sumo Sacerdote. Este episódio da vida de Maria começou a ser representado na arte a partir dos finais da Idade Média e teve origem na Lenda Dourada, que por sua vez teve por fonte os Evangelhos Apócrifos.

Para quem não sabe, a Legende dorée é uma obra redigida em latim entre 1261 e 1266 por Jacques de Voragine, que conta a vida de cerca de 150 santos e ainda alguns acontecimentos da vida de Cristo e da Virgem. Segundo o historiador Philippe Walter, esta Legende dorée é uma autêntica mitologia cristã, construída sobre as crenças pagãs, que o Cristianismo soube assimilar com o objetivo de controla-las.

Os Evangelhos Apócrifos são aqueles textos antigos, que o Catolicismo ao longo dos seus muitos séculos de existência rejeitou como canônicos, mas que acabaram por influenciar fortemente a religião e a arte.

Todas estas explicações servem para passar a ideia de que o casamento da Virgem e de S. José é um episódio sumariamente mencionado no Novo Testamento, e que assenta antes num conjunto de tradições antigas, com muitos elementos pagãos à mistura [o que não o faz de forma alguma pagão]. E no entanto, apesar de a história não fazer parte do dogma católico, nos traz inspiração para imaginar a beleza e principalmente a importância deste fato histórico. Na verdade as várias importâncias, tais quais o início de uma família.

Muito resumidamente, quando Maria fez 14 anos, O Sumo-Sacerdote decidiu que todas as moças, que tivessem atingido a puberdade deveriam casar. Maria recusou obedecer, porque segundo Ela os pais a tinham consagrado ao serviço de Deus, o que provocou um certo embaraço no templo, porque não se poderia quebrar um voto sagrado. Os membros do templo decidiram remeter o assunto para a inspiração divina e ouviu-se uma voz desconhecida, que ordenou que todos os homens núbeis deveriam aproximar-se do altar com um cajado. Aquele cuja vara florisse poderia desposar a Virgem. Claro, nenhum dos candidatos teve a sorte de ver o seu cajado florir, exceto S. José, que foi o eleito de Deus para casar com Maria. Esta lenda ajuda-nos a entender não só a cena representada nesta estampa, como também a própria iconografia tradicional de S. José, que é muitas vezes mostrado segurando o seu cajado florido com açucenas [lírios]. Aliás, um dos nomes vulgares da Açucena (Lilium candidum) é precisamente Cajado de S. José.



Exemplo da flor Cajado de São José.
Açucena ou Lírio.

Quanto à estampa propriamente dita, como foi cortada, não tem a assinatura de qualquer impressor ou gravador com a qual se possa datar, embora pareça coisa do século XVIII. No site da Sociedade Martins Sarmento, que tem on-line uma belíssima coleção de 1600 estampas dos séculos XVII-XIX e é um mundo para os amantes das gravuras religiosas, tem um exemplar, que não foi cortado e está assinado pelo gravador, Manuel da Silva Godinho, um senhor que viveu entre 1751-1809.


A mesma estampa, sem o recorte, mostrando a autoria
de Manuel da Silva Godinho.

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Fontes:
https://velhariasdoluis.blogspot.com.br/2014/02/os-desposorios-de-nossa-senhora-estampa.html?showComment=1515948368474#c6518135640531494008
Imagem da flor: https://i.pinimg.com/originals/10/b9/a8/10b9a81b7697f0bceeb077e6b5388f31.jpg

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Nossa Senhora da Esperança de Pontmain

Nossa Senhora de Pontmain. Foto: Web.

Uma mulher de aparência tão bela e angélica, mais linda que a contemplação de um vasto campo de tulipas. Alta, nas alturas. Em cima do telhado da casa de um simples camponês, aparece numa noite muito estrelada, com vestes dignas de uma Rainha. Ela vestia uma túnica de profundo azul, sem laço na cintura, que se encheu de estrelas douradas com o passar do tempo. Segurava um Crucifixo todo vermelho e na altura de seu coração tinha uma cruz vermelha estampada. As longas mangas iam até a palma das mãos. Na cabeça um véu negro que cobria um pouco da testa e as orelhas, dando uma forma seráfica a tão esplêndido e reluzente rosto. Por cima do véu uma coroa toda dourada, que se elevava em ápice pontiagudo, até descer novamente e fazer a volta sem sua cabeça. Tinha envolto na coroa uma linha vermelha de espessura fina. Nos pés usava uma sandália que tinha a mesma cor de seu vestido. Difícil encontrar palavras para descrever tamanha perfeição. Fica por aproximadamente três horas operando um milagre e revelando mensagens, mas sem dizer uma palavra. Quatro crianças veem tão cândida beleza e muitos adultos veem os sinais no céu.

Ilustração que representa de forma muito graciosa a aparição de Nossa Senhora em Pontmain. Autor: Desconhecido.

Nossa Senhora em Pontmain é uma das mais complexas, impressionantes, cativantes e misteriosas aparições marianas. Ocorreu em 17 de janeiro de 1871, em Pontmain, Saint Brieuc, na Bretanha. 

No contexto histórico, neste período, a França vivia os horrores da Guerra Franco-Prussiana e três quartos do país estavam ocupados pela Prússia.

A aldeia de Pontmain tinha aproximadamente 200 moradores que viviam desesperados por causa da guerra. As tropas prussianas eram cruéis e devastavam todas as cidades que ocupavam.

Uma aldeia tão pequena, escondida pelas ruínas de uma fortaleza, de aspecto bucólico e agradável. O tamanho da aldeia era oposto ao tamanho da fé daqueles aldeãos, pois tinham uma fé fervorosa na Virgem da Esperança.

Da pequena aldeia de Pontmain, 38 homens foram convocados para a guerra. O pároco consagrou estes soldados e os encomendou à Virgem Maria.

No dia 17 de janeiro os aldeães sabiam que a invasão dos prussianos era iminente. No cair da tarde deste mesmo dia dois irmãos, Eugênio e José, de 12 e 10 anos, filhos do senhor César Barbadette, estavam todos realizando seus trabalhos no celeiro, preparando o junco para alimentar os animais. Pela janela via-se a casa do senhor Agostinho Guidecoq. Quando olharam para  céu, sobre o telhado do senhor Guidecoq, perceberam que estava sem estrelas. Logo os meninos falaram: "Vejam, é uma bela senhora que sorri.", e apontavam para o telhado. O pai dos meninos olhou, mas nada via, a não ser a ausência de estrelas. O senhor Barbadette chamou os dois religiosos que moravam na aldeia, e junto com eles estavam duas crianças, Francisca Richer, de 11 anos e Maria Joana Lebosse, de 9. As outras duas crianças também viam a linda senhora, mas os adultos não, que apenas percebiam os sinais no céu.

A bela senhora sorria muito, com muita candura para as crianças, e estendia os braços. Parecia que estava dentro de uma moldura elíptica. Logo todos os aldeães souberam do que se passava e foram imediatamente para a frente da casa do senhor Guidecoq. O padre e as freiras que viviam na aldeia convidaram todos para rezar. Rezavam o Santo Rosário.

Fotografia das pessoas que estiveram presentes no dia da aparição.

Enquanto rezavam e entoavam hinos de louvores, apareciam mensagens numa espécie de faixa desfraldada sob os pés de Nossa Senhora. Essas mensagens diziam:

"Mas rezem, meus filhos." (Mais priez mes enfants)

"Deus vos responderá em pouco tempo." (Dieu vous exaucera en peu de temps)

"Meu Filho se deixa comover." (Mon Fils de laisse toucher)

Nossa Senhora reagiu de maneiras diferentes quando se cantavam os hinos.

Quando cantaram Mãe da Esperança, um hino muito popular na França, Nossa Senhora acompanhou e sorriu feliz. 

Quando cantaram Meu Doce Jesus, Ela parou de sorrir e o seu rosto ficou de aspecto pesaroso. Um crucifixo vermelho apareceu em suas mãos. 

Quando cantaram Ave, Maris Stella, o crucifixo desapareceu e Ela voltou a sorrir. Um véu branco surgiu sobre ela e então desapareceu. A aparição durou cerca de três horas e meia.

Ao mesmo tempo que a aparição iniciou, ao entardecer daquele mesmo dia, as tropas prussianas estavam na região de Laval, próxima a pequena aldeia de Pontmain. Todos prontos para avançarem e dominarem a pequena aldeia. Porém, às 17:30, o general Von Schmidt recebeu ordens de seu comandante para não seguirem adiante com a invasão e não tomarem a cidade.

"Não podemos avançar. Mais adiante, na direção da Bretanha há uma Senhora invisível que barra o caminho.". Há registros dessa fala do General Von Schmidt.

Na noite deste dia as tropas cessaram o avanço e em três dias se retiraram. 

No dia 28 de Janeiro foi assinado um armistício que pôs fim à guerra e finalizou o sofrimento dos franceses. O retorno dos 38 soldados de Pontmain sãos e salvos não põe em dúvida o grande poder da intercessão da Virgem Maria junto a seu Filho Jesus Cristo.


No dia 2 de fevereiro de 1872 o bispo local aprovou a aparição e o culto local a Nossa Senhora da Esperança de Pontmain: Julgamos que Maria Imaculada, Mãe de Deus, realmente apareceu em 17 de janeiro de 1871, para Eugênio Barbadette, José Barbadette, Francisca Richer e Maria Joana Lebosse, na aldeia de Pontmain. Com toda a humanidade e obediência submetemos este julgamento ao julgamento supremo da Santa Sé Apostólica, centro de unidade e órgão infalível da verdade em toda a Igreja”. 

A aparição de Pontmain foi aprovada como autêntica pelo Papa Pio XI, em missa. No ano de 1932 o Papa Pio XII concedeu que a Mãe da Esperança de Pontmain fosse homenageada com uma coroa de ouro. 

Há uma belíssima Basílica em honra a Mãe da Esperança, em Pontmain, local de peregrinação de muitos fiéis. 

Interior da Basílica de Nossa Senhora de Pontmain.

Eugênio e José Barbadettte tornaram-se sacerdotes. Joana Maria tornou-se freira e Francisca professora da escola da paróquia.

A Basílica atualmente está sob os cuidados dos Padres Oblatos de Maria Imaculada.

Em tempos de guerra invoquemos sem cessar a proteção da Virgem da Esperança de Pontmain.

Nossa Senhora de Pontmain, rogai por nós.
_______
Fontes consultadas:
https://pt.aleteia.org/2017/02/23/a-noite-estrelada-em-que-nossa-senhora-impediu-um-exercito-nao-podemos-avancar-ha-uma-senhora-barrando-o-caminho/
http://www.jesusmariasite.org/apparition-of-our-lady-in-pointmain-france-symbolism-finally-revealed/
http://www.derradeirasgracas.com/4.%20Aparições%20de%20N%20Senhora/Nossa%20Senhora%20em%20Pontmain.htm
http://www.a12.com/academia/titulos-de-nossa-senhora/nossa-senhora-da-esperanca-de-pontmain

Oração dos meninos pelos meninos do Purgatório


Dulcíssimo Redentor Jesus Cristo que durante a vossa vida mostrastes tanto amor pelos meninos, eis-nos aqui na vossa divina presença. Somos meninos como aqueles, e também abençoados por Vós. Nós Vos pedimos instantemente que abrais as portas do Céu aos nossos irmãos e irmãs que estão gemendo no lugar de sofrimento e expiação. Concedi-nos que eles depois nos protejam também a nós, aos nossos pais e ao nosso Pai comum, o Santo Padre em Roma. Oh Santa Virgem, nossa boa Mãe, rogai por nós e pelos meninos que sofrem no Purgatório.

Rezar uma Ave Maria.

(100 dias de Indulgência)

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Da Murmuração e da Calúnia

Detalhe da pintura "The Secret", de Elsa Mora.

Murmurar é descobrir sem necessidade as faltas ou vícios do próximo.
Sem necessidade, dizemos, nem para bem público, nem para bem particular, porquanto toma-se às vezes preciso divulgar certos males, ainda com prejuízo e desonra de quem os fez, v. g. (por exemplo), declarando-os aos pais, mestres ou mais superiores, para que ponham o cobro aos desmandos dos seus inferiores e preservem os mais do contágio e outros prejuízos iminentes. Fora esses casos excepcionais, lembremo-nos que nem todas as verdades se dizem.

Caluniar é imputar ao próximo defeitos ou culpas que não tem.
Inventa pois o caluniador perverso e propala falsidades contra a honra do próximo, a quem rouba cruelmente a fama, que é dos bens o mais precioso: crime pois mais odioso que o precedente, já que fere a um tempo a verdade, a caridade e a própria justiça.

Tanto este como aquele pecado da língua designa-se com o nome de Detração.
A Detração, em geral, é a difamação injusta do próximo ausente, por palavras ou sinais.
Arranca ou rasga o detrator a honra alheia, tira-lhe a seu irmão a fama ou a reputação, difama-o.

Para bem avaliar a gravidade deste pecado, é preciso levar em conta várias circunstâncias:

1- A qualidade do detrator, a posição social, o conceito de que goza de inteligente e criterioso, agravam notavelmente a ferida e o prejuízo;
2- A qualidade do ofendido, se for pessoa de consideração, um sacerdote, um Preado, um magistrado, que será feito da sua autoridade e do respeito que merece? Se for um negociante, não ficará desacreditado e seu comércio arruinado? Como achará emprego o criado, o operário assim difamado? Como achará arranjo uma pobre moça com nome já mareado?
3- O objeto ou matéria da detração pode ser de maior ou menor importância, mais ou menos secreto e oculto o mal que a vítima se assaca. 
4- O número e qualidade dos ouvintes.
5- Os inconvenientes as consequências, ora mais, ora menos funestas.
6- A paixão e maldade com que se perpreta o atentado. Muitos são os modos por que os detratores ofendem a fama do próximo:
- Uns inventam e atribuem a outrem mal que não fez; são estes propriamente os caluniadores, execrados de Deus e dos homens, Imponens.
- Outros exageram o mal, Augens.
- Outros, e é este o caso mais frequente, revelam misérias secretas dos particulares ou das famílias, as vezes até em público raso, muitas vezes segredando ao ouvido duma ou outra pessoa: "Sabe você o que dizem de fulano, de fulana... Fulana não é feliz com o marido, triste casal; ...a moça fulana, dizem que é bastante leviana com fulano; ...e que tal a ladroeira de fulano? ...a fulano andam-lhe mal os negócios... Olhe você que é segredo, a mais ninguém o digo!
Ah! segredo, e por que não o guarda? assim me entregaria se de si se tratasse?
Que comichão de falar... oh faísca bastante para incendiar uma vasta floresta! Malditos mexericos, malditos mexeriqueiros que acendem inimizades e as ateiam, referindo a uns e outros o que pode provocar desuniões e rancores quase irremediáveis! Manifestans.
- Difama-se ao próximo deitando-lhe as ações a mal, atribuindo-lhes más intenções em seus atos, ora indiferentes, ora até louváveis. - Ah! coração perverso, mede aos mais pela sua vara; maus seus olhos veem mal em tudo.
Guarde lá para si suas interpretações malignas, que, voltando-se o feitiço contra o feiticeiro, perde a própria fama, e ninguém lhe acreditará nas boas intenções, já que aos mais as nega. In mala vertens.
- Tira-se a honra do próximo negando o bem que outros dizem dele. Ainda que não seja verdade o que se diz em louvor duma pessoa, que tem como isto o detrator. Qui negat.
- Com a mesma injustiça diminui-se o elogio do próximo, ou se torna duvidoso o bem que lhe é atribuído. A quem louva uma bela ação, o bom procedimento, a generosidade, o zelo, o trabalho, a caridade, a fortuna, o comércio, os sucessos dum ausente, responde o murmurador: "Ora, que não há tanto assim... Nem tudo que é luz é ouro!... Não há medir o alcance destruidor dessas e quejandas restrições. Qui minuit.
- Os mesmos danados fins conseguem outros só com o calar-se; que há silêncio calculado e maldoso mais eloquente que as palavras. Estão a dizer mal de alguém, vós poderíeis defende-lo; em o não fazendo, cooperais a degolação desta inocente vítima. 
- O louvor frouxamente pode ser, às vezes, venenosa maledicência. Ao louvar-se alguém à vista de outro, acode este com um sim tão seco, em tom de frieza, de indiferença e de constrangimento como de quem o solta  contra sua opinião; tanto faz, como dizer que coisas sabe que desabonam o mérito da pessoa louvada, e é quanto basta para tudo eclipsar.
Outra manha do detrator: começa ele próprio com os encômios do ausente e, de repente: Mas! muito homem de bem... muito boa mulher... moça muito trabalhadeira... etc., ...mas! Funesto mas! Murmuração tremenda! Disse muito uma palavra, um monossílabo, disse demais! ai! que foi isto enfeitar a vítima para a degolar! Laudatque remissè.
Importa notar que para o crime de detração coopera também quem assiste e escuta, que não houvera murmuradores, se não encontrassem ouvidos para atende-los.
Assim verifica-se o dizer dos Doutores que é de três pontas a língua do murmurador, e fere três vítimas a um tempo: quem fala, com quem fala e de quem se fala.
Entenda-se porém esta doutrina da participação voluntária, que não incorre em tão funesta cumplicidade quem, em não podendo tapar a boca maldizente ou tomar formalmente as dores do paciente, encerra-se em significativo silêncio de tristeza, de contrariedade, de distração, que basta quase sempre o rosto triste para deter a língua do maldizente, como dissipa o vento do Aquilão as chuvas (Pv c. XXV).
Pior se torna e muito mais funesta e mais irremediável a detração quando perpretada por escrito, e que será pela imprensa! Multiplicam-se então os cúmplices no infinito: escritores, impressores, vendedores e leitores sem conta possível, cercam a pobre vítima como vespas peçonhentas, ou antes como assassinos implacáveis, de quem não pode escapar.
Urge-lhe aos detratores de qualquer denominação a obrigação indeclinável de ressarcir o prejuízo que causaram ao próximo, obrigação de justiça, qual a de restituir o que se roubou: Redde quod debes. Repõe o que me tirastes, pode clamar a vítima do detrator; r, e créditoubaste-me a honra, a reputação e crédito, o negócio, a posição; repõe-me isso tudo, que o reclamo em nome da razão, da religião, da justiça e da caridade. [Ou ao seu dono!]

Assim quiseras para ti, assim fazes para os outros, senão, ouve a sentença de Santo Agostinho que é da justiça divina: Non remittitur peccatum nisi restituatur ablatum.

Mas como fazer tão reparação?

Na medida do possível:
1- Em sendo calúnia que assacastes ao vosso irmão, cumpre desdizer-vos e declarar que foi falsidade que dissestes, ainda que desta arte  vos venha o nome de mentiroso, de falsário talvez, porquanto tem direito à sua fama o próximo, nem que seja à custa da vossa. Quem vos mandou difamá-lo? Expiai vossa maldade.
2- Quando se trata de murmuração, isso é de revelação injusta de mal verdadeiro, não há retratar o dito, que seria mentir, e então? Procurai, por todos os meios, em vosso poder, atalhar o mal, rogando aos que vos ouviram a murmuração a não propalem, em vista da injustiça, que cometestes; fazei por atenuar as outras consequências, compensar os prejuízos, talvez as ruins originadas do vosso pecado. 

Ah que bem disse o Sábio: Aquele que guarda a sua boca, e a sua língua, guarda a sua alma de grandes apertos (Pv XXI).

Ponde Senhor, uma guarda à minha boca, e aos meus lábios uma porta que os preserve (Sl CXL).

__________
Excerto do Goffiné, 1910, 7ª edição. P. 593-597.
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A Tradição é linda.

A Tradição é linda.

Palavras de Santo Agostinho

"A oração é uma chave do céu; sobem as preces, desce a divina misericórdia. Por mais baixa que seja a Terra, e alto o Céu, Deus ouve a língua do homem, quando este tem limpa a consciência."